"A vida é aquilo que você faz daquilo que te fizeram"

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O meu vício (Cutting)



Ando de um lado para o outro como uma viciada, me coço, roo minhas unhas, se me sento em busca de um pouco de paz minhas pernas começam a tremer. Eu preciso, eu simplesmente preciso daquilo. Não parece mais algo que eu tenha escolha, mas sim algo que já se enraizou tão profundamente dentro de mim que já faz parte do que eu sou. Como posso sobreviver sem isso? Eu já não sei mais. Há dois meses atrás eu nem pensava mais nisso e hoje isso não me sai da cabeça nem um momento se quer. Por que? Por que as coisas mudam desse jeito comigo? Tudo bem, isso significa que um dia as coisas vão voltar a melhorar também, mas quando? Tenho medo de que esse dia chegue tarde de mais. Estou cansada de lutar contra mim mesma, estou cansada dessa batalha perdida, dessa campanha falida. É só que eu olho em volta, e quase sempre o que eu vejo é escuridão. É difícil se ter esperanças sob meu ponto de vista, é difícil seguir em frente, é difícil confiar nas pessoas, pedir ajuda, se quer falar para qualquer um o que está acontecendo.

Então minha tendência é me fechar cada vez mais. Eu já sou quieta por natureza, mas posso me tornar um túmulo. Tudo começa nas sessões de terapia. De repente os 50 minutos que passavam tão rápido com eu falando o tempo todo começam a demorar para passar, começam a se tornar cada vez mais silenciosos, até que eu comece a responder as perguntas da minha psicóloga monossilabicamente. Não faço de propósito. Simplesmente perco a vontade de falar, sobre qualquer coisa, nada mais me interessa, nada mais importa. Há não ser meu vício, claro. É só nele que eu penso, sonho com ele, faço planos para obtê-lo, fico imaginando como vai ser quando eu o tiver em minhas mãos. Um monte de besteiras. O pior é que eu sei muito bem o que vai acontecer caso eu ponha a mão no que eu quero tanto.

Eu vou ser internada de novo. Vou abrir um rombo em meus braços e vou ser internada novamente. Vou atrapalhar meus estudos de novo e causar todo aquele mesmo transtorno para meus pais e meus amigos e sabe o que é pior do que isso? Eu estou disposta a correr esse risco só para ver um pouquinho de sangue escorrendo pelos meus braços. Eu estou disposta. Entendem agora a pessoa horrível que eu sou? Eu não consigo pensar no momento em quanto corações eu vou quebrar caso eu me corte nesse exato momento, não consigo, só consigo pensar na lâmina cortando minha pele. Meu deus, eu sou uma viciada. Me desculpem. Prometo que dessa vez é a última, me deixem me cortar só mais uma vez, só mais uma e mais uma e mais uma...

3 comentários:

Ezequiel de A. C. disse...

Que Deus proteja você.

Débbius disse...

Um clássico poético que se fosse ficção não seria tão trágico... vc term uma mente muito densa e propensa à um luto contínuo, disfarçado por uma insanidade macabra sem igual... apesar de tudo, espero que esteja bem e livre desse adictismo sangrento!

Unknown disse...

- Sáá, escreva mais! Sinto sua falta... Me sinto segura quando leio seus textos. Que Deus esteja sempre com você. Maaaaas volte pra gente!