"A vida é aquilo que você faz daquilo que te fizeram"
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domingo, 28 de julho de 2013

É o jeito de se ver as coisas



As coisas mudam um pouco quando você escuta um doente mental gritando por sua vida. Eu quero viver, eu quero viver, por favor, me deixe viver. Acho que as coisas mudam quando você escuta qualquer pessoa implorando por isso. Faz você se sentir meio idiota por desejar tanto a morte, faz você querer trocar de lugar com aquela pessoa, faz você se sentir culpado por ter tanta sorte... que se torna azar. E o que nós podemos fazer? Sinto vontade de estender meus braços e dizer: Me prendam no lugar dele, me amarrem nessa maldita maca mas deixem ele em paz, me apliquem todas essas injeções, sintam raiva de mim, não dele... Não aguento ouvir esse choro, esses gritos, não aguento. Levo minhas mãos aos meus ouvidos e grito junto, tenho que gritar junto se não vou acabar enlouquecendo do mesmo jeito. E eu não quero enlouquecer, não quero perder o controle de novo, não quero levar mais 10, 20, 60 pontos nos meus braços, não quero... Não quero que as pessoas me olhem com pena, não quero que passem a mão na minha cabeça e me chamem de menina, criança. Eles não entendem, eu sou um monstro, escondido atrás desse rostinho redondo, eu sou um monstro e ninguém vê. Só eu consigo enxergar o monstro horrível que mora dentro de mim. Como eu posso amar a mim mesma com uma coisa dessas aqui dentro? É impossível.

Mas as pessoas insistem. Ame a si mesmo, antes do que qualquer coisa, ame o que você é, ame até a sua doença, porque ela faz parte de você. Eu não consigo, a cada minuto que me esforço tentando ver algo de positivo dentro de mim, eu escuto a risada do meu Monstro dentro da minha mente. Você é isso, você é aquilo, ele me aponta seu dedo nojento. E eu concordo com ele. Eu sou patética. Quero chorar toda vez que me olho no espelho e toda vez que me olho no espelho, procuro no reflexo dos meus olhos o monstro que vive dentro de mim. Às vezes eu vejo, às vezes não. Ele é de lua, só aparecer quando quer, nos piores momentos. Tem um ótimo time, um ótimo senso de humor macabro e sádico. Esses dias internada pela terceira vez na clínica foram os piores. Fazia tempo que eu não me sentia tão sozinha, fazia tempo que eu não chorava tanto e tão descontroladamente, fazia tempo que um amigo meu não me traia tão descaradamente. Fazia tempo. O mundo desabou. Ninguém percebeu mas para mim o mundo acabou.

E no fim continua existindo. Eu continuo existindo, meu monstro continua existindo. E eu sei, ah eu sei, que essa não foi a última vez que eu vou chorar e sangrar por alguém. Você, traidora, não é a única, infelizmente ou felizmente, não sei de mais nada.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um pouco tarde demais



Você está gorda, gorda demais. Você gosta de ser feia assim? Se você continuar gorda desse jeito nenhum moço vai querer casar com você. Você vai ficar sozinha para sempre que nem a fulana, é isso que você quer? Por que você não emagrece? Você está ridícula. Nossa! Que gorda. Gorda, gorda, gorda, gorda. Fecho os olhos tentando segurar as lágrimas, posso ouvir meu irmão rindo de mim, me perseguindo pela casa me chamando de gorda, posso ouvir as críticas de minha avó, posso ver seu olhar de desprezo, posso sentir as outras crianças puxando meu cabelo, me empurrando, rindo de mim. Deus, por que você me fez tão feia? Por que eu sou assim? Por que as coisas precisam ser assim? Fecho os olhos com força e tampo meus ouvidos tentando abafar as risadas ecoando em minha mente. Deus, eu me odeio tanto, tanto. Eu só queria morrer à vezes, fazer a dor parar. Deus, por que eu existo? Qual o objetivo dessa tortura toda? Eu me odeio tanto, tanto, tanto. Meu peito dói, minhas mãos tremem e eu sinto que meu mundo está despedaçando de novo, por favor, alguém me ajude, por favor, por favor, por favor. Tento não voltar para o passado mas é inútil, estou constantemente voltando aos meus 5 anos, 8, 10, 15 anos.

Pisco meus olhos com força tentando me concentrar na partitura em minha frente enquanto meus dedos erram pelo piano. Sinto o olhar acusador e exigente de minha avó em minhas costas. Tenho uns 13 anos nessa lembrança se não me engano, e uma grande dificuldade para me concentrar naquilo diante de meus olhos. Minha professora sempre sorri para mim e fala o quão inteligente eu sou, diz que eu tenho talento, que aprendo muito rápido... Mas ali, diante daqueles olhos, eu pareço uma retardada tentando tocar. Não consigo, não consigo, e a cada erro, menos eu consigo me concentrar e mais eu acabo errando. Minha avó suspira decepcionada interrompendo minha música, se é que aquilo podia se chamar música. Ela diz que eu sou horrível, que eu nunca vou ser como minha mãe, que eu nunca vou conseguir me tornar uma organista (como chamamos a pessoa que toca o órgão na minha igreja). Até essa idade eu sonhava em ser organista, depois desse dia não mais. Depois desse dia, tocar piano na presença de qualquer pessoa se tornou cada vez mais difícil. Minhas mãos não obedeciam mais meus comandos, não acompanhavam meus olhos, não seguiam a melodia. Eu nunca vou ser tão boa quanto minha mãe, eu nunca vou aprender a tocar direito, eu nunca vou ser boa o bastante. Soco as teclas do piano com raiva e frustração, nada o que eu faço é bom o bastante, nada é bom o bastante. Eu só queria que alguém se orgulhasse de mim, se orgulhasse do que eu faço.

Tenho 12, corro pelo apartamento tentando chegar a meu quarto antes que meu irmão me alcance, preciso me trancar ali dentro, preciso me proteger, ele vai me machucar, ele vai me machucar. Entro em meu quarto e tento fechar a porta atrás de mim, mas ele consegue impedir que eu a tranque colocando seu pé entre o vão. Ele ri, aquele riso maníaco ao ver meu desespero enquanto eu tento empurrar seu pé para fora do meu cubículo, estou tão assustada, tão assustada. Ele me xinga de gorda e feia, diz coisas horríveis. Se ele entrar eu sei que vai me encurralar e me bater só para me ver encolhida em um canto, só para me ver chorar. Por fim, depois de muito esforço, consigo empurrar seu pé e passar a chave rapidamente em minha porta. Meu irmão começa a socá-la, rindo mais alto ainda. Seu riso até hoje ecoa aqui dentro. O que eu fiz de errado para merecer isso? O que eu fiz de errado?

Tenho entre 8 e 10 anos de idade, as crianças mais velhas me cercam e me machucam, fazem coisas que não deveriam fazer. Quando finalmente me libertam eu saio correndo e chorando, por fim, percebendo que havia algo de errado em tudo o que eu passava, que aquilo não tinha como ser certo, tinha? Pela primeira vez chego chorando desesperadamente em casa. Minha mãe solta um simples "ignore" quando digo que as outras crianças riem de mim. Nunca mais contei nada que sofri para ela. Ignorar? Ignorar? Você ignora um joelho ralado, não uma alma sob tortura diariamente.

Me olho no espelho. Meu corpo é feio, meu rosto é feio, meus olhos fundos e cansados, em meus braços e pernas centenas de cicatrizes. Eu fui sozinha por muito tempo, ninguém nunca levou a sério meu sofrimento até que eu chegasse em meu limite, ninguém se preocupou comigo, com o que eu pudesse estar passando por, ninguém enxugou minhas lágrimas, ninguém me explicou que o que eu passava não era normal e que eu tinha o direito sim de ser feliz e respeitada como todo mundo, ninguém passou a mão em minha cabeça ou me abraçou quando eu mais precisei, ninguém ouviu o que eu tinha a dizer, ninguém imaginou que a dor que eu tinha aqui dentro era tão grande e profunda que se tornou incurável, irreversível, fatal. Em minha mente as pessoas continuam rindo de mim, continua me empurrando, me diminuindo, me abusando. É uma tortura constante. Onde estavam as pessoas que deveriam me proteger? As pessoas que deveriam estender a mão em minha direção e me ajudar a levantar? Onde elas estavam?

domingo, 27 de maio de 2012

Sorry for the mess



Minha cabeça dói. Passei o final de semana inteiro dormindo de cansaço e no entanto agora mal consigo escrever de tanto sono. Eu gostaria que o mundo caminhasse um pouco mais devagar, que o dia tivesse umas dez horas a mais e que eu pudesse dormir o quanto eu quisesse. Tenho vontade de me trancar em meu quarto por dias, meses, anos. Todo movimento requer um esforço sobre-humano. Não, no momento não quero resolver meus problemas. Não, não quero me esforçar agora. Estou cansada, me deixe dormir, só mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Sinto vontade de chorar e não consigo encontrar um motivo. Me sinto vazia, me sinto sozinha, terrivelmente sozinha. Queria conseguir conversar, com qualquer um, sobre qualquer coisa que me incomoda aqui dentro, mas eu não converso com ninguém. Não sei falar, não consigo falar. Então esse bolo fica preso aqui dentro, tornando minha respiração pesada e difícil. Não consigo, não consigo. Quero me encolher em um canto escuro e chorar, quero me cortar, quero sair correndo para bem longe. Vai ser sempre assim? Eu deveria me contentar com minhas pequenas conquistas, deveria olhar positivamente para minhas insignificantes vitórias, mas não consigo, desculpa, não consigo. Tenho tanto medo do futuro, do que vai ser de mim, de onde eu vou estar daqui a um ano ou dois. Sofrer adiantado se tornou uma obsessão para mim, admito. Mas o que posso fazer? Não consigo controlar meus pensamentos, minha forma de ver o mundo, quem eu sou. Não adianta eu repetir para mim mesma que vai ficar tudo bem, que eu estou bem, algo grita desesperadamente aqui dentro, grita que nada está bem, que coisa alguma vai ficar bem. Não posso ignorar essa voz, esse desespero.

Eu preciso de ajuda, eu preciso desesperadamente de ajuda. E eu a tenho! O tempo todo, minha psicóloga, meu psiquiatra, meus remédios, tudo o que me ensinam, tudo o que me falam... E no entanto eu continuo precisando de ajuda. É como se eu fosse um buraco negro, sugando a atenção e ajuda de todos a minha volta o tempo todo, sugando toda a luz, toda a esperança, toda a felicidade. Constantemente. Minha psicóloga disse para eu abolir a palavra "monstro" do meu vocabulário para tentar destruir essa "personalidade alternativa" que eu criei dentro de mim por covardia... Ela fala que não existe monstro, que eu não sou um monstro. Mas é difícil acreditar nisso vivendo em minha pele. A única coisa que eu ofereço para as pessoas a minha volta é trabalho, um muro inquebrável, tristeza, mais trabalho, às vezes irritabilidade, impulsividade destrutiva, indiferença, desapego, dependência, desconfiança, medo. Não sei oferecer mais nada. Como posso deixar de me enxergar como um monstro? Eu machuco as pessoas, quando não confio, quando não consigo conversar, quando me corto, quando penso ou planejo me matar, quando não consigo demonstrar o quão importante elas são para mim, quando aparento indiferença, etc. Às vezes tenho vontade de passar o dia pedindo desculpas, por existir, por respirar, por chorar, por sentir tanta dor, por ser um desperdício em todos os aspectos, por ter um cérebro quebrado e uma alma tão vazia, por reclamar, por cair tantas vezes, por não conseguir aprender de forma alguma, por não ser capaz de superar o problema mais insignificante, por ser tão dependente, por ser tão infantil, por ser tão destrutiva, egoísta e má.

Me desculpem. Me cubro por trás de uma mascara de indiferença enquanto minha alma sangra, me desculpem. Minha mente me escorrega pelos dedos para um lugar bem longe, longe de toda essa dor, para outro universo, para um mundo alternativo onde eu não sou quem eu sou. Me desculpem.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O reflexo e a peneira



Não sinto parte disso, de coisa alguma. Eu odeio me olhar no espelho, me sinto gorda, me sinto feia, odeio meu corpo, quero imagrecer mais 4 quilos, digo para mim mesma como se isso fosse fazer diferença na forma como eu me vejo. Eu sei que não, mas não consigo deixar que querer isso. Quando algo incomoda, a gente sempre quer fazer algo para mudar, não importa o que seja, não importa muito se adianta ou não, o fato de se mexer dá a sensação de que aquilo pode mudar, pode melhorar. Então a gente faz algo, compulsivamente, em busca de uma solução, de um sinal, de uma pequena melhora que seja. Nada muda. É estranho viver com essa sensação, com essa preocupação e todos esses problemas que as pessoas normalmente não tem. Não parece, mas eu gasto uma energia e um tempo enorme lidando com meu inferno particular todos os dias e superando dificuldades idiotas que vivem aparecendo. Às vezes, quando estou muito nervosa, paro na frente de uma pia e começo a lavar minhas mãos contando até trinta, quando chega a trinta, se ainda naum tiver me acalmado, eu recomeço a contar. Às vezes, também quando estou nervosa, fico passando os dedos pelos meus braços em busca de algo que não esteja certo na minha pele (não sei explicar qual o sentido disso também, é uma mania que eu tenho a muito tempo). Mas isso são só pequenas manias, o pior mesmo é aprender a lidar com os sintomas. Como reagir se eu estiver vendo uma parede se mexer por exemplo? O que fazer caso eu sinta um impulso quase incontrolável de me machucar ou machucar alguém do meu lado? O que fazer quando entrar em pânico? O que fazer quando estiver tendo uma aluscinação sensorial? O que fazer quando acreditar estar sendo perseguida? Como reagir a dor angustiante no peito? O que fazer quando quiser me cortar? O que fazer quando perder a capacidade de sentir? O que fazer quando quiser me matar? Eu preciso pensar em tudo isso e muito mais, preciso estar preparada para lidar com essas situações para que eu fuja o minimo possível do controle e transpareça o mínimo possível para as pessoas a minha volta essa loucura toda.

É difícil e cansativo. Sinto que estou o tempo inteiro tentando tapar o problema com uma peneira. Tomo cada vez mais remédios para cada vez mais sintomas, resolvo um problema, me surge mais dois e assim vou indo, até que um dia não exista mais remédios para que eu o possa trocar ou aumentar a dose. Não gosto dessa sensação. Me sinto dentro de um túnel, não há outra saída se não a que se encontra logo a frente, é a única opção, e não me parece nada boa. Minha vida se torna literalmente liquida diante de meus olhos e a única coisa que eu posso fazer é sorrir, piscar e esperar que tudo volte ao normal, rezar para que tudo volte ao normal, implorar para que tudo volte ao normal. Implorar para quem? Rezar para quem? Deus morreu no meu universo há muito tempo atrás e mesmo assim eu continuo com essas manias de gente que acredita na existência de alguma salvação. Não há salvação para a humanindade, não há uma segunda chance, uma vida eterna, pelo amor de deus, se conformem com a realidade, eu que estou mais fora dela do que qualquer um desses religiosos e me conformo com a mesma muito mais do que eles. Estamos todos perdidos, é verdade, estamos todos fodidos, todos temos problemas, sérios problemas. Só que eu sou a azarada que calhou de ser a mais fodida, só um pequeno detalhe.

Um pequeno detalhe... Não gosto de me olhar no espelho e no entanto passo horas fazendo isso, notando cada pequeno defeito em meu corpo, me criticando duramente, chorando, sentindo voltade de bater a cabeça contra meu reflexo. Aquilo não sou eu, penso. Olá Monstro, penso comigo mesma. Meu Monstro não é de falar muito não, e quando fala, ele só fala comigo. Ele é muito seletivo, mas eu o entendo. Esse reflexo no espelho não sou eu, mas eu o entendo. É, eu entendo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vai ser sempre assim?



Eu só queria acreditar nessas palavras e em tantas outras que me dizem, mas simplesmente não dá. Às vezes tento ignorar o jeito como as pessoas olham para as cicatrizes em meus braços, tento não me importar, às vezes chego a quase a me divertir me perguntando quais hipóteses aquela pessoa está formulando para explicar um braço tão feio quanto o meu. Mas a verdade é que tudo isso dói. A verdade é que ser eu é um peso e uma dor constante. Mas tudo bem, eu digo para mim mesma, não posso fazer nada quanto a isso. O máximo que eu posso fazer para que eu me sinta melhor é tentar não dar importância a isso. Às vezes é pior, quando alguém pede para que eu vista uma blusa ou abaixe minha manga... Sinto como se tivessem vergonha de mim, do que eu sou, de tudo. Tenho vontade de ser invisível, de desaparecer para sempre e nunca mais ser motivo de olhares atravessados ou perguntas embaraçosas. Mas tudo bem, digo para mim mesma, vai ser sempre assim, o melhor que eu posso fazer é ir me acostumando. Já estou quase me acostumando, só às vezes que ainda dói como antes, mas aos poucos espero que isso deixe de ter importância.

Mas por mais que eu me acostume, por mais que o fato de ser quem sou deixe de ser motivo de dor e vergonha para mim. Eu nunca mais vou conseguir acreditar nessas palavras. Eu choro quando alguém diz que me acha normal porque eu sei que não é verdade e daria tudo no mundo para acreditar que é. Eu me olho no espelho e mal me reconheço, eu odeio meu corpo, odeio o que fiz comigo mesma (e continuo fazendo porque com certeza eu ainda vou me cortar de vez em quando, simplesmente porque um vício não desaparece de uma hora para outra). Eu nunca tive muita auto estima mas quanto mais o tempo passa mais negativo fica meu saldo para com ela. Vontade de chorar às vezes, terminar de me matar de uma vez por todas.

Há um tempo atrás, não muito tempo atrás, minha psicóloga disse que é normal meu tratamento ser tão instável quanto minha personalidade (é difícil eu me dar bem com algum remédio durante muito tempo, não demora muito para eles pararem de fazer efeito). Foi como se minhas últimas esperanças tivessem sido abortadas cruelmente. Desde então a mesma pergunta permanece ecoando em minha mente: "Vai ser sempre assim?". Vai ser sempre assim? Um sintoma surgindo atrás do outro, crises cada vez piores, perdendo uma habilidade atrás da outra e me tornando cada vez mais problemática? Não pode ser... Minha visão embaça e há muito tempo eu desisti de enxugar minhas lágrimas. Por que eu permaneço caminhando? Por que eu acordo de manhã? Por que eu me esforço tanto para continuar parecendo uma pessoa normal, ir para a faculdade, fingir que penso no futuro e sonho como todo mundo. Não consigo me ver trabalhando, não consigo me ver se quer terminando a faculdade. Não sei o que faço aqui. Me sinto um desperdício de espaço, de tempo, de dinheiro, de paciência. O que faço aqui?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O que é um relacionamento afinal?



Não sei o que você quer, o que você pensa, o que você escolheu, ou quais são seus planos confusos e líquidos. Eu permaneço aqui te observando, as vezes distante, as vezes próxima. E te esperando, todos os dias, como se minha vida não existisse mais sem a sua. Como se todo o tempo que eu passasse sem você fosse algo a parte ou um caminho necessário que eu infelizmente tenho que passar para chegar a minha vida "real" que é ao seu lado. E no entanto... Por mais que eu observe, por mais que eu pense e as vezes consiga chegar a uma possível resposta, você me confunde. Não sei o que eu realmente significo para você, não sei quais são seus sentimentos, e o que você pode fazer no próximo momento. É tudo confuso, instável. E quando eu penso que tudo vai bem, algo despenca não sei da onde e você não está feliz por algum motivo que eu não consigo descobrir, ou será que é só minha imaginação? Eu não sei. Algo me incomoda por pensar que você está incomodada, mas não consigo formular perguntas para coisas tão... irreais? Imperceptíveis? Pequenas? Não sei dizer. Assim não conversamos sobre esses pequenos momentos em que minha respiração para e meu coração dispara como se eu tivesse perdido algo vital para minha existência, assim, do nada.

Me sinto insegura constantemente, além do meu nervosismo previsível. Acho que não estou sendo boa o bastante, tenho certeza na verdade. Isso machuca. Você passa o tempo inteiro analisando seus comportamentos, suas roupas, seu corpo, o jeito que você fala, o que você demonstra, como demonstra, tudo, absolutamente tudo e tentando conciliar isso com seus sentimentos malucos, em uma dança impossível e sem ritmo. Não dá certo. Você faz promessas consigo mesma, para melhorar, sempre melhorar, fazer do outro o mais feliz possível. Mas e você? Você também tem necessidades que entram em conflito com o ideal que você criou de você mesmo e o que você acha que os outros querem de você. É uma guerra constante, perdida já antes de sequer existir. Você nunca vai conseguir, eu nunca vou conseguir. Sinto que falta algo, como sempre. Mas dessa vez não para mim, falta algo para você, certo? Algo que eu não tenho, que eu não posso te dar. É o que eu sinto quando você age dessa forma, quando fala desse jeito. Tem algo faltando, e a medida que o tempo passa você parece se tornar mais... amarga? Como se eu tivesse te roubado algo. Sua liberdade talvez? Sua pseudo-liberdade? Não sei. O jeito que você fala. Como se eu te devesse algo. Como se você estivesse o tempo inteiro me fazendo favores.

O que é um relacionamento afinal. Duas pessoas em um ringue, punhos em posição de luta, rodando sem nunca se acertarem, há tanto tempo que a luta se confunde com uma dança e ninguém mais lembra qual o motivo dessas duas pessoas estarem em tal situação. Elas simplesmente estão. Não existe vida além dessa, o que muda são as pessoas, que as vezes somem, as vezes trocam os lugares, só isso. Alguns lutam sozinhos também, mas sempre lutando. O que há de errado? Quando duas pessoas decidem entrar nessa, nenhuma delas está fazendo um favor, trata-se de algo natural. No entanto eu continuo sentindo que te devo algo. Ou que você pensa que eu te devo algo. Por que? Não consigo deixar de pensar que se fosse boa o bastante você não faria isso ou se sentiria dessa forma. Há algo de errado, não? Minha cabeça dói de tanto pensar e me preocupar com tudo isso. Deveria ser algo natural, deveria ser leve, mas não consigo. Me irrita e machuca o fato de não ter segurança nenhuma por sua parte, o fato de o que você fala hoje não ter validade nenhuma amanhã. Eu não sei mais o que fazer, você reclama, fala que eu preciso te dar segurança, estou tentando, mas você simplesmente não liga, você continua agindo como se eu não fizesse parte significativa da sua vida. De repente, aos meus olhos, está tudo tão errado.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sempre atrás daquele algo a mais que não existe



Seguir em frente é sempre complicado demais, se eu fechar os olhos muito provavelmente meus pés andariam para trás. Os dias correm como se tudo não passasse de uma realidade inventada pela minha cabeça maluca, estou aqui e não estou, esperando por uma época em que esse buraco negro aqui dentro deixe de existir, esperando por um sorriso que não se apague tão facilmente, esperando e esperando. As pessoas ficam felizes quando eu não me corto, quando minha mente recupera sua lógica e minhas conquistas se tornam cada vez maiores, eu, porém, não consigo me alegrar, muito menos me orgulhar de mim mesma. Há esse algo sempre faltando. Nenhuma alegria dura o suficiente, nada dura o suficiente, a não ser as coisas ruins, claro.

Me sinto cercada de finais e o esforço necessário para começar algo novo me desanima por completo. Ao mesmo tempo, não consigo para de jeito nenhum, são tantas coisas e tão pouca vontade. Tudo o que eu faço precisa ser o mais perfeito possível. Eu faço, eu faço tudo, tentando desesperadamente provar para mim mesma que eu valho a pena, que eu não estou perdida.

Eu estou sempre perdida, nada que eu faça consegue me convencer. Não passo de uma pilha de frustrações e decepções. Tudo o que eu faço, faço repetindo para mim mesma que não vou conseguir, que eu sou horrível e burra, e quando eu consigo, a indiferença logo toma conta de mim. E daí? Grande coisa... Qualquer um conseguiria. Você é uma inútil. Eu sou uma inútil, invisível, ninguém, tanto faz.

E tem as pessoas, por todo o lado, com seus sorrisos, bons dias e vontade de criar intrigas. Quase todas, uma hora ou outra, me cansam. Sinto que cada vez mais gosto da solidão, apesar da mesma me destruir. De qualquer jeito, o que sou eu se não uma autodestrução ambulante? Está tudo sempre tão errado que eu já imagino como sendo certo. E aqui estou eu falando besteiras o tempo inteiro, reclamando sem parar e me mexendo na velocidade de uma lesma. Talvez eu não me canse das pessoas, mas sim do peso que faço da minha relação com elas, minha dependência problemática, minha necessidade absurda de aceitação. Quem sabe.

domingo, 30 de outubro de 2011

Para que as larvas existem?


Era uma vez uma pequena larva, lerda e feia, que andava pelo mundo perdida e sem propósito. Para que as larvas existem? Ela perguntava para todos os que cruzavam seu caminho e ninguém sabia responder. Para que as larvas existem? Nenhuma resposta, só olhares desviados e afastar de corpos tamanha sua feiura. E dessa existência triste e solitária ela se cansava dia após dia. Para que as larvas existem? Ninguém sabia responder. Havia algo nas outras larvas que ela não conseguia entender e acompanhar, como se elas soubessem de algo que ela não soubesse, como se elas sim tivessem um propósito e não quisessem compartilhar com nossa pequena larva perdida. Tudo soava muito injusto.

Dizem que deus criou todas as criaturas, para a larvinha deus parecia um tanto quanto maldoso, ela não conseguia ver motivos para existir. Porque as coisas eram do jeito que eram? Porque ela tinha que ser tão feia e tão lerda? Para que ela existia? E havia os pássaros, famintos, rápidos e belos, tentando de todas as formas comer nossa larvinha. Tudo soava muito injusto. Os pássaros são tão bonitos, todo mundo ama pássaros, eles cantam e pulam daquele jeito bonitinho, eles voam lá no céu, vêem as paisagens mais bonitas, sentem o vendo passando por suas penas... Como deve ser bom ser um pássaro. Os pássaros existem para ser feliz. Para que as larvas existem? Para serem comidas pelos pássaros, é isso. Que existência triste. Elas são tão feias, tão lerdas e sem nenhuma qualidade. Tudo soava muito injusto.

Todos os dias a larva se cansava dessa existência sem sentido e dolorosa, até que em uma manhã ela decidiu não se mexer mais, esperar a morte talvez, deixar que os pássaros a comessem viva. E ficou lá parada, durante tanto tempo que nem se lembrava mais. Talvez eu já esteja morta, ela pensava consigo, talvez se eu abrir meus olhos agora eu vou estar no céu. Larvas vão para o céu? Talvez não... Só consigo imaginar criaturas bonitas no céu. De um jeito ou de outro nossa larva de repente se sentiu inquieta, abriu os olhos em meio a uma escuridão, tentou se mexer e viu que estava cercada por algo. Talvez eu esteja na barriga de um pássaro. Se mexeu com mais força e viu uma fenda se abrir no que quer que estivesse a sua volta, seus olhos se machucaram com a luz forte. Acho que realmente estou no céu. A larvinha alargou a fenda, saiu pela mesma e se sacudiu tentando exercitar seus músculos enferrujados depois de tanto tempo de desistência, foi quando ela percebeu algo errado. Ela agora tinha pernas! E mais do que isso, havia duas coisas grandes e desajeitadas nas suas costas, leves e frágeis. A larvinha as mexeu insegura. Eram asas! Eram asas! Ora, vejam só.

Nossa pequena larvinha saltou do galho que estava, feliz da vida, batendo suas novas asas e experimentando o vento pelo seu corpo, a beleza da altura, a sensação da velocidade. Eu descobri para que as larvas existem... As larvas existem para virarem borboletas. E foi em meio as piruetas no ar que o sorriso na nossa pequena borboleta voltou a se apagar. Para que as borboletas existem? Qual o sentido da beleza, das asas, da velocidade? Se não serem comidas por pássaros?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tentando ser racional


Eu me esforço de mais, me controlo de mais, sou paciente de mais, escuto de mais, calo de mais, faço de menos. Por isso e por tantos outros motivos eu tendo a viver sempre no limite. Culpe meu transtorno se quiser, borderline significa limítrofe, no limete, na fronteira. Mas culpar meu transtorno é a mesma coisa que me culpar, não dá para se separar uma coisa da outra. Me culpar é dizer que eu estou onde estou por fazer algo errado. Me culpar é pegar os pecados dos meus monstros (nesse caso não o monstro que há dentro de mim, mas os que andam pelo mundo) e atribui-los a mim.

E no entanto eu não deixo de ter culpa. Minha inanimação, meu pessimismo, minha incapacidade de acreditar em mim mesma me tornam quem eu sou, fragil, insegura, medrosa, o que contribui, querendo ou não, para eu permanecer sempre no mesmo lugar. Porém, eu sou quem sou, assim como todo mundo, pelas coisas que me aconteceram ao longo da vida, pensando dessa forma é fácil tirar a culpa das costas e se acomodar, mas eu não consigo fazer isso. Eu sei que sou culpada, eu sei que deveria ser melhor, que deveria ter mais força e melhorar sempre, porém, pensando dessa forma, eu entro no ciclo que faz com que eu exija de mais de mim mesma e quando eu não consigo o que eu penso que deveria conseguir, ou quando eu imagino que não estou sendo boa o bastante, eu me frustro. E dessa forma vou me frustrando e me exigindo cada vez mais, em um ciclo sem fim.

As pessoas a minha volta as vezes não colaboram também, mesmo que inconscientemente. Minha baixíssima autoestima faz com que eu tenha dificuldade de colocar minha opinião frente a um grupo, eu falo pouco e com o tempo as pessoas vão esquecendo de que eu tenho uma opinião e que eu tenho o direito de escolher o que eu acho que é melhor para mim mesma. Eu dou abertura para que elas sejam egoísta, e elas o são obviamente. Em brigas, as pessoas tentam sair com vantagens sobre as outras, eu, ao contrário, procuro sair com desvantagem para que os outros possam sair com vantagem e continuem a gostar de mim. E sempre parto o pressuposto de que o outro é superior a mim e a qualquer momento pode me abandonar. E existem poucas coisas no mundo que me assustam tanto quanto a possibilidade de ser abandonada. Eu faria (e faço) de tudo para não passar por isso.

É nesse contexto, onde cada vez menos as pessoas me escutam ou se preocupam com o que dizem para mim (já que eu não demonstro nunca opinião nenhuma, desconforto ou irritação para com as pessoas que eu me importo), onde eu exijo de mim mesma cada vez mais, onde eu me sinto usada como um cachorro pela grande maioria das pessoas, onde a culpa sempre paira sobre mim, onde todos sempre jogam seus problemas para cima de mim, de modo que não sobre tempo para eu resolver os meus... É nesso contexto em que eu chego ao meu limite. Em silêncio, discretamente, passionalmente... Eu vou chegando ao meu limite. Todos reclamam na minha orelha e eu em silêncio observo o mundo perder seus contornos e as coisas deixarem de fazer sentido... Ninguém percebe, ninguém parece se importar... Enquanto eles tiverem o que querem, um cachorrinho bonzinho, compreensivo e bom ouvinte, eles nunca vão reparar que tem algo terrivelmente errado.

É só a partir do momento em que eu paro de ouvir, em que eu perco essa capacidade e perco o controle sobre meus atos e falas... Que as pessoas percebem, que as pessoas se importam. Antes disso, antes delas pederem seus benefícios, ninguém se quer se questiona se o que está fazendo é certo ou errado, justo ou injusto, ninguém se quer pensa na possibilidade de parar 5 minutos para tentar entender a visão do outro, sem preconceito ou o que quer que seja, só... se colocar no lugar do outro lado da moeda, só isso. Ninguém faz isso.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Preciso de férias


Então eu acho que ela não me ama mais, assim, de repente, sem motivo nenhum. Então eu acho que sou feia, acho não, tenho certeza. Acho que estou gorda, que sou ridícula, que sou pequena de mais para ser levada a sério. Então, de repente, tudo está errado. Absolutamente tudo. Eu não vou conseguir, não vou chegar a lugar nenhum, todos vão me abandonar, eu não vou conseguir! Eu não vou conseguir e não vou conseguir.

Não vou conseguir seguir em frente, não vou conseguir passar na faculdade, não vou conseguir manter nenhum amigo, não vou conseguir manter meu namoro (que nem é namoro), não vou conseguir ser feliz, não vou conseguir superar nada, não vou conseguir manter minha mente no lugar, não vou conseguir. Eu entro no consultório do meu psiquiatra tremendo as vezes, eles vão me internar, eles vão me internar, eles vão me internar. Não sei o que falar, não sei como falar, não sei como parecer o mais normal possível. Não sei como falar meus problemas, não sei como contar para ele o quanto tudo está errado, não sei... Tenho medo. Quero ajuda, preciso de ajuda... E não quero. Estou cansada de tomar cada vez mais remédios... Dessa vez são as alucinações, da próxima o humor desproporcional, da próxima a angustia, da próxima a automutilação, da próxima o pânico, da próxima a intolerância e a agressividade, da próxima a síndrome de perseguição, da próxima a baixíssima autoestima, da próxima pensamentos acelerados e confusos, da próxima a ansiedade, da próxima, da próxima, da próxima. Tudo isso junto e misturado e eu a muito tempo eu perdi as rédeas da minha vida.

Vivo um dia atrás do outro e tomei para mim essa filosofia. Viva um dia depois do outro. Cada conquista para mim, que muitos considerariam idiota, é uma grande vitória. Eu não chorei quando ela foi embora! Eu consegui responder aquele comentário maldoso! Eu fiquei triste mas não me cortei! Eu estou conseguindo me concentrar! Eu estou a três dias sem chorar! Meu monstro está bem quietinho esses dias! Estou conseguindo me controlar!

Mas depois de um tempo... Essa filosofia cansa... Estou vivendo um dia atrás do outro porque? Por que eu acordo toda a manhã? Por que me esforço tanto? É difícil pensar nas respostas as vezes... As vezes eu me sinto tão sozinha. Do nada. É difícil pensar, me sinto terrivelmente tentada a deixar meu corpo cair nesse abismo para sempre... Eu estou tão cansada, estou sempre tão cansada... Não da faculdade, não disso ou daquilo, mas de viver... Viver dói e me da um trabalho do inferno.

Estou cansada de pedir desculpas, de pedir por mais uma chance, de implorar por mais uma chance... De correr... De tentar ser sempre o melhor possível.

Todas as outras pessoas podem ter o capricho de não darem sempre o melhor de si... Todas as outras pessoas podem acordar de mau humor... Podem ser chatas e grossas. Eu não. Eu não posso me dar ao luxo a essas coisas... Porque se eu ceder um instante que for é capaz de eu entrar em um circulo sem fim... As pessoas vão me abandonar. Eu tenho certeza que vão. Ninguém nunca vai ser louco de ficar ao lado de uma borderline que não luta todos os dias. Obviamente, é compreensivo. Eu entendo muito bem o porque não. Mas não posso deixar de me sentir cansada.

Eu quero ter a chance de não ser eu... Pelo menos por um dia. Eu quero férias de mim mesma.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Violência verbal


É verdade que a palavra tem a força para mover multidões, que a palavra anima, cativa e acaricia. Mas muito mais fácil do que usar a palavra para o bem, é usá-la para o mau. É muito fácil adicionar um toque de sarcasmo, criticar, desaprovar, humilhar, envergonhar, decepcionar, entristecer, provocar, aterrorizar, manipular, etc...

Uma palavra pode, dita em um certo momento, com um certo tom, pela pessoa certa ou não, destruir muito tranquilamente uma vida. Gestos de agressão são palavras que podem ser interpretadas ao bel prazer do agredido. Um soco pode ter milhões de significados e dependendo da pessoa que o recebeu, pode não significar tanto assim, porém... A palavra que agride poucas vezes pode ser interpretada de forma mais branda. Alguém que recebe um "eu te odeio", vai receber um "eu te odeio" e pronto. Alguém que recebe um soco pode receber desde um "eu te odeio" até um "sinto muito, perdi a paciência mas não vai se repetir".

É por isso que vemos casos de crianças que nunca apanharam, porém são muito mais amedrontadas, depressivas e sem autoestima, do que as que sofriam castigos físicos.

É comum vermos campanhas contra a agressão física, normalmente sofridas por mulheres e crianças, porém a agressão verbal, é quase sempre deixada de lado. Os xingamentos, humilhações e depreciações são sentidos mais fortemente pela mente, enquanto os socos são sentidos pelo corpo (e justamente por isso são bastante ineficazes para educar uma criança, aliás qualquer forma de agressão é ineficaz para se educar, por motivos que poderei citar em outro texto).

O problema central das agressões físicas, não é uma criança que faz uma coisa ruim e apanha uma vez ou outra, o problema é que pais agressivos costumam descontar sua raiva nos filhos ou em seus companheiros(as), portanto agressões sem motivos, frequentes e muito normalmente acompanhadas de agressões verbais se tornam comuns. Transformando o lar em um campo de batalha e destruindo vidas que ainda estavam começando a se formar.

Talvez a questão não seja tanto o poder das palavras ou dos socos e sim o poder das pessoas ao manipular essas armas, a responsabilidade imensa que repousa em suas mãos, responsabilidade essa frequentemente ignorada.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Me ame


Quietinha, sorriso grande que engana quem olha de fora, dissimulada, simpática, tímida, inteligente, observadora... Perfeita. Vida perfeita, notas prefeitas, família perfeita, mente perfeita, sorriso perfeito.

"As vezes eu me pergunto se você tem problemas... Parece que não, você sempre tem um sorriso para dá, você sempre escuta todo mundo, nunca reclama de nada, nunca vi você chorar, nunca vi nada... Deve ser bom ser você."

A garota olha para a amiga surpresa... Nossa, como eu sou uma boa mentirosa. Ela sorri, abaixa a cabeça, de repente sente vontade de chorar, mas ela engole todo e qualquer sentimento e sussurra baixinho, quase como se fizesse uma confissão, quase como se avisasse a amiga. "Você não ia querer ser eu... Minha vida não é tão boa assim.". Simples, claro, como se não tivesse dito nada de mais, o momento passa.

Ela tem que ser perfeita. Os professores a amam, é uma aluna exemplar, e quando não amam... Ela explode com uma raiva destrutiva e irracional. Tudo precisa ser perfeito, tudo, tudo... As pessoas precisam gostar dela... Mas pouquíssimas gostam, a verdade é que ela é nervosa e compulsiva, autoritária e chorona, burra, fechada, deprimida, agressiva... Não, não... Está longe de ser perfeita.

Ela não consegue, ela nunca vai conseguir. Ela tira notas muito altas, mas não consegue passar em um ditado básico, nem rir de piadas, nem entender sutilezas e acompanhar entrelinhas... Ela é um alvo facílimo de risos, é só contrariá-la, é só jogar água em sua mochila ou fazer qualquer coisa que fuja do normal, da sua "perfeição", ela surta, é engraçado, ela chora como um bebê, sem parar, como se fosse o fim do mundo (e é o fim do mundo mesmo, mas ninguém entende). Ela é engraçada, tão nervosa, tão tensa, se assusta fácil, abaixa a cabeça mais fácil ainda, se rende logo, se transforma em um animalzinho submisso na primeira ameaça. Olha, como é legal, puxar seu cabelo, levantar seu queixo e dizer o quanto ela é feia, falar sobre sexo e ver ela começar a tremer de medo, até mesmo só encostar nela, pra vê-la se retraindo e se desligar.

Mas ela é tão perfeita. Olha ela sorrindo de novo com o olhar distante, os adultos a amam, passam a mão em seu cabelo e dizem o quanto ela é boazinha... O que a faz querer ser cada vez mais boazinha, o que a faz querer cada vez mais fazer o que eles querem que ela faça.

Uma criança é capaz de tudo para se sentir amada.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Como você se vê, como você é.




Me sinto tão feia hoje, mas tão feia... Hoje me sinto como se fosse a pessoa mais feia da face da terra. Ninguém consegue nem ao menos olhar para mim, o que dirá gostar. Não, você não gosta de mim, é impossível alguém amar uma pessoa tão feia como eu.


Quando eu era pequena, e ainda hoje, eu odiava a história do Corcunda de Notre Dame... Simplesmente porque aquilo era impossível, alguém tão bonita quanto a cigana nunca iria gostar de um corcunda daquele jeito. É ridículo, a quem eles estão tentando enganar?


Eu sou tão feia... Não escutam o coro de vozes rindo de mim? Me chamando de tantos nomes depreciativos, me humilhando, me destruindo. Eu sou tão feia... Porque você está comigo? Por que? Como você consegue continuar bem ai, como sempre, quando eu sou o que eu sou, esse monstro, essa coisa grotesca, quebrada e defeituosa. Porque você está aqui?


Me sinto tão mau, tão mau... Tiraram minhas giletes, e agora estou com vontade de bater minha cabeça na parede até desmaiar. Eu me odeio tanto. Eu dou tanto trabalho, sou um peso tão grande. Queria tanto não precisar de ajuda... Mas eu preciso tanto. Preciso tanto que alguém me de a mão, que tire esse peso de mim, que abra meus olhos e arranque essa escuridão e feiura de dentro de mim. Eu preciso tanto.


Vocês falam, falam, falam... Mas eu não acredito, não consigo acreditar, as palavras as vezes são tão sem sentido para mim.


Você me chamou de criança... Disse que eu era uma criança fingindo ser adulta. Gostaria de dizer que não... Mas as vezes a única coisa que eu quero é deitar minha cabeça em seu ombro e esquecer de tudo.


Me sinto tão mau hoje.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Voltar no tempo




É comum ouvir as pessoas falando do passado com saudosismo, lamentando já ter vivido dias melhores, desejando a inocência e felicidade de criança. É muito comum quando se está sofrendo no presente, voltar para o passado e encontrar ali um lugar conchegante, uma lembraça reconfortante. É uma boa técnica de fuga utilizada pela maioria das pessoas. Mas e quando voltar no passado é muito mais doloroso do que a dor do presente? Quero dizer, há pessoas que não lembram do passado com saudosismo, então em um momento de frustração e dor, para onde elas vão fugir? Como vão achar boas lembranças em meio a tantas ruins? Como podem pensar positivamente? As coisas sempre foram tão ruins, como pode pensar que um dia pode melhorar?


As pessoas sortudas, com passados relativamente felizes (porque ninguém é inteiramente formado de lembranças boas), costumam pensar positivamente com mais facilidade. Afinal os dias já foram bons, porque não podem voltar a ser?


É gostoso ouvir os outros contando sobre seu passado... Pricipalmente aqueles que lembram de cara das melhores coisas, eles sorriem quando contam e voltam um pouco a ser mais criança. O saudosismo é uma coisa tão interessante para mim. É um dos poucos sentimentos que eu acho que nunca senti, ou quando senti foi logo bloqueado por uma sombra ou outra. Como podem? Pensar no passado dessa forma? Deve ser tão perfeito, fechar os olhos e ter a mente iluminada por boas lembranças... Sem dor, sem culpa, sem medo.


Dá para entender como conseguem lidar com a vida tão bem (por mais que as vezes não percebam), como conseguem sorrir, pensar positivamente e se levantar novos em folha a cada tombo. Faz sentido.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Odeio ser egoísta




A verdade é que você não acredita em mim, nem ao menos deve gostar de mim, é só seu trabalho... Que diferença faz eu morrer ou viver? Não sei porque eu confio em você... O maior problema da minha vida é que eu acabo confiando nas pessoas. Não sei porque ainda faço isso. Seria tão mais fácil se eu estivesse mentindo não é? Se tudo não passasse de algo que minha cabeça inventou. Minha vida inteira foi uma mentira, posso mentir agora se é isso que você quer, e dizer que está tudo bem, que minha vida sempre foi linda e maravilhosa, que eu faço terapia duas vezes por semana porque eu sou idiota, que eu tomo todos esses remédio porque eu sou idiota também. Posso dizer se você quiser que eu sou muito feliz, que eu me corto para chamar atenção, que eu choro baixinho para ninguém ouvir porque... sei lá, porque eu gosto da sensação das lágrimas escorrendo pelo meu rosto e o desespero lento de não saber o que fazer. É isso que você quer ouvir? Posso entrar sorrindo na sua sala e sair sorrindo, e você nunca mais vai ter acesso a esse buraco na minha alma, posso fazer você acreditar que está tudo bem quando não está, posso facilmente planejar minha morte enquanto faço você acreditar que eu estou melhorando. Mas eu decidi ser sincera. Decidi que não mentiria para você, decidi que deixaria você me ajudar.


Não sei porque fiz isso... As pessoas durante a minha vida inteira me enxergaram mais como monstro do que como vítima. A Sabrina é egoísta e nojenta, não confie nela, ela sorri e abaixa a cabeça, faz todo mundo acreditar que ela faria de tudo para ser amada, mas no fundo existe tanto ódio ali dentro. Você é um montro, você é um montro, você é um monstro. Porque você chora? Pensa que assim você vai conseguir fazer alguém ter pena de você? Não vai... Você pede por isso. Você merece isso. A Sabrina é tão feia, tão patética, é legal rir dela e ver como ela se encolhe contra a parede. É legal puxar seu cabelo, falar sobre sexo e obrigá-la a fazer coisas, o desespero de seus olhos da lugar a uma indiferença fria, ela parece não se importar, parece estar desligada, mas então, de repente, um fluxo de energia faz com que ela saia correndo, todo mundo ri, as vezes saem correndo atrás dela, as vezes a deixam em paz, para depois a pegarem de novo, outro dia, outra hora. E ela não desiste. Continua saindo de casa, continua tentando fazer amigos, continua tentando se agarrar desesperada a sua infância já a muito perdida. Aos 15 anos ainda quer brincar de esconde-esconde, de boneca, de bola... Tem medo dos garotos, quanto mais velhos, piores. Mas ela gosta deles, apesar de tudo, ela quer se encaixar, quer desesperadamente ser como eles, mas não consegue.


Ela é tão estranha... Ouviram ela chorando aquele dia? Parecia que ia morrer sufocada. Porque? Porque? Porque? É esquisito o jeito como ela continua indo nos mesmos lugares e encontrando com as mesmas pessoas... Tão auto-destrutiva. Porque ela faz isso? Parece pedir pela dor. Ninguém sabia que ela havia escolhido o inferno fora de casa ao invez do inferno dentro de casa. A verdade é que não existe lugar no mundo para ela. Onde quer que ela vá isso a persegue. Ela é tão estranha... Chora por nada, grita com todo mundo, não divide nada com ninguém, não confia em ninguém, não reage...


Você está bem? Estou. Mesmo? Sim. Não, nada está bem. Mas desde cedo eu aprendi a sorrir apesar de tudo, porque parecer bem é milhões de vezes mais importante do que realmente estar bem. O primeiro sorriso que um bebê dá é imitando um adulto que lhe sorrir... Então, se um adulto lhe sorrir mesmo estando fazendo a maior atrocidade do mundo, o bebê aprende a sorrir e continua sorrindo durante o resto da vida. Se tem uma coisa que eu aprendi muito bem a fazer ao longo da vida é sorrir. Hoje, quando as pessoas elogiam meu sorriso, eu me sinto a pessoa mais falsa da face da terra.


Não... Eu nunca estive bem. Mas quem acreditaria na garotinha egoísta, que briga com os amiguinhos, não divide nada e gosta de brincar sozinha? Criança adora inventar coisas, besteira, ela é exagerada, chora por nada. É só mais uma criança mimada.


As pessoas se tornam quem são pelas suas vivências ao longo da vida, mas algumas acreditam que o que aconteceu de ruim a elas era uma punição por elas serem quem são. Eu sou egoísta e má, por isso fazem isso comigo. Quando o certo é: fizeram isso comigo por isso sou "egoísta e má". Esse pensamento errado gera uma culpa sem tamanho nas vítimas, elas deixam de culpar seus agressores para culparem a si mesmas, muitas podem até desenvolver compaixão por quem as agride, como se essa pessoa estivesse fazendo isso para o próprio bem da vítima, para ensiná-la a ser uma pessoa melhor. Criá-se um relacionamento doentio entre a vítima e o agressor, onde quem agride não se sente culpado e quem é agredido toma a culpa para si. Por isso é tão difícil para uma vítima quebrar o silêncio do que acontece com ela, o sentimento de vergonha e culpa é tamanho que prefere-se manter as coisas como estão. Quando essa pessoa sente-se encorajada o suficiente para se abrir é importante que ela seja ouvida, mas muitas vezes o que ela diz é tão inimaginável e cruel que se pergunta se aquilo realmente aconteceu, a própria vítima se pergunta isso. Como pode acontecer? Como? Como alguém é capaz disso?


As memórias são confusas e doloridas e não sei se eu quero revivê-las. Mas como eu disse, se você preferir, se para você assim for mais fácil. Eu digo que nunca aconteceu nada, que eu sou feliz, que está tudo bem, talvez assim as pessoas a minha volta possam se sentir melhor. Seria mais fácil, não é? Odeio dar problemas para as outras pessoas, odeio ser um peso, odeio ser egoísta. Eu realmente deveria calar a boca, me manter sempre fechada aqui no meu mundinho, assim eu não dou trabalho nem nada. Odeio ser egoísta, odeio.

domingo, 29 de maio de 2011

Autoestima.




Ela é linda, mas se acha feia. Tem um olhar tão profundo, um naris e uma boca tão delicados, uma pele clarinha e um jeitinho feminino, linda. Que chora de noite pensando que ninguém nunca vai amá-la, que ninguém a deseja, que ninguém nunca vai abraçá-la do jeito que ela quer e precisa. Linda, que sofre com pequenas críticas, perfeccionista, facilmente irritável.


Tão linda... Que se encanta tão fácil, que se emociona, que sente seu coração batendo calorosamente em seu peito por cada pequeno gesto de carinho que recebe. Tão linda e tão preocupada, tão ansiosa para ajudar, para viver, para amar.


Tão linda e perfeita. Perfeita não por ser perfeita, mas por ser exatamente quem é, assim, sem por nem tirar nada. Absolutamente linda.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Eu sou gay


Quem tava ligado esses dias no twitter viu a nova campanha que tá rolando poraí, chamada #eusougay (estava no topo dos TT's ontem mesmo). Essa iniciativa foi tomada em homenagem a adolescente morta em Goiás em um crime de homofobia praticado pelos familiares de sua namorada. O objetivo é incentivar as pessoas a mostrarem sem medo quem são, além de aumentar a visibilidade da comunidade GLBTT. Quem quiser participar basta postar qualquer coisa apoiando a campanha com o hashtag #eusougay. Também estão pedindo para quem quiser mandar fotos segurando um cartaz, papel, tanto faz, escrito "eu sou gay", vão produzir um video depois com essas imagens para a campanha. Mandem para projetoeusougay@gmail.com

Vale ressaltar que todos podem participar, sendo ou não gay. Essa não é só uma campanha do tipo "saia do armário" e sim uma campanha contra a homofobia, a vergonha e medo que qualquer pessoa pode sofrer. Sejamos gays, heteros, homens, mulheres, negros, brancos, baixos, altos, magros, gordos, juntos! É isso ai gente. Levantem a cabeça, vamos ser quem somos sem medo!

Vai ai o site oficial do projeto, para quem se interessou recomendo muito ler http://projetoeusougay.wordpress.com/

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um certo olhar


Ele é um garoto incrível, ele sorri e brinca com todo mundo, é inteligente, divertido e carinhoso... Mas ele não olha em seus olhos tão facilmente. Ele sorri, mas seu olhar é tão triste.

O que fizeram com você?

Que monstros te perseguem? Que pessoas horríveis tiraram o brilho do seus olhos? Será que você também chora de noite? Será que você tem medo de ficar sozinho como eu? Será que você me entende? Será que eu também te entendo?

Sabe, eu não acredito que choro nenhum do mundo consiga expressar a dor por trás desse seu olhar, essa sua alma escura... Me pergunto se quem olha para mim consegue enxergar minha dor também... Alias se alguém vê algo a mais do que só as marcas em meu corpo.

Cicatrizes... Isso não quer dizer nada, tenho vontade de dizer. O pior de cada um de nós não está visível aos olhos nem pode ser descrito em palavras (por mais que eu tente). Não... O pior de nós, nossa ferida mais profunda e os choros mais desesperados... Tudo isso está enterrado dentro de nós. Para sempre.

O que fizeram com você?

É uma pergunta assustadora né? Uma daquelas que não precisam ser respondidas. Uma daquelas que carregam o peso do mundo. Não está tudo bem, eu sei que não. Mas sabe... Vamos esquecer um pouco isso. Vem, vamos procurar razões para viver, vamos nos agarrar a elas, vamos tentar tornar esses seus olhos um pouco menos tristes. Você não faz idéia do quanto é incrível. Posso caminhar ao seu lado?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Um sentimento muito conhecido - Não quero ir para casa


Estou tão cansada... Quando volto para casa parece que um peso enorme cai sobre minhas costas, agora mesmo sinto vontade de chorar e nem sei porque. A pouco tempo eu estava feliz... Mas essa felicidade vai desaparecendo a medida que me afasto da escola, até que não me sobre mais nada, até que fique quase impossível levantar a cabeça para qualquer coisa.

Odeio isso aqui... Essa parte da minha vida ou seja lá o que for...

Quero tanto ficar dentro daquelas sala de aula para sempre... Lá eu sou feliz, aprendendo coisas interessantes e mantendo minha cabeça ocupada. Aqui não... Aqui tudo cinza, feio, pesado... E tem algo mais que me destrói e eu não sei o que é, algo que consome minha alma, minha vida, tudo. Talvez seja só eu mesma. Eu não sei.

Só sei que não importa quantos comprimidos eu tome minha cabeça continua pesada e doendo. eu odeio todo mundo a minha volta, tão tranquilamente normais e indiferentes. Como conseguem??

"Me deixe em paz..." Eu quero dizer, implorar. Mas eu não sei para quem... Alguém tire essa coisa de dentro de mim por favor. Está me matando...

Estou tão cansada.

Acho que não vou conseguir sabe. Não sei mais o que fazer.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Deixe brilhar! - Feliz Ano Novo


Fim de ano, planos e promeças sendo feitas, expectativas e esperanças... Eu poderia desejar que tudo o que vocês estivessem planejando se realizasse, mas eu acho que isso não é o mais importante. É bom as vezes que as coisas saiam um pouco de nosso controle e tomem caminhos totalmente novos e inesperados, é bom deixar a vida nos surpreender e ir vivendo assim... Sem cobrar muito ou esperar de mais, só ir vivendo cada momento como se fosse único, porque é (coisa de chavão mesmo, sabe?). Vou desejar a vocês que antes de qualquer coisa, qualquer presente, dinheiro ou seja lá o que vocês estejam planejando, que vocês se amem e se orgulhem de ser quem são. E que se ainda não conseguirem se orgulhar, ao menos começem se aceitando, admitindo para si mesmos quem são. E depois... Eu desejo que você tenha a coragem de encarar o mundo sendo quem é. Eu desejo que quando alguém vier te repreender ou dizer que você não pode ser assim, que você mantenha a cabeça erguida e se recuse a aceitar aquelas palavras.
Desejo nesse ano novo que vocês se percam um pouquinho, porque essa é a única forma de se encontrarem. Desejo que vocês caiam sim se não houver escolha, mas que vocês se levantem mais fortes (mais fortes, não mais insensíveis, há uma grande diferença ai). Desejo que não importa sua dificuldade ou sua luta pessoal, que você tenha ao menos uma pessoa que te abraçe quando você precisar, nem se essa pessoa for... sei lá, sua bisavó surda. Desejo que você não deixe o vazio em seu peito tomar conta de seu ser. Desejo que quando você estiver confuso e não souber o que fazer, quando a dor for insuportável de mais, que você possa chorar o quanto for preciso, mas depois que você levante os olhos para o céu, respire fundo e pense, pense com calma e paz, a saída está bem diante de seus olhos, é simples, você vai ver.
Desejo que você ai quietinho em seu canto, olhando sempre pra baixo e pensando que não vale nada... Que você saiba que é especial sim. Desejo que você deixe brilhar, que você mostre quem você é e surpreenda as pessoas a sua volta! Feliz Ano Novo!
Ps: A imagem é do clipe Firework da Katy Perry, em homenagem ao projeto "It gets better" da pixar, que eu comentei a um tempo atrás, super recomendo: http://www.youtube.com/watch?v=QGJuMBdaqIw&feature=recentf