domingo, 28 de julho de 2013
É o jeito de se ver as coisas
As coisas mudam um pouco quando você escuta um doente mental gritando por sua vida. Eu quero viver, eu quero viver, por favor, me deixe viver. Acho que as coisas mudam quando você escuta qualquer pessoa implorando por isso. Faz você se sentir meio idiota por desejar tanto a morte, faz você querer trocar de lugar com aquela pessoa, faz você se sentir culpado por ter tanta sorte... que se torna azar. E o que nós podemos fazer? Sinto vontade de estender meus braços e dizer: Me prendam no lugar dele, me amarrem nessa maldita maca mas deixem ele em paz, me apliquem todas essas injeções, sintam raiva de mim, não dele... Não aguento ouvir esse choro, esses gritos, não aguento. Levo minhas mãos aos meus ouvidos e grito junto, tenho que gritar junto se não vou acabar enlouquecendo do mesmo jeito. E eu não quero enlouquecer, não quero perder o controle de novo, não quero levar mais 10, 20, 60 pontos nos meus braços, não quero... Não quero que as pessoas me olhem com pena, não quero que passem a mão na minha cabeça e me chamem de menina, criança. Eles não entendem, eu sou um monstro, escondido atrás desse rostinho redondo, eu sou um monstro e ninguém vê. Só eu consigo enxergar o monstro horrível que mora dentro de mim. Como eu posso amar a mim mesma com uma coisa dessas aqui dentro? É impossível.
Mas as pessoas insistem. Ame a si mesmo, antes do que qualquer coisa, ame o que você é, ame até a sua doença, porque ela faz parte de você. Eu não consigo, a cada minuto que me esforço tentando ver algo de positivo dentro de mim, eu escuto a risada do meu Monstro dentro da minha mente. Você é isso, você é aquilo, ele me aponta seu dedo nojento. E eu concordo com ele. Eu sou patética. Quero chorar toda vez que me olho no espelho e toda vez que me olho no espelho, procuro no reflexo dos meus olhos o monstro que vive dentro de mim. Às vezes eu vejo, às vezes não. Ele é de lua, só aparecer quando quer, nos piores momentos. Tem um ótimo time, um ótimo senso de humor macabro e sádico. Esses dias internada pela terceira vez na clínica foram os piores. Fazia tempo que eu não me sentia tão sozinha, fazia tempo que eu não chorava tanto e tão descontroladamente, fazia tempo que um amigo meu não me traia tão descaradamente. Fazia tempo. O mundo desabou. Ninguém percebeu mas para mim o mundo acabou.
E no fim continua existindo. Eu continuo existindo, meu monstro continua existindo. E eu sei, ah eu sei, que essa não foi a última vez que eu vou chorar e sangrar por alguém. Você, traidora, não é a única, infelizmente ou felizmente, não sei de mais nada.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Um pouco tarde demais
Você está gorda, gorda demais. Você gosta de ser feia assim? Se você continuar gorda desse jeito nenhum moço vai querer casar com você. Você vai ficar sozinha para sempre que nem a fulana, é isso que você quer? Por que você não emagrece? Você está ridícula. Nossa! Que gorda. Gorda, gorda, gorda, gorda. Fecho os olhos tentando segurar as lágrimas, posso ouvir meu irmão rindo de mim, me perseguindo pela casa me chamando de gorda, posso ouvir as críticas de minha avó, posso ver seu olhar de desprezo, posso sentir as outras crianças puxando meu cabelo, me empurrando, rindo de mim. Deus, por que você me fez tão feia? Por que eu sou assim? Por que as coisas precisam ser assim? Fecho os olhos com força e tampo meus ouvidos tentando abafar as risadas ecoando em minha mente. Deus, eu me odeio tanto, tanto. Eu só queria morrer à vezes, fazer a dor parar. Deus, por que eu existo? Qual o objetivo dessa tortura toda? Eu me odeio tanto, tanto, tanto. Meu peito dói, minhas mãos tremem e eu sinto que meu mundo está despedaçando de novo, por favor, alguém me ajude, por favor, por favor, por favor. Tento não voltar para o passado mas é inútil, estou constantemente voltando aos meus 5 anos, 8, 10, 15 anos.
Pisco meus olhos com força tentando me concentrar na partitura em minha frente enquanto meus dedos erram pelo piano. Sinto o olhar acusador e exigente de minha avó em minhas costas. Tenho uns 13 anos nessa lembrança se não me engano, e uma grande dificuldade para me concentrar naquilo diante de meus olhos. Minha professora sempre sorri para mim e fala o quão inteligente eu sou, diz que eu tenho talento, que aprendo muito rápido... Mas ali, diante daqueles olhos, eu pareço uma retardada tentando tocar. Não consigo, não consigo, e a cada erro, menos eu consigo me concentrar e mais eu acabo errando. Minha avó suspira decepcionada interrompendo minha música, se é que aquilo podia se chamar música. Ela diz que eu sou horrível, que eu nunca vou ser como minha mãe, que eu nunca vou conseguir me tornar uma organista (como chamamos a pessoa que toca o órgão na minha igreja). Até essa idade eu sonhava em ser organista, depois desse dia não mais. Depois desse dia, tocar piano na presença de qualquer pessoa se tornou cada vez mais difícil. Minhas mãos não obedeciam mais meus comandos, não acompanhavam meus olhos, não seguiam a melodia. Eu nunca vou ser tão boa quanto minha mãe, eu nunca vou aprender a tocar direito, eu nunca vou ser boa o bastante. Soco as teclas do piano com raiva e frustração, nada o que eu faço é bom o bastante, nada é bom o bastante. Eu só queria que alguém se orgulhasse de mim, se orgulhasse do que eu faço.
Tenho 12, corro pelo apartamento tentando chegar a meu quarto antes que meu irmão me alcance, preciso me trancar ali dentro, preciso me proteger, ele vai me machucar, ele vai me machucar. Entro em meu quarto e tento fechar a porta atrás de mim, mas ele consegue impedir que eu a tranque colocando seu pé entre o vão. Ele ri, aquele riso maníaco ao ver meu desespero enquanto eu tento empurrar seu pé para fora do meu cubículo, estou tão assustada, tão assustada. Ele me xinga de gorda e feia, diz coisas horríveis. Se ele entrar eu sei que vai me encurralar e me bater só para me ver encolhida em um canto, só para me ver chorar. Por fim, depois de muito esforço, consigo empurrar seu pé e passar a chave rapidamente em minha porta. Meu irmão começa a socá-la, rindo mais alto ainda. Seu riso até hoje ecoa aqui dentro. O que eu fiz de errado para merecer isso? O que eu fiz de errado?
Tenho entre 8 e 10 anos de idade, as crianças mais velhas me cercam e me machucam, fazem coisas que não deveriam fazer. Quando finalmente me libertam eu saio correndo e chorando, por fim, percebendo que havia algo de errado em tudo o que eu passava, que aquilo não tinha como ser certo, tinha? Pela primeira vez chego chorando desesperadamente em casa. Minha mãe solta um simples "ignore" quando digo que as outras crianças riem de mim. Nunca mais contei nada que sofri para ela. Ignorar? Ignorar? Você ignora um joelho ralado, não uma alma sob tortura diariamente.
Me olho no espelho. Meu corpo é feio, meu rosto é feio, meus olhos fundos e cansados, em meus braços e pernas centenas de cicatrizes. Eu fui sozinha por muito tempo, ninguém nunca levou a sério meu sofrimento até que eu chegasse em meu limite, ninguém se preocupou comigo, com o que eu pudesse estar passando por, ninguém enxugou minhas lágrimas, ninguém me explicou que o que eu passava não era normal e que eu tinha o direito sim de ser feliz e respeitada como todo mundo, ninguém passou a mão em minha cabeça ou me abraçou quando eu mais precisei, ninguém ouviu o que eu tinha a dizer, ninguém imaginou que a dor que eu tinha aqui dentro era tão grande e profunda que se tornou incurável, irreversível, fatal. Em minha mente as pessoas continuam rindo de mim, continua me empurrando, me diminuindo, me abusando. É uma tortura constante. Onde estavam as pessoas que deveriam me proteger? As pessoas que deveriam estender a mão em minha direção e me ajudar a levantar? Onde elas estavam?
domingo, 27 de maio de 2012
Sorry for the mess
Minha cabeça dói. Passei o final de semana inteiro dormindo de cansaço e no entanto agora mal consigo escrever de tanto sono. Eu gostaria que o mundo caminhasse um pouco mais devagar, que o dia tivesse umas dez horas a mais e que eu pudesse dormir o quanto eu quisesse. Tenho vontade de me trancar em meu quarto por dias, meses, anos. Todo movimento requer um esforço sobre-humano. Não, no momento não quero resolver meus problemas. Não, não quero me esforçar agora. Estou cansada, me deixe dormir, só mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Sinto vontade de chorar e não consigo encontrar um motivo. Me sinto vazia, me sinto sozinha, terrivelmente sozinha. Queria conseguir conversar, com qualquer um, sobre qualquer coisa que me incomoda aqui dentro, mas eu não converso com ninguém. Não sei falar, não consigo falar. Então esse bolo fica preso aqui dentro, tornando minha respiração pesada e difícil. Não consigo, não consigo. Quero me encolher em um canto escuro e chorar, quero me cortar, quero sair correndo para bem longe. Vai ser sempre assim? Eu deveria me contentar com minhas pequenas conquistas, deveria olhar positivamente para minhas insignificantes vitórias, mas não consigo, desculpa, não consigo. Tenho tanto medo do futuro, do que vai ser de mim, de onde eu vou estar daqui a um ano ou dois. Sofrer adiantado se tornou uma obsessão para mim, admito. Mas o que posso fazer? Não consigo controlar meus pensamentos, minha forma de ver o mundo, quem eu sou. Não adianta eu repetir para mim mesma que vai ficar tudo bem, que eu estou bem, algo grita desesperadamente aqui dentro, grita que nada está bem, que coisa alguma vai ficar bem. Não posso ignorar essa voz, esse desespero.
Eu preciso de ajuda, eu preciso desesperadamente de ajuda. E eu a tenho! O tempo todo, minha psicóloga, meu psiquiatra, meus remédios, tudo o que me ensinam, tudo o que me falam... E no entanto eu continuo precisando de ajuda. É como se eu fosse um buraco negro, sugando a atenção e ajuda de todos a minha volta o tempo todo, sugando toda a luz, toda a esperança, toda a felicidade. Constantemente. Minha psicóloga disse para eu abolir a palavra "monstro" do meu vocabulário para tentar destruir essa "personalidade alternativa" que eu criei dentro de mim por covardia... Ela fala que não existe monstro, que eu não sou um monstro. Mas é difícil acreditar nisso vivendo em minha pele. A única coisa que eu ofereço para as pessoas a minha volta é trabalho, um muro inquebrável, tristeza, mais trabalho, às vezes irritabilidade, impulsividade destrutiva, indiferença, desapego, dependência, desconfiança, medo. Não sei oferecer mais nada. Como posso deixar de me enxergar como um monstro? Eu machuco as pessoas, quando não confio, quando não consigo conversar, quando me corto, quando penso ou planejo me matar, quando não consigo demonstrar o quão importante elas são para mim, quando aparento indiferença, etc. Às vezes tenho vontade de passar o dia pedindo desculpas, por existir, por respirar, por chorar, por sentir tanta dor, por ser um desperdício em todos os aspectos, por ter um cérebro quebrado e uma alma tão vazia, por reclamar, por cair tantas vezes, por não conseguir aprender de forma alguma, por não ser capaz de superar o problema mais insignificante, por ser tão dependente, por ser tão infantil, por ser tão destrutiva, egoísta e má.
Me desculpem. Me cubro por trás de uma mascara de indiferença enquanto minha alma sangra, me desculpem. Minha mente me escorrega pelos dedos para um lugar bem longe, longe de toda essa dor, para outro universo, para um mundo alternativo onde eu não sou quem eu sou. Me desculpem.
terça-feira, 8 de maio de 2012
O reflexo e a peneira
Não sinto parte disso, de coisa alguma. Eu odeio me olhar no espelho, me sinto gorda, me sinto feia, odeio meu corpo, quero imagrecer mais 4 quilos, digo para mim mesma como se isso fosse fazer diferença na forma como eu me vejo. Eu sei que não, mas não consigo deixar que querer isso. Quando algo incomoda, a gente sempre quer fazer algo para mudar, não importa o que seja, não importa muito se adianta ou não, o fato de se mexer dá a sensação de que aquilo pode mudar, pode melhorar. Então a gente faz algo, compulsivamente, em busca de uma solução, de um sinal, de uma pequena melhora que seja. Nada muda. É estranho viver com essa sensação, com essa preocupação e todos esses problemas que as pessoas normalmente não tem. Não parece, mas eu gasto uma energia e um tempo enorme lidando com meu inferno particular todos os dias e superando dificuldades idiotas que vivem aparecendo. Às vezes, quando estou muito nervosa, paro na frente de uma pia e começo a lavar minhas mãos contando até trinta, quando chega a trinta, se ainda naum tiver me acalmado, eu recomeço a contar. Às vezes, também quando estou nervosa, fico passando os dedos pelos meus braços em busca de algo que não esteja certo na minha pele (não sei explicar qual o sentido disso também, é uma mania que eu tenho a muito tempo). Mas isso são só pequenas manias, o pior mesmo é aprender a lidar com os sintomas. Como reagir se eu estiver vendo uma parede se mexer por exemplo? O que fazer caso eu sinta um impulso quase incontrolável de me machucar ou machucar alguém do meu lado? O que fazer quando entrar em pânico? O que fazer quando estiver tendo uma aluscinação sensorial? O que fazer quando acreditar estar sendo perseguida? Como reagir a dor angustiante no peito? O que fazer quando quiser me cortar? O que fazer quando perder a capacidade de sentir? O que fazer quando quiser me matar? Eu preciso pensar em tudo isso e muito mais, preciso estar preparada para lidar com essas situações para que eu fuja o minimo possível do controle e transpareça o mínimo possível para as pessoas a minha volta essa loucura toda.
É difícil e cansativo. Sinto que estou o tempo inteiro tentando tapar o problema com uma peneira. Tomo cada vez mais remédios para cada vez mais sintomas, resolvo um problema, me surge mais dois e assim vou indo, até que um dia não exista mais remédios para que eu o possa trocar ou aumentar a dose. Não gosto dessa sensação. Me sinto dentro de um túnel, não há outra saída se não a que se encontra logo a frente, é a única opção, e não me parece nada boa. Minha vida se torna literalmente liquida diante de meus olhos e a única coisa que eu posso fazer é sorrir, piscar e esperar que tudo volte ao normal, rezar para que tudo volte ao normal, implorar para que tudo volte ao normal. Implorar para quem? Rezar para quem? Deus morreu no meu universo há muito tempo atrás e mesmo assim eu continuo com essas manias de gente que acredita na existência de alguma salvação. Não há salvação para a humanindade, não há uma segunda chance, uma vida eterna, pelo amor de deus, se conformem com a realidade, eu que estou mais fora dela do que qualquer um desses religiosos e me conformo com a mesma muito mais do que eles. Estamos todos perdidos, é verdade, estamos todos fodidos, todos temos problemas, sérios problemas. Só que eu sou a azarada que calhou de ser a mais fodida, só um pequeno detalhe.
Um pequeno detalhe... Não gosto de me olhar no espelho e no entanto passo horas fazendo isso, notando cada pequeno defeito em meu corpo, me criticando duramente, chorando, sentindo voltade de bater a cabeça contra meu reflexo. Aquilo não sou eu, penso. Olá Monstro, penso comigo mesma. Meu Monstro não é de falar muito não, e quando fala, ele só fala comigo. Ele é muito seletivo, mas eu o entendo. Esse reflexo no espelho não sou eu, mas eu o entendo. É, eu entendo.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Vai ser sempre assim?
Eu só queria acreditar nessas palavras e em tantas outras que me dizem, mas simplesmente não dá. Às vezes tento ignorar o jeito como as pessoas olham para as cicatrizes em meus braços, tento não me importar, às vezes chego a quase a me divertir me perguntando quais hipóteses aquela pessoa está formulando para explicar um braço tão feio quanto o meu. Mas a verdade é que tudo isso dói. A verdade é que ser eu é um peso e uma dor constante. Mas tudo bem, eu digo para mim mesma, não posso fazer nada quanto a isso. O máximo que eu posso fazer para que eu me sinta melhor é tentar não dar importância a isso. Às vezes é pior, quando alguém pede para que eu vista uma blusa ou abaixe minha manga... Sinto como se tivessem vergonha de mim, do que eu sou, de tudo. Tenho vontade de ser invisível, de desaparecer para sempre e nunca mais ser motivo de olhares atravessados ou perguntas embaraçosas. Mas tudo bem, digo para mim mesma, vai ser sempre assim, o melhor que eu posso fazer é ir me acostumando. Já estou quase me acostumando, só às vezes que ainda dói como antes, mas aos poucos espero que isso deixe de ter importância.
Mas por mais que eu me acostume, por mais que o fato de ser quem sou deixe de ser motivo de dor e vergonha para mim. Eu nunca mais vou conseguir acreditar nessas palavras. Eu choro quando alguém diz que me acha normal porque eu sei que não é verdade e daria tudo no mundo para acreditar que é. Eu me olho no espelho e mal me reconheço, eu odeio meu corpo, odeio o que fiz comigo mesma (e continuo fazendo porque com certeza eu ainda vou me cortar de vez em quando, simplesmente porque um vício não desaparece de uma hora para outra). Eu nunca tive muita auto estima mas quanto mais o tempo passa mais negativo fica meu saldo para com ela. Vontade de chorar às vezes, terminar de me matar de uma vez por todas.
Há um tempo atrás, não muito tempo atrás, minha psicóloga disse que é normal meu tratamento ser tão instável quanto minha personalidade (é difícil eu me dar bem com algum remédio durante muito tempo, não demora muito para eles pararem de fazer efeito). Foi como se minhas últimas esperanças tivessem sido abortadas cruelmente. Desde então a mesma pergunta permanece ecoando em minha mente: "Vai ser sempre assim?". Vai ser sempre assim? Um sintoma surgindo atrás do outro, crises cada vez piores, perdendo uma habilidade atrás da outra e me tornando cada vez mais problemática? Não pode ser... Minha visão embaça e há muito tempo eu desisti de enxugar minhas lágrimas. Por que eu permaneço caminhando? Por que eu acordo de manhã? Por que eu me esforço tanto para continuar parecendo uma pessoa normal, ir para a faculdade, fingir que penso no futuro e sonho como todo mundo. Não consigo me ver trabalhando, não consigo me ver se quer terminando a faculdade. Não sei o que faço aqui. Me sinto um desperdício de espaço, de tempo, de dinheiro, de paciência. O que faço aqui?
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O que é um relacionamento afinal?
Não sei o que você quer, o que você pensa, o que você escolheu, ou quais são seus planos confusos e líquidos. Eu permaneço aqui te observando, as vezes distante, as vezes próxima. E te esperando, todos os dias, como se minha vida não existisse mais sem a sua. Como se todo o tempo que eu passasse sem você fosse algo a parte ou um caminho necessário que eu infelizmente tenho que passar para chegar a minha vida "real" que é ao seu lado. E no entanto... Por mais que eu observe, por mais que eu pense e as vezes consiga chegar a uma possível resposta, você me confunde. Não sei o que eu realmente significo para você, não sei quais são seus sentimentos, e o que você pode fazer no próximo momento. É tudo confuso, instável. E quando eu penso que tudo vai bem, algo despenca não sei da onde e você não está feliz por algum motivo que eu não consigo descobrir, ou será que é só minha imaginação? Eu não sei. Algo me incomoda por pensar que você está incomodada, mas não consigo formular perguntas para coisas tão... irreais? Imperceptíveis? Pequenas? Não sei dizer. Assim não conversamos sobre esses pequenos momentos em que minha respiração para e meu coração dispara como se eu tivesse perdido algo vital para minha existência, assim, do nada.
Me sinto insegura constantemente, além do meu nervosismo previsível. Acho que não estou sendo boa o bastante, tenho certeza na verdade. Isso machuca. Você passa o tempo inteiro analisando seus comportamentos, suas roupas, seu corpo, o jeito que você fala, o que você demonstra, como demonstra, tudo, absolutamente tudo e tentando conciliar isso com seus sentimentos malucos, em uma dança impossível e sem ritmo. Não dá certo. Você faz promessas consigo mesma, para melhorar, sempre melhorar, fazer do outro o mais feliz possível. Mas e você? Você também tem necessidades que entram em conflito com o ideal que você criou de você mesmo e o que você acha que os outros querem de você. É uma guerra constante, perdida já antes de sequer existir. Você nunca vai conseguir, eu nunca vou conseguir. Sinto que falta algo, como sempre. Mas dessa vez não para mim, falta algo para você, certo? Algo que eu não tenho, que eu não posso te dar. É o que eu sinto quando você age dessa forma, quando fala desse jeito. Tem algo faltando, e a medida que o tempo passa você parece se tornar mais... amarga? Como se eu tivesse te roubado algo. Sua liberdade talvez? Sua pseudo-liberdade? Não sei. O jeito que você fala. Como se eu te devesse algo. Como se você estivesse o tempo inteiro me fazendo favores.
O que é um relacionamento afinal. Duas pessoas em um ringue, punhos em posição de luta, rodando sem nunca se acertarem, há tanto tempo que a luta se confunde com uma dança e ninguém mais lembra qual o motivo dessas duas pessoas estarem em tal situação. Elas simplesmente estão. Não existe vida além dessa, o que muda são as pessoas, que as vezes somem, as vezes trocam os lugares, só isso. Alguns lutam sozinhos também, mas sempre lutando. O que há de errado? Quando duas pessoas decidem entrar nessa, nenhuma delas está fazendo um favor, trata-se de algo natural. No entanto eu continuo sentindo que te devo algo. Ou que você pensa que eu te devo algo. Por que? Não consigo deixar de pensar que se fosse boa o bastante você não faria isso ou se sentiria dessa forma. Há algo de errado, não? Minha cabeça dói de tanto pensar e me preocupar com tudo isso. Deveria ser algo natural, deveria ser leve, mas não consigo. Me irrita e machuca o fato de não ter segurança nenhuma por sua parte, o fato de o que você fala hoje não ter validade nenhuma amanhã. Eu não sei mais o que fazer, você reclama, fala que eu preciso te dar segurança, estou tentando, mas você simplesmente não liga, você continua agindo como se eu não fizesse parte significativa da sua vida. De repente, aos meus olhos, está tudo tão errado.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Sempre atrás daquele algo a mais que não existe

Seguir em frente é sempre complicado demais, se eu fechar os olhos muito provavelmente meus pés andariam para trás. Os dias correm como se tudo não passasse de uma realidade inventada pela minha cabeça maluca, estou aqui e não estou, esperando por uma época em que esse buraco negro aqui dentro deixe de existir, esperando por um sorriso que não se apague tão facilmente, esperando e esperando. As pessoas ficam felizes quando eu não me corto, quando minha mente recupera sua lógica e minhas conquistas se tornam cada vez maiores, eu, porém, não consigo me alegrar, muito menos me orgulhar de mim mesma. Há esse algo sempre faltando. Nenhuma alegria dura o suficiente, nada dura o suficiente, a não ser as coisas ruins, claro.
domingo, 30 de outubro de 2011
Para que as larvas existem?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Tentando ser racional
Eu me esforço de mais, me controlo de mais, sou paciente de mais, escuto de mais, calo de mais, faço de menos. Por isso e por tantos outros motivos eu tendo a viver sempre no limite. Culpe meu transtorno se quiser, borderline significa limítrofe, no limete, na fronteira. Mas culpar meu transtorno é a mesma coisa que me culpar, não dá para se separar uma coisa da outra. Me culpar é dizer que eu estou onde estou por fazer algo errado. Me culpar é pegar os pecados dos meus monstros (nesse caso não o monstro que há dentro de mim, mas os que andam pelo mundo) e atribui-los a mim.
E no entanto eu não deixo de ter culpa. Minha inanimação, meu pessimismo, minha incapacidade de acreditar em mim mesma me tornam quem eu sou, fragil, insegura, medrosa, o que contribui, querendo ou não, para eu permanecer sempre no mesmo lugar. Porém, eu sou quem sou, assim como todo mundo, pelas coisas que me aconteceram ao longo da vida, pensando dessa forma é fácil tirar a culpa das costas e se acomodar, mas eu não consigo fazer isso. Eu sei que sou culpada, eu sei que deveria ser melhor, que deveria ter mais força e melhorar sempre, porém, pensando dessa forma, eu entro no ciclo que faz com que eu exija de mais de mim mesma e quando eu não consigo o que eu penso que deveria conseguir, ou quando eu imagino que não estou sendo boa o bastante, eu me frustro. E dessa forma vou me frustrando e me exigindo cada vez mais, em um ciclo sem fim.
As pessoas a minha volta as vezes não colaboram também, mesmo que inconscientemente. Minha baixíssima autoestima faz com que eu tenha dificuldade de colocar minha opinião frente a um grupo, eu falo pouco e com o tempo as pessoas vão esquecendo de que eu tenho uma opinião e que eu tenho o direito de escolher o que eu acho que é melhor para mim mesma. Eu dou abertura para que elas sejam egoísta, e elas o são obviamente. Em brigas, as pessoas tentam sair com vantagens sobre as outras, eu, ao contrário, procuro sair com desvantagem para que os outros possam sair com vantagem e continuem a gostar de mim. E sempre parto o pressuposto de que o outro é superior a mim e a qualquer momento pode me abandonar. E existem poucas coisas no mundo que me assustam tanto quanto a possibilidade de ser abandonada. Eu faria (e faço) de tudo para não passar por isso.
É nesse contexto, onde cada vez menos as pessoas me escutam ou se preocupam com o que dizem para mim (já que eu não demonstro nunca opinião nenhuma, desconforto ou irritação para com as pessoas que eu me importo), onde eu exijo de mim mesma cada vez mais, onde eu me sinto usada como um cachorro pela grande maioria das pessoas, onde a culpa sempre paira sobre mim, onde todos sempre jogam seus problemas para cima de mim, de modo que não sobre tempo para eu resolver os meus... É nesso contexto em que eu chego ao meu limite. Em silêncio, discretamente, passionalmente... Eu vou chegando ao meu limite. Todos reclamam na minha orelha e eu em silêncio observo o mundo perder seus contornos e as coisas deixarem de fazer sentido... Ninguém percebe, ninguém parece se importar... Enquanto eles tiverem o que querem, um cachorrinho bonzinho, compreensivo e bom ouvinte, eles nunca vão reparar que tem algo terrivelmente errado.
É só a partir do momento em que eu paro de ouvir, em que eu perco essa capacidade e perco o controle sobre meus atos e falas... Que as pessoas percebem, que as pessoas se importam. Antes disso, antes delas pederem seus benefícios, ninguém se quer se questiona se o que está fazendo é certo ou errado, justo ou injusto, ninguém se quer pensa na possibilidade de parar 5 minutos para tentar entender a visão do outro, sem preconceito ou o que quer que seja, só... se colocar no lugar do outro lado da moeda, só isso. Ninguém faz isso.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Preciso de férias
terça-feira, 26 de julho de 2011
Violência verbal

terça-feira, 19 de julho de 2011
Me ame

sexta-feira, 8 de julho de 2011
Como você se vê, como você é.

quarta-feira, 6 de julho de 2011
Voltar no tempo

quinta-feira, 30 de junho de 2011
Odeio ser egoísta

A verdade é que você não acredita em mim, nem ao menos deve gostar de mim, é só seu trabalho... Que diferença faz eu morrer ou viver? Não sei porque eu confio em você... O maior problema da minha vida é que eu acabo confiando nas pessoas. Não sei porque ainda faço isso. Seria tão mais fácil se eu estivesse mentindo não é? Se tudo não passasse de algo que minha cabeça inventou. Minha vida inteira foi uma mentira, posso mentir agora se é isso que você quer, e dizer que está tudo bem, que minha vida sempre foi linda e maravilhosa, que eu faço terapia duas vezes por semana porque eu sou idiota, que eu tomo todos esses remédio porque eu sou idiota também. Posso dizer se você quiser que eu sou muito feliz, que eu me corto para chamar atenção, que eu choro baixinho para ninguém ouvir porque... sei lá, porque eu gosto da sensação das lágrimas escorrendo pelo meu rosto e o desespero lento de não saber o que fazer. É isso que você quer ouvir? Posso entrar sorrindo na sua sala e sair sorrindo, e você nunca mais vai ter acesso a esse buraco na minha alma, posso fazer você acreditar que está tudo bem quando não está, posso facilmente planejar minha morte enquanto faço você acreditar que eu estou melhorando. Mas eu decidi ser sincera. Decidi que não mentiria para você, decidi que deixaria você me ajudar.
domingo, 29 de maio de 2011
Autoestima.

Ela é linda, mas se acha feia. Tem um olhar tão profundo, um naris e uma boca tão delicados, uma pele clarinha e um jeitinho feminino, linda. Que chora de noite pensando que ninguém nunca vai amá-la, que ninguém a deseja, que ninguém nunca vai abraçá-la do jeito que ela quer e precisa. Linda, que sofre com pequenas críticas, perfeccionista, facilmente irritável.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Eu sou gay
quarta-feira, 2 de março de 2011
Um certo olhar

Ele é um garoto incrível, ele sorri e brinca com todo mundo, é inteligente, divertido e carinhoso... Mas ele não olha em seus olhos tão facilmente. Ele sorri, mas seu olhar é tão triste.
O que fizeram com você?
Que monstros te perseguem? Que pessoas horríveis tiraram o brilho do seus olhos? Será que você também chora de noite? Será que você tem medo de ficar sozinho como eu? Será que você me entende? Será que eu também te entendo?
Sabe, eu não acredito que choro nenhum do mundo consiga expressar a dor por trás desse seu olhar, essa sua alma escura... Me pergunto se quem olha para mim consegue enxergar minha dor também... Alias se alguém vê algo a mais do que só as marcas em meu corpo.
Cicatrizes... Isso não quer dizer nada, tenho vontade de dizer. O pior de cada um de nós não está visível aos olhos nem pode ser descrito em palavras (por mais que eu tente). Não... O pior de nós, nossa ferida mais profunda e os choros mais desesperados... Tudo isso está enterrado dentro de nós. Para sempre.
O que fizeram com você?
É uma pergunta assustadora né? Uma daquelas que não precisam ser respondidas. Uma daquelas que carregam o peso do mundo. Não está tudo bem, eu sei que não. Mas sabe... Vamos esquecer um pouco isso. Vem, vamos procurar razões para viver, vamos nos agarrar a elas, vamos tentar tornar esses seus olhos um pouco menos tristes. Você não faz idéia do quanto é incrível. Posso caminhar ao seu lado?
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Um sentimento muito conhecido - Não quero ir para casa

Estou tão cansada... Quando volto para casa parece que um peso enorme cai sobre minhas costas, agora mesmo sinto vontade de chorar e nem sei porque. A pouco tempo eu estava feliz... Mas essa felicidade vai desaparecendo a medida que me afasto da escola, até que não me sobre mais nada, até que fique quase impossível levantar a cabeça para qualquer coisa.
Odeio isso aqui... Essa parte da minha vida ou seja lá o que for...
Quero tanto ficar dentro daquelas sala de aula para sempre... Lá eu sou feliz, aprendendo coisas interessantes e mantendo minha cabeça ocupada. Aqui não... Aqui tudo cinza, feio, pesado... E tem algo mais que me destrói e eu não sei o que é, algo que consome minha alma, minha vida, tudo. Talvez seja só eu mesma. Eu não sei.
Só sei que não importa quantos comprimidos eu tome minha cabeça continua pesada e doendo. eu odeio todo mundo a minha volta, tão tranquilamente normais e indiferentes. Como conseguem??
"Me deixe em paz..." Eu quero dizer, implorar. Mas eu não sei para quem... Alguém tire essa coisa de dentro de mim por favor. Está me matando...
Estou tão cansada.
Acho que não vou conseguir sabe. Não sei mais o que fazer.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Deixe brilhar! - Feliz Ano Novo







