"A vida é aquilo que você faz daquilo que te fizeram"
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Em homenagem a um suicida. - Make it better



Ontem um menino morreu depois de ficar três semanas em coma por ter saltado de uma ponte. Ele se matou e ninguém liga. Se matou porque a família não aceitou o fato dele gostar de beijar outros garotos. Uma besteira. Que diferença faz quem ele beija ou deixa de beijar?

Ele se assumiu no seu aniversário... Imagino que queria como presente a aceitação dos pais, mas eles eram religiosos demais para poderem enxergar isso, acho que religiosos demais para enxergarem qualquer coisa. Provavelmente eles estavam mais preocupados com criaturas mitológicas e com o que os vizinhos iam pensar do que com as lágrimas que seu próprio filho derramava sozinho e confuso... Isso é cruel, é inaceitável. Mal posso acreditar que ainda aconteça com tanta frequência. Não sei ao certo se sinto vontade de gritar na cara dos pais desse menino algumas verdades ou simplesmente ficar quieta porque palavra nenhum pode descrever ou consertar um acontecimento como esse. Outro dia eu estava elogiando o projeto It Gets Better mas um conhecido meu me disse que nós não precisamos de ninguém nos falando que as coisas vão melhorar no futuro, precisamos de alguém que nos diga que as coisas podem melhorar AGORA, que nós mesmos podemos fazer as coisas melhorarem agora. Concordo. Se alguém chegasse para esse menino que pulou da ponte com um papo de que um dia as coisas poderiam melhorar... não acredito que ele teria mudado de idéia, mas se alguém estendesse a mão para ele e falasse "vamos fazer as coisas melhorarem agora", talvez ele pensasse duas vezes.

Acredito que precisamos nos apoiar mais, nos ajudar mais, gritar mais alto, ou melhor, ouvir mais ao que nós mesmos temos a dizer. Precisamos salvar essas crianças e adolescentes de algum jeito, precisamos nos salvar. Já há muito passou o tempo em que tínhamos que abaixar a cabeça e agradeçer caso alguma alma nos aceitasse como somos, não, não. Aceitação e respeito não é um favor, é um direito. Um direito que podemos e devemos exigir, se não do mundo, ao menos dentro da nossa casa. Precisamos ir juntos, esse menino na ponte não pode esperar por mais tempo, ele não queria que as coisas melhorassem no futuro, ele precisava que as coisas melhorassem naquele momento, precisamos dar as mãos, precisamos de um agora, precisamos subir na ponte junto com garotos e garotas como esse que morreu, firmes ao seu lado, milhões de pessoas na ponte prontas para se matar, mostrando ao mundo que não está tudo bem, que isso não pode continuar, que esse garoto não é uma excessão, que, como ele, todos nós sofremos diariamente, morremos diariamente. Não está tudo bem, não queremos um "it gets better", queremos um "now, make it better now".

domingo, 18 de dezembro de 2011

O dia em que as despedidas não serão mais necessárias



Um aperto no peito, solidão  e perda de sentido. Há tantas coisas entre nós, tantos problemas, pessoas, proibições, regras, brigas. Pedras e mais pedras que me irritam terrivelmente. Eu não sei o que fazer, nem você, mas você tem infinitas válvulas de escapes, eu não. Minha dor é certa e sempre crescente, não sei lidar com ela, não quero lidar com ela. Sou especialista em fugas. Olho para os lados. E agora? Agora nada, não sei, não quero, não qualquer coisa. Preciso de direções, uma bússola, uma mão que me guie, alguém que me diga o que fazer, um amigo. Um amigo? O que significa amizade? A cada ano que passa mais eu desconfio dessa palavra, acho que nomeio as pessoas erradas com esses nomes e as certas se perdem em minha mente, em minha vida, há quilômetros de distância. Tenho dificuldade de lembrar da existência das pessoas quando elas parecem distantes aos meus olhos, assim, não peço ajuda, não converso, não faço nada. Todos parecem ter morrido e eu fiquei, ou eu morri e eles ficaram, algo assim.

Estou cansada de nada fazer, de tanto pensar e ter a vida a passar em algum lugar distante. Me sinto uma visitante de tudo isso, alguém que só existe de vez em quando, e quando existe, sente tudo a volta com estranheza de quem não pertence a esse lugar. Deixei parte de mim perdida em outro universo qualquer, ou outro universo qualquer roubou parte de mim, acho que é por isso que odeio despedidas. Sinto que a cada adeus, um pedaço de mim também me deixasse. Dessa forma vou sumindo todos os dias. Isso é no mínimo desconfortável. Tenho medo. Sou extremamente insegura quanto a tudo. Como você pode me garantir que nos veremos de novo? Preciso de provas, preciso de algo palpável, preciso sentir em minhas mãos que você vai voltar. Preciso que você deixe algo comigo, ao invés de ser eu sempre que deixe algo com você. O que é impossível.

As vezes vai, as vezes volta. Tudo imprevisível de mais. Todos os lugares me lembram ele, um amigo me disse. É... Todos os lugares me lembram ela. Dói lembrar. Porque o tempo não volta, as pessoas dificilmente voltam, e as dificuldades de hoje, serão as de amanhã e assim por diante por tempo indeterminado. Minha mulher tem mania de esperar de mais do ano que está por vir, ela pinta o futuro de uma forma que aos meus olhos parece brilhante. Tudo vai ficar mais fácil, você vai ver. Não sei dizer se as coisas ficaram mais fáceis, ou foram nós que aprendemos a contorná-las de forma mais eficiente. Estou mais para a segunda opção. Ainda espero o dia em que poderemos ser quem somos sem mascara nenhuma, sem medo e sem vergonha. Simplesmente duas meninas de mãos dadas. Nada que interesse aos outros passantes, nada de errado, nada de estranho. Só duas meninas. Sem família nenhuma a proibir coisa alguma, sem igrejas, sem deuses, sem regras sem sentido, sem brigas inúteis, sem gritos, sem lágrimas, sem grandes dramas, sem essa frescura toda irritante.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Para onde as verdades sejam opostas


Vamos fugir? Viver de ar em um mundo inexistente, acordar sorrindo para uma vida sem propósito (e por isso mesmo maravilhosa). Vamos fugir, vamos, viver em uma realidade de sonho, onde respeito e aceitação dá em árvore, onde crianças são felizes e lâmpadas permanecem no teto. Vamos fugir para onde cada pessoa tenha a capacidade de cuidar da sua vida, onde não exista medo que não seja só os dois segundos de susto que a pessoa que te ama te deu para rir um pouco. Vamos fugir, vamos! Para onde não exista adultos nem regras sem sentido, para onde o amor não venha em forma de socos, chutes, tapas e abusos quaisquer. Vamos fugir para onde crianças possam ser crianças, para onde becos e lugares onde coisas ruins acontecessem não existam.

Não solte nunca minha mão, me tire daqui, me salve. O mundo sempre me pareceu tão hostil, vamos fechar os olhos por um instante e esquecer que vivemos o que vivemos, que somos quem somos, as lágrimas que choramos, as acusações e dedos apontados em nossa direção, vamos esquecer por um instante os gritos e de todos os nomes que já fomos chamadas, todas as coisas ruins que ouvimos, os olhares duros e infinitos julgamentos. Vamos esquecer o futuro também e os obstáculos intermináveis. Vamos fugir, vamos! Por um dia ou dois, um mês, um ano, para sempre. Um segundo. Para onde nada exista e as verdades sejam opostas.

Me deixe viver por um instante uma vida onde tudo se encaixe perfeitamente, onde meu maior problema seja qualquer coisa fútil e ridícula, onde eu invente inimigos e problemas e os desinvente quando bem entender. Me deixe viver um dia sem cicatrizes, sem choro, sem medo, desespero ou dor. Me deixe por um instante entender tudo, costurar meu coração como se nada nunca tivesse acontecido e esquecer que as lâminas são mais minhas amigas do que muita gente.

Vamos fugir vamos. Para onde você seja feliz e eu não seja quem sou, para onde você não tenha medo e eu consiga fazer todas as coisas que você me faz sentir. Vamos fugir vamos, para onde o tempo não exista, para onde lâmpadas permaneçam no teto e crianças sejam crianças. Vamos fugir?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Gay não é contagioso


Não deveria ser necessário encarar a sociedade para assumir sua sexualidade do jeito que isso acontece com os homossexuais. E muita gente ainda pensa que não é preciso, que os gays deveriam guardar sua sexualidade entre quatro paredes. Porém, quando eu homem segura a mão de uma mulher, isso é assumir sua sexualidade, quando esse homem a beija em público, isso é assumir sua sexualidade, quando um homem se casa com uma mulher, também, quando um homem e uma mulher se apresentam como um casal ou usam alianças, isso é assumir sua sexualidade.

Os heterossexuais passam a vida inteira afirmando sua sexualidade, por que, então, espera-se que os gays, lésbicas, travestis e assim por diante, o façam somente escondidos e em segredo? Por que é visto como uma afronta desnecessária dois homens de mãos dadas ou se apresentando como um casal?

Assumir a sexualidade não é algo que os gays inventaram para chocar, incomodar ou chamar atenção, mas sim algo completamente natural a qual os mesmos não viram motivos para não o fazerem. O desejo de ser tratado como igual faz com que eles procurem agir como qualquer outra pessoa.

Há casais homossexuais que gostam de chamar atenção, é verdade, assim como existem casais heterossexuais que gostam de se comer em público, mas quando você ver dois homens ou duas mulheres agindo como um casal, antes de pensar que eles estão fazendo de "propósito" pense que talvez, só talvez, eles estejam agindo como todas as pessoas normalmente agem e com isso buscam ser tratados como normalmente todas as pessoas são tratadas.

Não há motivo para tanto alarde, gay não é contagioso, te garanto.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Graças a Deus




Depois de tantos anos sentindo o peso do julgamento desse tal "deus", depois de tantos anos acreditando que eu merecia ser punida, que eu seria punida não importa o que eu fizesse. Depois de tantos anos vivendo com medo, pedindo perdão por ter nascido, perdão por existir... É um alívio me ver livre.

É um presente enorme esse que recebi, depois de tantas lágrimas e sangue, de poder me olhar no espelho e ter certeza ao menos de uma pequena parte de mim. Ter certeza do que eu gosto e de onde está minha felicidade. É uma bênção não sentir mais culpa por existir. É uma bênção ter descoberto afinal o que é o amor, ou uma grande parte dele.

Pensando assim posso até acreditar que sou sortuda de certa forma.

sábado, 7 de maio de 2011

Pelo direito de casar - União Homoafetiva



No dia 5 de maio do ano de 2011 a união homoafetiva foi finalmente reconhecida no Brasil pelo Supremo Tribunal Federal.


Hoje no Brasil, a comunidade gay acaba de receber seus mais de 100 direitos negados por tanto tempo. Hoje, orgulhosos, damos mais um passo em direção a igualdade, ao respeito e ao direito a felicidade e liberdade de se estar com quem ama.


Hoje quem vence não é só a comunidade GLBTT mas sim o Brasil inteiro. Pouco a pouco avançamos em direção a um estado laico, justo e protetor de todos os setores da sociedade.

sábado, 16 de abril de 2011

A questão do preconceito



Ah, falar de preconceito é chavão... Já está todo mundo cansado desse papo de direitos iguais e não sei o que.

É, eu também estou cansada. Estou cansada de ter medo de andar de mão dada na rua com quem eu amo, estou cansada desses olhares, nessa gente que faz questão de vim falar comigo só para me humilhar, estou cansada as brincadeirinhas e das risadas, das provocações, desse "você só precisa de um homem de verdade". Estou cansada de ver no jornal dia após dia manchetes de gente que apanha e morre por algo que não tem culpa. Toda vez que leio isso eu penso "poderia ter sido eu", poderia ter sido você também, mas você está pouco se fodendo... Para você preconceito contra homossexual não existe, é tudo frescura, esses viados só querem saber de "tratamento vip" certo? Querem ser diferentes e serem tratados diferentes.

Cara, eu quero ser tratada com o mesmo respeito que vocês tratam um heterossexual, só isso. Quero poder ser quem eu sou sem correr o risco de ser morta poraí. Estou cansada de gritar pelos meus direitos junto com tantas outras centenas de pessoas castigadas por vocês e nunca sermos ouvidos. Estou cansada desse papo "ah mas gordo também sofre preconceito e não existe leis especiais para defender eles", ok, não nego sua dor por ser gordo... Mas ninguém fica gritando na porta da tua casa com cartazes dizendo "morte aos gordos", ninguém quer te matar por você ser gordo, ok?

Heterossexual nenhum entende a dor pelo que passamos, a negação, o abandono, o desprezo... Seus pais não te odeiam por você ser feio, gordo ou sei lá o que, não é? Nossos pais nos odeiam. O mundo nos odeia. Nós mesmos temos que lutar muito para não nos odiarmos também. Você sabe qual o tamanho da dor de ser rejeitado pela própria família? Não, você não sabe.

Isso não é se fazer de vítima. Isso é a realidade. Por mais que você feche os olhos para ela. Nesse momento quantos milhões de crianças e adolescentes estão perdendo as esperanças de viver por causa desses seus gritos de ódio? Você não pensa nisso.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Eu sou gay


Quem tava ligado esses dias no twitter viu a nova campanha que tá rolando poraí, chamada #eusougay (estava no topo dos TT's ontem mesmo). Essa iniciativa foi tomada em homenagem a adolescente morta em Goiás em um crime de homofobia praticado pelos familiares de sua namorada. O objetivo é incentivar as pessoas a mostrarem sem medo quem são, além de aumentar a visibilidade da comunidade GLBTT. Quem quiser participar basta postar qualquer coisa apoiando a campanha com o hashtag #eusougay. Também estão pedindo para quem quiser mandar fotos segurando um cartaz, papel, tanto faz, escrito "eu sou gay", vão produzir um video depois com essas imagens para a campanha. Mandem para projetoeusougay@gmail.com

Vale ressaltar que todos podem participar, sendo ou não gay. Essa não é só uma campanha do tipo "saia do armário" e sim uma campanha contra a homofobia, a vergonha e medo que qualquer pessoa pode sofrer. Sejamos gays, heteros, homens, mulheres, negros, brancos, baixos, altos, magros, gordos, juntos! É isso ai gente. Levantem a cabeça, vamos ser quem somos sem medo!

Vai ai o site oficial do projeto, para quem se interessou recomendo muito ler http://projetoeusougay.wordpress.com/

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Gente do armário


"O que te incomoda nos outros é o que está preso dentro de você"


Quando você sai da negação que foi a sua vida inteira, você aprende a reconhecer isso nas pessoas a sua volta. Essa necessidade de se provar, esse falatório exagerado, essa preocupação com o que os outros vão pensar, esse esforço para fingir algo que você não sente, essa mentira tão óbvia que você se recusa a enxergar...


Tenho vontade de sacudir vocês gritando o quão ridiculamente fácil está de ver quem vocês são de verdade.


Não adianta, você pode escolher viver sua vida de heterossexual se você quiser. Mas por dentro você sempre vai ser gay. Lute contra você mesmo o quanto quiser, é inútil.


Ora... Vamos lá, todos vocês preso em seus armários. Deixem essa pequena dúvida entrar em suas cabeças "será que eu sou gay?", é a chave para a liberdade. É o primeiro passo para se descobrirem.


A vida aqui fora é tão bonita... Bolsanaros existem de montes poraí, é verdade. Mas não tenha medo! Surra, xingamento e preconceito nenhum pode apagar essa alegria dentro de nós de podermos ser quem somos. E quando você conhecer o amor, o amor de verdade, aquele que te pega de surpresa, ai sim você vai ver que todas essas dificuldades não são nada frente a isso. Coragem. Vamos mostrar ao mundo que existimos e não somos poucos não. Seja você mesmo, chega de se esconder atrás de todas essas mentiras. Para mim já está mais do que na hora de abrirmos essa porta.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Homens?



Bem longe de mim por favor, que fique claro. Obrigada. Nada pessoal. Mas se é difícil aceitar minha homossexualidade, me imagine como homem também. Você não pegaria outro homem, pegaria? Então pronto. (Me fudi se você respondeu que pegaria. A não ser que você seja mulher, ai sim. Gay é homem. Só pra ficar claro.) Ufa. Me sinto trocentos kilos mais leve.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Homossexuais na TV



É sempre assim, começa uma novela nova na Globo e qual é o burburinho? "Você viu?? Vai ter um gay na novela! Noooossa!" Como se fossemos tipo... Uma coisa bizarra, uma aberração esquisita, etc. Como se um gay não pudesse ser só... absolutamente normal! Caralho... Somos pessoas como vocês! Enfim. Todos ficam absolutamente chocados. Como uma emissora nacional que possui confiança na maioria dos lares brasileiros pode divulgar esse tipo de pessoa?? E a comunidade GLBTs olha desconfiada. Será que finalmente vão divulgar uma imagem decente de nós? Será que finalmente vai rolar um beijinho? Será a novela vai finalmente ser usada como um instrumento esclarecedor a nosso respeito?



Óbvio que não. Gay na TV aberta brasileira quase sempre só está lá para ser a piada da novela. Ou então eles fazem o que fizeram com a pessoa mais lésbica que eu já vi na TV, essa coisa linda e perfeita que é a Nathalie Jourdan (alguma dúvida de que ela não é sapatão? Alguém com gaydar quebrado? Não? Ok então). O que acontece com a Nathalie... Bem, ela entrou na malhação e o brejo foi a loucura. Uma lésbica na Malhação! Que orgulho! Quando ela vai se assumir?? Ela era perfeita... Não estava ali para ser uma piada nem uma tragédia e sim para ser uma personagem normal como todas as outras. E o que nossa querida globo fez?? Para o desespero e frustração profunda de toda nossa comunidade... A transformou em hétero.

Ora, porque não né? Vamos fazer ela beijar um garoto, se tornar modelo... No final talvez transformá-la em uma garotinha viada cor-de-rosa.

Cara. Não se faz uma coisa dessas.

E é isso ai... A mídia poderia ser uma alida poderosa a nós, poderia ir entrando de fininho dentro as casas brasileiras e nos mostrar como realmente somos. A mídia poderia começar a nos tratar como trata qualquer pessoa e mostrar para todo mundo que não a nada de tão anormal assim em nós. Imagina? Dentro de... o que? Uns 10 anos no máximo? A homossexualidade, exaustivamente mostrada, deixaria de ser tabu e motivo para discussão. Se transformaria em algo absolutamente normal.

Não, não acho que isso vá acontecer. Não acho que os héteros vão parar de pensar em nós como esteriótipos assim tão fácil. Não podemos exigir que eles mudem se nós não mudarmos antes. Um garoto da minha classe disse um dia, em uma discussão uma coisa que eu achei bem interessante, ele disse: "Os gays precisam parar de brincar de parada gay e começar a lutar por respeito de verdade. Aquilo não é lutar por respeito, é ao contrário."

Concordo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Se eu quero?



Se eu quero passar a vida ao seu lado? Eu sorriu para você divertida, tentando decifrar suas palavras, seus olhares... Quanto tempo eu busquei alguém que me perguntasse exatamente isso? Até desistir. Aperto os olhos desconfiada. Ora... Você me conhece. Você sabe. Estou tão longe de ser a pessoa perfeita. Você me pergunta se eu vou te agüentar com todos seus defeitos, exatamente como naquele primeiro dia lembra? Você disse para eu pensar bem, que você não era exatamente a melhor pessoa do mundo. Nesse dia eu falei que você é que devia pensar bem e repito, também não sou a melhor pessoa do mundo. Mas você me conhece. Você sabe... Eu te amo.
Se eu quero passar a vida ao seu lado?

Sabe o que eu quero? Quero viver todos seus domingos cinzentos e tediosos, quero as segundas-feiras sonolentas e mau-humoradas, quero o alívio das tuas sextas. Quero nossas brigas semanais por coisinhas idiotas que vão acabar na cama, embaixo dos lençóis, você me entende. Quero as risadas de piadas que só nós entendemos, quero nossa cama desarrumada e aconchegante, quero dormir ouvindo sua respiração tranqüila, quero te ver cozinhando, animada de uma lado para o outro (exatamente como aquele dia), absolutamente perfeita. Quero te atrapalhar enquanto cozinha, te abraçando por trás e te distraindo. Quero te provocar quando sentir vontade e te irritar, só para ver você se fingir de brava e poder te abraçar bem forte. Quero também me fingir de brava para que você me abrace. Quero sentar do seu lado enquanto assiste TV e fazer absolutamente nada. Quero fazer surpresas brilhantes nos seus aniversários. Quero que você me perdoe todas as datas e horários que eu vou esquecer, porque eu tenho certeza que vou esquecer (não porque eu não as ache importantes! Mas porque minha cabeça as vezes realmente não funciona).

Quero discutir sobre o trabalho com você. Quero agüentar todos os seus dias de TPM e toda a sua teimosia quanto aos remédio quando ficar doente. Quero te abraçar e dizer que te amo sempre, sem medo, sem remorso. Quero sim vestir aquele vestido se você quiser... Porque ninguém nunca fez eu me sentir tão mulher quanto você. E eu gosto dessa sensação estranha. Quero gerar um filho com você, quem sabe não é? Digo gerar... Porque quero passar aqueles dolorosos 9 meses ao seu lado (e você terá que me agüentar!), quero dar a luz a um filho que será nosso e só nosso. Você despertou esse desejo em mim, eu percebi. Dá para acreditar? Quero revezar com você os dias que vou buscá-lo na escola. Quero brigar com você por ser muito dura com ele, por ser um mau exemplo, por ser muito exigente... Por tudo. Porque eu imagino que se tem ser humano na face da terra que eu vou amar tanto quanto você vai ser nosso filho.
Quero ouvir você reclamando comigo pela minha desorganização, quero rir da sua nóia e tentar arrumar mais as coisas. Quero olhar para você, enquanto estiver concentrada em alguma coisa e me pegar apaixonada de novo. Quero saber todas suas manias e frescuras. Quero trocar a lâmpada para você quando a antiga queimar. Quero que você me tire de meu mundo quando eu simplesmente desligar. Quero sentir seu cheiro quando pisar em casa e ficar tranqüila só por esse fato.

Se eu quero passar a vida do teu lado? Ora... Você me conhece. Você sabe.

Sim, eu quero.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Pais, aceitação e família - GLBTTs



Semana passada as dedilhadas (um canal no youtube) postou um video com uma mensagem para os pais de GLBTTs, segue-se aqui o link -> http://www.youtube.com/watch?v=H5d0lMaCU0g&feature=feedu. Adorei a iniciativa.
Provavelmente todos os gays sofrem com a possibilidade se seus pais descobrirem um dia sua homossexualidade, ou então sofrem porque eles já sabem e não reagem nada bem a isso. É um assunto complicado, muita gente fala que os adolescentes precisam se abrir com seus pais, mas não é tão simples assim. Existem pais e pais. Se seus pais são do tipo que te proibiriam de viver, tirariam tudo de você por você ser gay e infernizariam sua vida... Óbvio que o melhor seria você esperar sair de casa, ter sua vida e independência para contar para eles. Mas as vezes não temos escolhas, somos pegos no ato, alguém conta ou a desconfiança é grande, não importa... Eles descobrem.
E ai as coisas começam a desmoronar. Você não é o filho que eles queriam ou esperavam, é pecado, é só uma fase, você não pode ser alguém assim... O que as pessoas vão pensar? Nunca formará uma "família" (mentira), nunca poderá ter filhos (novamente mentira). Nunca poderá contar isso para ninguém, nunca poderá se orgulhar ou apresentar um companheiro(a) como namorado(a), etc, etc e etc. Seus pais estão assustados, irritados, procurando culpados, querendo soluções. É uma doença. O que fizeram com você para você ter se tornado isso? Você foi abusado? Você é tão novo! Só está confuso, você não pode ter certeza. Você nunca foi assim! O que aconteceu?
Precisamos ser pacientes. A reação no começo quase nunca vai ser boa. Precisamos respiar fundo e fazer de tudo para que eles nos entendam. Não é uma escolha, ninguém tem culpa, não podemos mudar isso. Simplesmente somos o que somos. E precisamos de seu amor. Precisamos que vocês nos aceitem, precisamos de uma abraço e um "vai ficar tudo bem".
Vai se duro enfrentar o mundo, vamos sim sofrer muito com isso... Mas se dentro de casa nós nos sentirmos amados, pode ter certeza que aguentaremos. Precisamos desse apoio. Temos que lidar com tanta coisa, não precisamos de uma guerra dentro de casa também. É isso que os pais precisam entender. Somos seus filhos. Parem de tentar nos mudar, de lutarem contra isso, pode ter certeza que se pudessemos nunca iriamos decepcionar vocês... Se o que vocês realmente querem para nós é o melhor, então nos amem como nós somos. Nós não seremos infelizes por sermos homossexuais, seremos infelizes se vocês não nos aceitarem como somos.
Dane-se a homofobia, dane-se os "amigos" que viraram as costas para nós, dane-se se somos alvo de piadas e agressões. Nós vamos lutar pela nossa felicidade. Queremos poder chegar em casa e receber um abraço, um ombro amigo, alguém que nos diga que nos ama haja o que ouver. Isso com certeza é essencial. É uma pena que tão poucos de nós consegue ter isso.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Homossexualidade - Causas e porquês


Quem é homossexual sabe que a primeira coisa que seus pais perguntam para você quando você se assume é o porquê. Porque você é assim? O que fizeram com você? Onde eu errei? Você foi abusado quando era pequeno? E não só os pais, mas amigos, conhecidos, as vezes até mesmo o próprio homossexual sofre tentando responder essas perguntas. É engraçado... Porque considerar essas perguntas válidas, acreditar que realmente existe um problema por tras de ser gay é a mesma coisa que admitir que ser assim é uma doença, um desvio psicológico. É a mesma coisa que admitir que é errado ser assim, tem algo errado em ser assim.

As crenças mais fortes dizem respeito ao abuso sexual na infância como causa, pai ausente no caso da homossexualidade masculina e forte ligação com o pai no caso da feminina. Ora, é um absurdo generalizar as coisas desse modo, acreditar que fatos tão aleatórios podem ser a causa, quero dizer, eu conheço sim muitos homossexuais com histórias de abuso sexual na infância, mas também conheço héteros com as mesmas histórias, conheço muitos gays que possuem seus pais ausentes, mas também conheço héteros. Minha namorada possui uma ligação muito forte com o pai por exemplo, mas eu não, eu não tenho ligação nenhuma com meu pai, nunca tive, nesse aspecto somos opostas e mesmo assim... Lésbicas.
Não entendo qual a necessidade de encontra uma causa real e plausível... Quero dizer, entendo sim... Para os preconceituosos, os que ainda acreditam que isso é uma doença, encontrando a causa, a cura se torna possível. Para os homossexuais, encontrar a causa significa tornar "real" sua homossexualidade, quase como se, existindo um porquê, uma causa, sua orientação sexual se tornasse válida. É difícil para muitos gays, olharem para si mesmos e admitirem que eles simplesmente são assim e pronto! Quero dizer... Não é uma doença. Não é um problema. Então parem de procurar causas! Isso não vai mudar quem somos.
Buscar todos os porquês para nós sermos quem somos é inútil e desnecessário... As pessoas são diferentes, vivem situações diferentes, enfim... Cada ser é único em suas sutilezas. Porque a humanidade tem tanta dificuldade em admitir a riqueza de diferenças em nossa espécie? É maravilhoso que as pessoas sejam diferentes.
Em uma sociedade heterossexual é compreensivo que os homossexuais se sintam inicialmente acuados, errados e doentes, mas já está mais do que na hora de mudarmos essa visão. Não é só porque existe uma maioria que a minoria passa automaticamente a ser errada. Da próxima vez que te perguntarem o porquê não dê brexas para suposições e teorias, levante essa cabeça e diga que simplesmente você é assim, não é culpa de nada nem ninguém. Tenha essa certeza dentro de você e pare de culpar o que você viveu ou seus pais, isso é imaturo... Não sabemos porque somos assim e nem interessa descobrimos isso. Nós somos. E não só somos como admitimos para nós mesmos. Queremos ser felizes e temos esse direito como qualquer um, somos seres humanos como qualquer um.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

NO H8 - You = Me


A campanha “NO H8″ foi oficialmente lançada em Fevereiro desse ano pelo fotógrafo Adam Bouska e seu parceiro Jeff Parshley, mas ganhou força após a aprovação da “Proposition 8″ – que proibe o casamento de pessoas do mesmo sexo na Califórnia. O movimento, chamado de “protesto silencioso”, é realizado através das fotos, onde todos aparecem com as bocas fechadas por fitas adesivas.
Para quem quiser dar uma olhada no site oficial -> http://www.noh8campaign.com/
E também recomendo o clipe que Ricky Martin fez para a campanha *-* é lindo -> http://www.youtube.com/watch?v=kzxoQ9rbDAA&feature=player_embedded
Adorei a campanha! Está na hora de nós fazermos algo grande assim no Brasil também, não acham?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sobre relacionamentos - Nem eu, nem você. Nós.

É complicado. Sim, é bem complicado.

No começo não... No começo é fácil, no começo parece que só o fato de nos amarmos basta (e realmente só isso basta, mas existem muitos problemas acima disso), no começo é lindo, a sintonia entre os corpos é perfeita, no começo a felicidade é contagiante e estamos felizes quando estamos juntas, sem nos preocuparmos com nada nem ninguém a nossa volta. No começo parece que criamos um pequeno mundo onde só existe nós duas. No começo o carinho é constante, nós sabemos que precisamos mostrar uma para a outra o quanto nos amamos e que isso é muito importante. Eu retribuo o que você faz e você retribui o que eu faço. As coisas funcionam tão naturalmente que chega a ser mágico (pelo menos pra mim que nunca senti isso antes). No começo não brigamos. Porque brigaríamos? Não há motivos. Eu gosto de você, você gosta de mim. Fim. Caminhamos juntas e felizes.

E então os problemas começam. Primeiro o mais óbvio, somo um casal gay. Não, nós não temos nem de longe a liberdade que os heteros tem. É perigoso, é cansativo aguentar os comentários, as piadas, as pessoas que mexem cm a gente ou que olham feio... É irritante. Mas tudo bem. Nós não conhecemos eles, eu quero mais é que se fodam, estou feliz com você... Não me importo se um zé ninguém nos xingar, isso é só um pequeno incomodo, uma coisa que a gente não vai poder evitar de qualquer jeito. E outro problema... Meus amigos, a escola, os pais dos nossos amigos, a orientadora, os professores. Tudo bem... Precisamos ser mais discretas, tudo bem. Posso te abraçar pelo menos? Posso segurar sua mão? Faz eu me sentir tão segura... Prometo que vou me comportar mais.

Não é tão simples quanto parecia. Todo mundo odeia que estejamos juntas... Isso está muito claro. E isso me irrita, me deixa frustrada... Eu simplesmente não consigo entender qual é o grande problema. Tudo bem, eu sou uma garota e ela outra. Só isso. É tão diferente assim?? Não, eu não entendo. Me desculpem. Para mim não é nada diferente, porque vocês não conseguem ver?? Nos deixem em paz...

Então as coisas começam a desmoronar... Nossas famílias. A mãe dela nos descobre, me expulsa da casa dela aos gritos, ela foge de casa, a gente se separa, você fica em um lugar e eu vou para outro, mas eu não aguento... Estou em pânico total, correndo sem saber para onde ir, preciso de você aqui comigo, preciso me cortar, não sei o que fazer, não sei o que fazer, não sei o que fazer... Por favor fique bem. Fique bem. Vamos resolver, certo? Vai dar tudo certo. Eu quero ser forte, quero não chorar para poder enxugar suas lágrimas... Mas eu sou um desastre, obviamente, estou chorando e tremendo, tentando me concentrar em me manter quieta em meu lugar para não me atirar no primeiro carro que passar, ou bater minha cabeça na parede, ou me arranhar... As possibilidades são infinitas. Tudo bem... Vai passar. Mas essa luta é mais sua do que minha, eu não sei o que fazer para ajudar. Da mesma forma que a luta contra minha automutilação é minha, não sua. Se eu não me ajudar não tem como eu melhorar.

Mas nós vamos superar juntas. Vamos continuar juntas. Você está disposta? Eu estou. Estou aqui para você, tudo bem? Eu sei que você também está aqui por mim. Logo logo as coisas vão mudar, vamos ser mais livres, vamos poder ser livres e felizes. E então o tempo passa e continua passando... E as coisas continuam difíceis, continuam dando errado. Não, ninguém pode ajudar. Nós sabiamos que seria difícil, não sabiamos? Não, a gente não sabia que seria assim tão difícil. A saudade dói aqui dentro, a insegurança, a dor, o medo... Eu queria simplesmente te abraçar, só isso, e não soltar nunca mais... Mas a gente quase nunca consegue se ver, parece que o mundo conspira contra nós. Desencontros seguidos de desencontros. Eu quero tanto você aqui comigo... Você me faz a pessoa mais feliz do mundo as vezes sabia?

Você está cansada... Eu também estou. Você está assustada, preocupada, desligada... Mesmo quando eu consigo te ver, eu não te sinto mais comigo. Quero chorar e te abraçar. O mundo está conseguindo roubar você de mim? Por favor diga que não... Eu suspiro e te solto, você parece distante de repente, inalcançável, quase fria. Por favor... Vamos esquecer um pouco sua mãe, por favor. Vamos esquecer a porra desse mundo, por favor, só por um minuto, me abrace sem medo. Só por um minuto fique aqui comigo... Pare, só por um instante, de pensar. Vamos viver, vamos? Não quero mais me preocupar, não quero mais fugir, não quero mais ter que me esconder com tanto medo assim. Eu estou pouco me fudendo se meus pais vão me odiar ou não, estou pouco me fudendo se sua mãe quer me matar. Eu te amo e isso só diz respeito a você e eu. SÓ. E isso é o mais importante, não é? Foi você que me disse quando eu estava chorando. Eu te amo. Vamos dar um jeito. Nós podemos, eu sei. Um dia nós poderemos olhar para trás orgulhosas de nós mesmas por termos lutado tanto, um dia quem sabe... a vida pode nos reservar tantas surpresas maravilhosas. Eu tenho certeza que você vale a pena. Vamos continuar juntas? Não vai ser fácil, mas eu estou disposta. Você está?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Deixe brilhar! - Feliz Ano Novo


Fim de ano, planos e promeças sendo feitas, expectativas e esperanças... Eu poderia desejar que tudo o que vocês estivessem planejando se realizasse, mas eu acho que isso não é o mais importante. É bom as vezes que as coisas saiam um pouco de nosso controle e tomem caminhos totalmente novos e inesperados, é bom deixar a vida nos surpreender e ir vivendo assim... Sem cobrar muito ou esperar de mais, só ir vivendo cada momento como se fosse único, porque é (coisa de chavão mesmo, sabe?). Vou desejar a vocês que antes de qualquer coisa, qualquer presente, dinheiro ou seja lá o que vocês estejam planejando, que vocês se amem e se orgulhem de ser quem são. E que se ainda não conseguirem se orgulhar, ao menos começem se aceitando, admitindo para si mesmos quem são. E depois... Eu desejo que você tenha a coragem de encarar o mundo sendo quem é. Eu desejo que quando alguém vier te repreender ou dizer que você não pode ser assim, que você mantenha a cabeça erguida e se recuse a aceitar aquelas palavras.
Desejo nesse ano novo que vocês se percam um pouquinho, porque essa é a única forma de se encontrarem. Desejo que vocês caiam sim se não houver escolha, mas que vocês se levantem mais fortes (mais fortes, não mais insensíveis, há uma grande diferença ai). Desejo que não importa sua dificuldade ou sua luta pessoal, que você tenha ao menos uma pessoa que te abraçe quando você precisar, nem se essa pessoa for... sei lá, sua bisavó surda. Desejo que você não deixe o vazio em seu peito tomar conta de seu ser. Desejo que quando você estiver confuso e não souber o que fazer, quando a dor for insuportável de mais, que você possa chorar o quanto for preciso, mas depois que você levante os olhos para o céu, respire fundo e pense, pense com calma e paz, a saída está bem diante de seus olhos, é simples, você vai ver.
Desejo que você ai quietinho em seu canto, olhando sempre pra baixo e pensando que não vale nada... Que você saiba que é especial sim. Desejo que você deixe brilhar, que você mostre quem você é e surpreenda as pessoas a sua volta! Feliz Ano Novo!
Ps: A imagem é do clipe Firework da Katy Perry, em homenagem ao projeto "It gets better" da pixar, que eu comentei a um tempo atrás, super recomendo: http://www.youtube.com/watch?v=QGJuMBdaqIw&feature=recentf

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sainda do armário



Bom... Esse ano eu surtei, dei a loca, quis me matar, me afundei, tive crises e mais crises de tudo o que eu tinha direito, sobrevivi a base de terapia e tarja preta e... finalmente, sai do armário! Obviamente foi da forma mais doida e inesperada possível. Irritei meio mundo, assustei outra parte e quase ninguém acreditou de primeira em mim. É claro que não iriam acreditar. Afinal eu mesma consegui me enganar por um bom tempo, enganar os outros também não é muito difícil (desculpem a decepção... mas sim, eu sei mentir e muito bem se minha vida depender disso lol). O fato é que eu simplesmente não podia contar nada para ninguém. Eu estava confusa de mais, perdida de mais para ter certeza se quer se eu continuava viva em meu corpo, que dirá quanto a sexualidade que sempre foi um problema e tanto na minha vida. Maaas, isso tudo passou. E hoje estou aqui para deixar que vocês me conheçam um pouquinho mais, de verdade dessa vez. Talvez vocês consigam me entender agora.

Sempre fui uma menina esquisita... Isso é fato. Tímida de mais, absolutamente perdida. Quando pequena eu odiava as outras meninas, alias durante grande parte da minha vida eu guardei uma irritação injustificava de quase todas as garotas. Eu gostava de andar com os meninos. Me identificava com eles, gostava de brincar do que eles brincavam e tê-los como amigos... Não, não gostava das meninas, todas frescas com suas bonecas e coisas cor-de-rosa. Mas eu não era um menino. Por mais que me esforçasse e tentasse me encaixar (passava dias e dias treinando futebol para conseguir ser tão boa quanto os outros garotos) eu era uma menina oras... Eu não era vista com igualdade pelos outros meninos. Eu era fraca e feminina de mais para ser vista como um deles e forte, desajeitada e muleque de mais para ser vista como uma amiga pelas outras garotas. Daí vem minha sensação de nunca se encaixar em lugar nenhum.

Bom... Viver no meio de muleques não é uma boa idéia quando se é uma menina. Tem que ser muito macho para conseguir botar respeito em um bando de mulequinhos descontrolados. Eu não era macho. Eu era só uma garotinha que gostava das mesma coisa que eles gostavam! Mas ainda sim uma garotinha. Tive muitas experiencias ruins com meninos quando pequena. Principalmente com os mais velhos e os mais problemáticos. Coisas que foram contribuindo para que eu me sentisse cada vez mais tímida, fechada, perdida, diferente, submissa e fraca. Quando digo que sou fraca... muitas vezes eu não estou dizendo no sentido psicológico, estou falando no sentido físico mesmo. Sou fraca de mais para conseguir manter os homens longe de mim e eu sei que por mais que eu queira, eu nunca vou ser forte o suficiente. E o problema é que eu não quero ser forte! Entende? Não quero ser um homem! Não, eu gostava de ser menina! Só não gostava que os meninos me tratassem como menina, a bonequinha deles, o brinquedo. Não sei se vocês estão conseguindo me entender... mas tudo bem.

Enfim. Os garotos me deixaram muito claro onde era meu lugar. Submissa a eles. E como eu odiava isso... Como eu odiava ter que abaixar a cabeça toda a vez que eles se aproximavam e rezar para que não fizessem nada, como eu odiava... Odiava quando o jogo acabava, quantos gols eu tinha feito? Não importava, eu era uma menina, eu era sortuda só isso, sorte... Ela sempre tá no lugar certo para chutar a bola, mas no corpo a corpo até o vento ganha dela. Eu me lembro... eu era ou goleira ou artilheira, lembro de estar sempre machucada, eu não me importava de me machucar, a única coisa que me importava era fazer gol ou defender o gol. Quantas vezes sai sangrando daquela quadra? Nem me lembro. Mas eu era feliz quando jogava, era jogando o único momento que eu sentia que fazia parte de alguma coisa, me encaixava em algum lugar... Apesar de eu detestar quando o jogo acabava e eu deixava de ser a jogadora para ser a garotinha. De qualquer jeito... Fui crescendo assim.

Nessa época que só andava com meninos quase não tinha nenhuma amiga menina, mas com o tempo eu não pude mais jogar bola com os muleques... Eles estavam crescendo, ficando cada vez mais fortes e perigosos, no fim fui forçada a tentar pelo menos alguma amizade com meninas. Garotas são complicadas... Mas eu passei a gostar delas, não de todas... Eu tinha um ódio recíproco por uma garota em especial do meu prédio, o nome dela era Aline... Absolutamente linda, perfeitamente mimadinha e irritante. Eu me sentia intimidada com a beleza dela... é. Enfim. Eu nunca desconfiei que poderia gostar de garotas até uns 12 anos de idade eu acho. Simplesmente porque eu não sabia que era possível homem gostar de homem ou mulher gostar de mulher lol (entendam que eu venho de ma família absurdamente religiosa e que isso é um tabu). Quando soube da existência dos gays, eu só soube dos homens... Gays, garotos afeminados, fim. Sapatão? Já tinha ouvido minha vó falar uma vez ou outra eu acho, com desprezo, mulheres machonas... Mas até ai eu não sabia que essas mulheres poderiam gostar de outras mulheres. Quero dizer... Isso para mim não existia. Era totalmente fora da minha realidade. Deus fez o homem e mulher, certo? Não a mulher e a mulher.

Fui crescendo, arrumei uma melhor amiga no meu prédio... Uma que eu amava de paixão. Fazia tudo por ela, tudo (e isso inclui brincar de boneca e essas coisas de meninas, na verdade foi ela que me ensinou a brincar de boneca...). E algumas outras amigas na escola... Chorei muito por essas amigas da escola, elas viviam me magoando sem dó nem piedade. Garotas são crueis. Eu obviamente era o saco de pancada delas, para variar. Alias eu sempre fui o saco de pancada de todo mundo. Enfim... Lá estou eu, com 12 anos. Vendo pela primeira vez um beijo lésbico na internet... E então a confusão começou. Fiquei pela primeira vez com um garoto, meu melhor amigo, e eu nem sei porque. O fato é que fiquei com ele e surtei. Obviamente. Era engraçado como eu "ficava" com ele na escola e em casa via o clipe da Tatu, all the thinks she said, incansávelmente. E nem me tocava que talvez, só talvez o que eu estava sentindo pela minha amiga fosse um pouco mais do que amizade. Bom, eu passei a odiar esse meu amigo sem explicação nenhuma, terminei com ele, terminar é pouco, eu quebrei seu coração sem nem pensar duas vezes, só para ter certeza que ele nem pensaria mais em chegar perto de mim.

Eu ficava com garotos, sabendo que era isso que eu deveria fazer, encontrar um garoto. Nada mais do que isso. Bom, na verdade eu fiquei com poucos garotos, uns 4 só acho... Eu geralmente preferia escolher um e botar na minha cabeça que ele era perfeito, exatamente aquele, aquele mesmo, o mais inalcansável possível e distante. Geralmente era assim. Eu me "apaixonava" pela personalidade de um ou outro, olhava como as garotas ficavam animadas ou excitadas na frente de meninos e não entendia muito bem, mas fingia que sentia atração também. Na verdade eu nunca soube o que era exatamente atração física até o começo desse ano. Bom... E assim as coisas foram indo... confusas e desencaixada. Eu ainda não entendia qual era a porra do problema comigo. Até que eu fiquei um menino, o último menino que eu fiquei... E com ele as coisas foram diferentes, foram longe de mais, eu não tive o controle que tinha conseguido das últimas vezes, não... Ele foi longe de mais e desesterrou todos os meus traumas e medos em um dia só. Foi ai que as coisas começaram a desandar de vez... Eu me perdi, no labirinto confuso que eu sou. E fui me afundando cada vez mais no meu inferno particular...

Enfim... Começo do ano. Estou relativamente bem ainda, animada com o começo das aulas, quero estudar para passar no vesbular, tenho um objetivo para lutar. Minha animação não dura quase nem uma semana... Vou piorando aos pouquinhos, sempre piorando, chego no fim do poço nas férias de julho. Me corto quase todos os dias... Não me importo com mais nada, tenho certeza absoluta que não vou sobreviver até o final do ano... Na verdade não me importo muito se vou sobreviver ou não. E então... Uma pessoa começa a me chamar atenção... Já chamava atenção antes, mas agora é diferente. Uma amiga, ela se preocupa comigo, limpa meus cortes, faz curativos, conversa comigo incansavelmente, quantas vezes for necessário para me tirar, nem se for só por alguns momentos da escuridão que eu estava. Eu tentava mentir para ela sobre os cortes, mas ela sempre acabava descobrindo que eu havia feito de novo, eu gostava quando ela cuidava de mim... ou quando conversava comigo sozinha... Fazia eu me sentir estranhamente bem, bem como ninguém mais conseguia. Eu me policiava para não olhar muito para ela, tinha medo que ela visse nos meus olhos o que eu sentia, ao mesmo tempo queria que ela pecebesse. Queria que ela gostasse de mim também e tomasse a iniciativa, mas ela nunca deixou parecer que quisesse algo a mais além da amizade.

Bom, então eu cansei. Estava cansada comigo mesma, estava cansada de dar voltas em mim mesma sem nunca entender o que eu era e o que eu queria, estava cansada de ver as pessoas preocupadas comigo, estava cansada de ser um peso e me fazer de vítima... Então eu pensei... "pqp, que se foda essa merda, to apaixonada por ela, pronto, admiti, tarde de mais para voltar atrás." e falei para ela que gostava dela, em um dia meio doido e impulsivo. Assim "do nada" porque eu nunca havia falado para ninguém que eu talvez estivesse me apaixonando por ela desde lá o começo do ano. Assim "do nada" porque vocês não sentiram na pele a confusão sem respostas que foi a minha vida inteira. O fato é que a dúvida sempre esteve comigo... E eu tentei, juro que tentei de todos os jeitos possíveis ficar com um garoto, tentei até quase me destruir, mas tentei. Mas... Seria mentira se eu não dissesse que a coisa mais certa que eu já fiz na minha vida, foi ter admitido para mim mesma naquele dia, que estava apaixonada por ela.

É engraçado agora como tudo parece se encaixar e fazer sentido... Todos aqueles sentimentos confusos e atropelados que eu nunca entendi direito, agora parecem tão mais claros. É engraçado como parece que eu encontrei meu lugar finalmente... Lugar que eu nunca pensei que pudesse existir. Bom... Acho que essa é a história contada meio nas cochas de como eu sai do armário. Eu ainda não sai totalmente do armário, porque por mais que meus pais desconfiem, eu ainda não admiti para eles. E acho que não pretendo admitir por ainda um bom tempo. Mas eu acho que o passo mais importante para a felicidade de pessoas como nós é sair do armário para nós mesmos, admitir para si mesmo e aceitar o que você é.

Acho que é uma questão de auto-conhecimento, sabe? Pessoas que se conhecem muito bem, têem certeza desde cedo que são homossexuais. Mas não é assim com todo mundo. Para muitas pessoas a resposta não estão assim tão clara desde cedo. A unica coisa que temos certeza é que tem algo "errado" ou diferente em nós e não entendemos porque, nem o que exatamente é. De qualquer jeito, depois de admitir para si mesmo, o primeiro passo é contar para pessoas de sua confiança... Até porque é uma carga muito pesada de se carregar sozinho. Eu tenho sorte de ter minha namorada... Muita gente não tem um companheiro para contar com e é difícil saber como seus amigos vão reagir. De qualquer jeito, insentivo as pessoas a serem sempre elas mesmas. É solitário fazer da sua vida um segredo, sempre se policiando e desconfiando das pessoas. Bom, por experiencia própria, minha vida está indo de vento em polpa desde que desisti de tentar ser o que não sou. É isso ai, get out of the closet!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Consequências


Foi estranho como ontem... pela primeira vez eu realmente senti o peso de ser quem sou e não esconder mais isso para o mundo. Senti vontade de chorar, enquanto te abraçava e tentava ignorar as vozes que nos xingavam, senti vontade de chorar... E por um instante eu realmente senti vergonha por ser assim, por um instante eu realmente acreditei que de alguma forma inexplicável era errado para mim amar. Errado e ruim... Por que se não fosse, porque as pessoas estavam nos tratando assim? Por que nos xingavam e nos odiavam sem nem nos conhecerem direito? As vezes é difícil para mim enxergar que algumas pessoas são simplesmente idiotas... É difícil para mim ver o quão má uma pessoa pode ser sem motivo nenhum. É algo que eu realmente não consigo entender. Tive vontade de desaparecer com você, por que eu senti como nunca que não me encaxava naquele lugar... Onde eu não poderia ficar com a pessoa que eu amo sem ter que enfrentar o peso da opnião da maioria das pessoas ali. Quero dizer... Se o mundo é um lugar onde eu não posso ser eu mesma e ser feliz exatamente como eu sou, acho que não quero viver nesse mundo... Eu costumava pensar muito nisso desde lá pelos meus 12 anos e isso voltou com tudo naquele momento na festa.

Mas foi só por alguns instantes... Não é muito difícil ignorar o mundo a volta quando estou com ela, muito menos quando o mundo a volta parece confuso e agitado de mais para se dar atenção. Então eu curti a festa, apesar que a cada instante que ela me deixava sozinha eu sentia um aperto no coração e um medo absurdo de uma de nós duas ser cercada e apanhar. Sério.
Mas a questão é... Isso acontece, sabe? Toda hora, em qualquer lugar... Alguns poderiam dizer que a escolha foi minha e que eu só poderia esperar por isso mesmo por não manter em segredo, e realmente, a escolha foi minha, mas eu acho que eu tenho o direito de esperar o mímino de respeito. Eu realmente não acredito que as coisas devam ser assim, não acredito que "isso" tenha que ser um segredo, uma vergonha.... Por que deveria? Quero dizer... Pense... Imagine se namorar quem você namora fosse "errado", imagine que você não pudesse beijar quem você ama nunca em lugar nenhum sem correr o perigo de ser vítima de preconceito, imagine ouvir todos os dias da boca de seus pais o quanto eles te odeiam... simplesmente porque você ama alguém e não pode fazer nada para impedir que esse sentimento exista. Pense um pouco. Se coloque em nosso lugar. Acha isso justo? Independente de religião, de ideologias ou seja lá o que for... Acha justo tratar alguém com tanto ódio só porque ela ama uma pessoa que, "infelizmente", não é do sexo oposto?
Sinceramente, se você acha isso justo... Sei lá... Eu acho que seu filho deveria nascer gay e esfregar isso bem no meio da sua cara nojenta :D Porque nada mais justo né... É fácil sair criticando, matando ou seja lá o que for, quando essa pessoa não é a que você mais ama na Terra. Pensa um pouquinho antes tá? Se você não consegue gostar de gays ou ter o minimo de compaixão, tudo bem! Mas antes de xingar ou bater em um ou seja lá o que for, pense... Poderia ser filho, seu irmão, seu primo... ok? Respeite. É o mínimo que você pode fazer e o máximo que nós pedimos e lutamos por.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

It Gets Better!

It Gets Better Project é um projeto lindo da Pixar para nós! Vale a pena dar uma olhada: http://www.youtube.com/watch?v=QyG-6GORuzc

Você não está sozinho! As coisas realmente vão melhorar! ^^