"A vida é aquilo que você faz daquilo que te fizeram"
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Minha luz



Está tudo indo bem, não está? Eu só, talvez, tenha sido maltratada por tempo de mais. E agora, mesmo cercada de amor e apoio, a noite ainda chega e me cerca de escuridão. Sinto frio e, deus, como eu me sinto sozinha. Você pode me beijar agora? Pode me abraçar e prometer que nunca vai me deixar? Por favor... Por favor não vá embora... Você é a única pessoa no mundo que me entende, me ama e com quem eu posso contar. Eu te amo tanto que nem consigo expressar em palavras. Sabe, eu ando com tanto medo, essas malditas lembranças me torturando. É tão difícil suportar a vida às vezes, respiro com cada vez mais dificuldade, meu coração fraqueja e as lágrimas escorrem pelo meu rosto. A única coisa que eu consigo pensar é no quanto seria fácil acabar com tudo. Por favor, não me deixe acabar com tudo. Segure minhas mãos, me interne de novo em uma clínica, me amarre em uma cama de hospital, me dê aquelas injeções, qualquer coisa. Eu não me importo. Eu só sei que preciso aguentar, eu quero aguentar. Por você, meu amor, eu quero viver.

Talvez eu só esteja um pouco triste. Minha vida está uma bagunça. Não estou estudando nada, nem trabalhando, fico trancada em casa a maior parte do tempo porque minha mãe não confia em mim para me deixar sair sozinha. Estou estagnada. Me sinto uma fracassada, uma inútil. Não é raro eu me pegar olhando para o teto e começar a chorar simplesmente porque não sei o que fazer. Estou cansada de assistir TV, estou cansada de ler livros, ver filmes, montar quebra-cabeças e mexer na internet. Até dormir me cansa. Eu quero sair, quero andar por aí como eu costumava fazer quando era mais nova, sei lá, fazer coisas diferentes, conversar com pessoas, ver mais meus amigos, conhecer lugares novos, etc.

Sinto tanta falta de ser livre. Sinto tanta falta de ter uma vida "normal", se é que um dia eu a tive. Sinto tanta falta de você, amor. Queria que todos os dias você espantasse a escuridão a minha volta. Só você tem esse poder. Obrigada por iluminar meus dias (e noites, claro), e por fazer com que eu queira viver.

domingo, 15 de setembro de 2013

Ponto final.



Vejo fotos e sorrisos e eu não estou lá. Era minha vida e eu não estou lá. Era o paraíso que eu conhecia e tinha a prepotência de dizer que era meu. Mas você me tirou tudo. Eu não estou mais lá. Todas as promessas que você me fez, vazias e sem sentido, mortas. Eu nunca mais vou voltar, nunca mais vou passar os dias sorrindo, vivendo em um planeta paralelo onde minha existência era mais leve e gratificante, nunca mais... Agora eu tenho que recomeçar do zero, não é nada fácil recomeçar do zero. Eu tenho alguém, nunca vou poder te contar mas agora eu tenho alguém, alguém que me escuta, que se preocupa comigo e me coloca em primeiro lugar, ao contrário de você e eu estou feliz por isso, estou feliz com a minha sorte. Mas ainda sinto falta daquele universo que construímos juntas, quero um novo universo, preciso de um novo universo. Promessas, sonhos, uma cama onde eu possa descansar minha cabeça e vê-la dormindo. Ela não tem nada a ver com você e isso é uma bênção. Quem sabe agora não dê certo. Ela é bonita, mas isso não é o mais importante, a verdade é que ela é incrível, doce e gentil, carinhosa como ninguém.

É uma pena que você não se importe mais comigo, que não queira mais se quer ser minha amiga, eu queria poder te contar sobre ela, você poderia me dar dicas de como tratá-la melhor, seria divertido. Mas você não está aqui, e nunca vai estar... Você está ocupada demais se colocando em primeiro lugar, acima de qualquer um, custe o que custar. É uma pena. Eu realmente te odeio por isso. Mas quais melhores amigos não se odeiam tanto quanto se amam? Você foi minha melhor amiga por muito tempo e aqui dentro ainda dói... Dói demais. O que eu mais quero no mundo é te esquecer. É triste mas acho que eu queria poder apagar todos os momentos bons que passei ao seu lado só para não precisar sofrer hoje. Sinto como se tivesse desperdiçado os últimos anos da minha vida. Eu lutei tanto por você, fiz tudo o que eu podia fazer mas nossas vontades são esquisitas. Nós queremos tudo o que não podemos ter, certo? E meu erro foi ser sua desde o começo, assim, naturalmente, sem ser preciso uma palavra se quer, um jogo de sedução ou o que quer que seja, não... Aconteceu.

Meu erro foi te oferecer todo o meu amor cegamente, sem medo, sem medida, puro e simples. Eu mergulhei de cabeça... Mas eu aprendi a lição, não mergulho mais de cabeça em coisa alguma, não me entrego mais por completo. Não posso sofrer de novo tudo o que eu sofri com você, meu coração não aguentaria. Vou sentir sua falta... Minha história está aos poucos recomeçando e é desconcertante observar que eu consigo caminhar sem você ao meu lado, eu realmente consigo, gostaria que você estivesse aqui para ver isso, você ficaria orgulhosa de mim. Vou sentir sua falta e aos poucos... Vou te esquecer, vou chorar por outras pessoas, outros motivos, vou cair de novo e o motivo não vai ser você. Adeus minha melhor amiga, é uma pena que nosso relacionamento tenha sido unilateral o tempo inteiro, adeus.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Minha sorte



Resolvi agir diferente, resolvi abrir a boca, resolvi parar, olhar, dar meia volta e correr na direção oposta. Como eu pude ser tão cega? Agora tudo me parece tão claro. Posso sentir um sorriso bobo em meus lábios, um sorriso que eu não dava há muito tempo. Talvez meu mundo não esteja desabando, talvez a vida volte a brilhar para mim, talvez exista um amanhã melhor do que hoje, talvez tudo aconteça por uma razão, talvez eu já estivesse destinada a ter esse fim desde sempre, quem sabe? Tudo o que eu sei é que um novo caminho se abriu para mim e eu estou animada, quem sabe, quem sabe... Nem todas as surpresas que a vida nos reserva são ruins afinal e é incrível como sempre existe um amanhã mesmo quando hoje parece ser seu último dia. Parece que não existe esse tal de último dia e eu pensei que isso fosse uma maldição, mas olhe só, talvez essa seja minha maior bênção. Quem diria? Agora tudo o que eu quero fazer é mergulhar de cabeça em meu próprio filme, em minha vida, quero esquecer o que eu nunca consigo tirar da cabeça, quero virar a página, quero que a tortura acabe, quero nunca mais precisar correr para um hospital ou ser internada em um clínica... Quero passar na maldita dessa faculdade e ter um futuro como todo mundo. Quero ser uma boa pessoa para a minha boa pessoa, quero que ela se orgulhe de mim e possa dizer para todo mundo quem eu sou.

Isso seria incrível. Eu já me orgulho dela e já digo de boca cheia quem ela é e como ela é. Pessoas como ela deveriam ganhar um premio simplesmente por existirem. É o que eu acho. Eu tenho muita sorte, é incrível como eu posso ser tão sortuda e tão azarada ao mesmo tempo. Talvez exista algum mecanismo no universo que nos compense caso sejamos azarados demais ou sortudos demais, e a tendência é sempre o equilíbrio, mesmo que ele demore. Estou feliz e só. E isso é tão bom e novo, todos os dias deveriam amanhecer com esse sentimento de descoberta e completude, todos os dias deveriam ser de sol e todas as pessoas deveriam ser tão boas quanto elas podem ser. Pensando bem se só a última coisa acontecesse com mais frequência seria ótimo. É uma pena as coisas não serem sempre assim, é uma pena que existam tantas pessoas por ai que só enxergam nuvens e tempestades a frente, exatamente como eu costumo tanto fazer. Mas hoje a história é outra, pelo menos por hoje e eu quero curtir a minha sorte, eu tenho direito de curtir a minha sorte. Obrigada deus, ou universo, ou o que quer que seja, por colocar mais uma boa pessoa no meu caminho. Prometo que dessa vez não vou estragar tudo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Minha exceção



Minha memória não é muito boa, mas eu me lembro muito bem da primeira vez que você segurou minha mão, meio tímido, meio cuidadoso demais. Você me fez um carinho e eu senti minhas bochechas corarem. Quero mais, pensei. Entrelacei meus dedos. De onde você veio? Onde esteve esse tempo todo? Você encosta a cabeça em meu ombro e eu me sinto tão feliz que mal consigo explicar. Por que? Não sei, só sinto. Tem que ter sentido? Você entrou na minha vida como um cometa, iluminando tudo a sua volta, rápido e certeiro e desde de então eu me sinto meio tonta. Quero você todos os dias ao meu lado, quero seu sorriso, quero suas lágrimas, quero seus medos e inseguranças, quero suas certezas, seu jeito de ver o mundo, quero suas qualidades e defeitos, quero tudo. E eu que pensei que nunca mais ia sorrir, e eu que pensei que passaria o resto dos meus dias sofrendo sozinha... Que lindo presente dos céus. Às vezes chego a me perguntar se isso está mesmo acontecendo, e está! Está. Nunca imaginei merecer uma pessoa tão boa para mim e no entanto, lá está ela, sorrindo para mim, me estendendo os braços, me aceitando exatamente como eu sou. O que mais eu poderia querer?

Obrigada por entrar na minha vida assim tão de repente. Obrigada por enxugar minhas lágrimas e me fazer acreditar em promessas que eu pensei que nunca mais acreditaria, obrigada por me tirar do buraco escuro que eu me encontrava. Espero ter feito o mesmo para você, quando enxuguei suas lágrimas, quando te abracei. Foram as coisas mais sinceras que eu já fiz na vida. Eu quero ver a alegria em seus olhos e se eu puder fazer isso por você, vai ser exatamente isso que vou buscar fazer o resto da minha vida. É tão cedo para dizer "eu te amo", não é? Mas a frase fica entalada na garganta, querendo sair de qualquer jeito. Eu não sei de nada, não sei como o futuro vai ser e se ele vai sorrir para nós, mas os dias em que eu passei ao seu lado, eu te amei, te amei como pensei que nunca mais amaria alguém na vida. E isso significa muita coisa.

Estou te esperando aqui fora Fê.

domingo, 30 de junho de 2013

Naquele dia chuvoso



Eu pensei que eu estava indo bem, acho que todos nós pensamos. Basta tão pouco para me derrubar, para me afundar de novo nesse buraco infernal. Eu sou tão frágil que quase não existo, pequena e insignificante, ninguém. As lembranças nunca param de me atormentar, lembranças de dias horríveis, lembranças de dias maravilhosos, tanto faz, tudo me machuca. O que eu perdi que não volta mais, o que eu vivi que nunca me deixa. Nada nunca está bom o bastante. O errado é a única coisa certa em minha vida. Às vezes eu acho que suas palavras me machucam mais do que todas as humilhações que eu já passei na vida. É muito mais do que eu esperava. É muito mais do que deveria ser. E eu me pergunto quando você se tornou tão importante assim, e por que? Para que? Você tem uma bomba atômica em suas mãos e nem percebe, você brinca com ela, jogando de uma mão para a outra e nem imagina o quanto minha vida depende disso. Deveria ser proibido se dar tanto poder para uma pessoa só.

Eu quero ser livre, quero te esquecer para sempre, mas simplesmente não consigo. Acabo sempre voltando, andando em círculos, pensando em te implorar uma segunda, terceira, milionésima chance. Você diz que está tão bem e isso queima dentro de mim. É só agora, longe e a salvo de mim, que você diz isso. Tudo isso já passou, já deveria ter passado e no entanto não me sai da cabeça. Eu deveria estar melhor, não deveria? Eu deveria seguir em frente, esquecer, superar. Mas não. Não consigo. Estou parada no mesmo lugar que você me deixou naquele dia chuvoso, olhando para o chão totalmente fora de mim. Sua voz ainda ecoa em minha mente e eu não acredito no que estou ouvindo. Por que? Por que? Por que? Não, não acredito no que estou ouvindo. Quero chorar, quero gritar, quero sair correndo e fazer qualquer coisa perigosa ou insensata. Quero me cortar.

Quero me cortar. Quero esquecer, quero o alívio momentâneo, a ilusão, a mentira. Já que é para cair, que eu me jogue de cabeça então e acabe logo com isso. Eu estou parada onde você me deixou, o tempo passa e passa e nada muda dentro de mim. Eu te amo. Você não me ama. Eu estou só e está tudo errado. Quero me atirar de cabeça nesse precipício e acabar logo com isso. Se eu ao menos não tivesse tanta gente a minha volta disposta a me salvar, seria mais fácil. Felizmente ou infelizmente, não sei ao certo... Existem anjos na minha vida, que seguram minha mão e me mantêm longe de tudo o que pode me ajudar a realizar meu maior sonho. Tudo o que eu queria é só um pouco de paz.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Para meu novo amigo



Um pouco improvável. Muito improvável. Pessoas que vêm e vão, há quanto tempo você está ao meu lado? Não contei os dias, não contei as horas. De repente, já faz tanto tempo que eu me acostumei sem perceber. Seu sorriso e seu olhar já estão marcados em minha mente. Quem diria? Seu universo... Você me puxa pelas mãos, fala em meu ouvidos mil histórias para me fazer rir, aponta para as coisas bonitas a nossa volta e me faz perceber que talvez, só talvez, a vida seja algo muito maior e melhor do que eu  nunca imaginei. Você é como eu e eu sou como você... Você me entende muito mais do que as pessoas do mundo lá fora. Talvez você tenha algo para me ensinar, talvez exista um motivo para eu me sentir tão bem ao seu lado, porque não teria? Você é diferente. Talvez eu goste disso. Talvez... Eu vou te dar uma chance, vou me dar uma chance. Afinal, o que eu tenho a perder? Não tenho nada a perder. Não te resta muita coisa quando alguém que você ama tanto te abandona, mas a gente sobrevive, aos pedaços, mas sobrevive. Eu sobrevivi, por vários motivos me considero uma sobrevivente. Você também sobreviveu, apesar de tudo, apesar do mundo conspirar contra você, você sobreviveu. E agora está bem aqui, frente a frente comigo. E, eu não vou mentir, eu estou com medo... Eu sempre tenho medo. Mas estou disposta a tentar retomar minha vida, segurar minhas rédeas, seguir em frente.

Você já me ajudou muito e provavelmente nem percebeu. Essa é a melhor forma de ajudar alguém. Te agradeço por isso, te agradeço por todos os abraços e palavras reconfortantes, te agradeço pelos olhares tão bonitos e profundos e pelo sorriso sincero, te agradeço pelo carinho e atenção, pelas risadas que você provocou em mim, pelo seu jeito tão único e especial. E você provavelmente nunca vai ler isso... Mas é assim que eu gosto que as coisas sejam, eu não quero te falar isso, quero te fazer perceber que eu me sinto assim pelos meus atos... Você vai ler isso em mim, sei que vai. Foi bom passar esses dias em sua companhia. Eu espero que nós dois consigamos melhorar, espero nunca mais te ver internado, assim como desejo nunca mais entrar pelas portas daquela ou de qualquer outra clínica. Mas se acontecer... Tudo bem, a gente volta e não vai ser por isso que eu vou abandonar alguém.

O futuro é incerto, mas se você estiver ao meu lado eu segurarei sua mão. Obrigada por tudo.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Até a próxima Vera Cruz



Um mês e meio. Um outro universo por trás daqueles muros. Sinto como se tivesse deixado de fazer parte do mundo real, está tudo tão estranho e desconexo. Aos poucos volto e tudo me faz lembrar as tantas lágrimas que vivo derramando. Bem? Talvez menos do que eu esperava. O efeito da segunda vez nunca é eficiente e marcante tanto quanto na primeira. Aquele universo restrito, horários e olhos atentos 24 horas, remédios, consultas e terapias, rotina, regras, ordens. Eu me acostumei. Cada dia, milhões de anos, um poucos mais certo e seguros o bastante para eu me sentir confortável. Ai é onde mora o perigo. Amigos que vem e vão, amigos que te entendem como ninguém, amigos que raramente duram, mas quando duram, se tornam os melhores. A vida é bela, o paraíso é um comprimido. Tantas conversas e risadas que só a gente entende. É mais fácil lembrar de um diagnóstico do que de um nome. O esquizofrênico, o bipolar, a border, a bulímica. Por que você veio parar aqui? Eu enfiei uma faca no meu peito, fui parar três vezes no hospital em menos de uma semana, não tem nada de errado comigo, não tem nada de errado comigo. Estamos todos no mesmo barco. Os enfermeiros às vezes ignoram suas lágrimas, mas os outros pacientes nunca deixam de notá-las, nunca deixam de ouvir seus gritos, nunca deixam de te entender profundamente. Eu e você, poderia ser eu ou você, hoje sou eu, amanhã é você. Doutor, você não tem coração?

Socorro, socorro, socorro! Mãos e pés amarrados por dias a fio, uma boca que saliva e tem sede. Enfermeira eu fiz xixi na cama. Mãe eu quero ir para casa, por favor... Vem me buscar. Por favor, não me deixe presa aqui por mais um dia, uma semana, um mês. O que eu fiz de errado para merecer isso? Quando a noite cai e o ar pesa, não é difícil ouvir os gritos e ver as lágrimas que escorrem para todo o lado. Hoje é o dia de quem surtar? Estamos todos aqui, em silêncio, juntos, eu segurarei sua mão enquanto você chora, eu te abraçarei se você quiser e posso, às vezes, falar baixinho, que eu te entendo e que amanhã eu estarei chorando pelas mesmas razões, e então, será a sua vez de segurar minha mão e ver toda a minha dor, nossa dor. É tão bom ser compreendida. É tão bom... quando você pensa que não tem mais ninguém, quando você se encolhe em um canto escuro e as lágrimas não param de escorrer e você pensa... Ninguém pode me ajudar... E então alguém senta ao seu lado, e segura sua mão, às vezes pessoas que você nunca esperava. Elas entendem, de verdade, elas entendem. A tempestade vai passar, o sol vai voltar a brilhar, certo? É sempre assim, um dia ruim, um dia bom... E  a gente vai sobrevivendo aos trancos e barrancos.

Eu criei um amor enorme por todos os amigos que eu fiz na clínica. São pessoas incríveis, e espero levar essas amizades pelo resto da vida. Vou sentir falta de passar todos os dias na companhia de cada um deles. Aqui, no mundo real... É sempre um pouco solitário demais. São poucos que me entendem, poucos que me suportam, poucos. Lá não... todos no mesmo barco, abraços e mãos dadas em busca de um único objetivo. Ficar bem, custe o que custar. Até a próxima Hospital Vera Cruz.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O que você não entende



Você me faz mal... Eu venho tentando negar, mas toda vez que eu te vejo online ou falo com você, meu coração se parte em pedaços cada vez menores, até não sobrar mais nada além de pó. Eu não sei o que fazer. Te quero de toda minha alma, mas seu toque queima, suas palavras me machucam, tudo o que me lembra você dói. Sinto constantemente vontade de sair correndo, para um mundo bem longe onde você não exista... Mas meus amigos são seus amigos, meu mundo é o seu mundo, você está em toda a parte e em lugar nenhum. Como posso me livrar de você? Estou cansada, não consigo controlar as coisas horríveis que me vêm a mente quando você está por perto. O que eu fiz de errado? Por que você me deixou? Por que? Por que? Por que? Por que faz isso comigo? Por que alimentou essa mentira por tanto tempo? Antes nunca tivesse entrado na minha vida, antes nunca tivesse tentado ser minha amiga, escutado o que eu tinha a dizer e cuidado de mim com tanto afinco. Antes tivesse me deixado morrer. Por que não me deixa morrer? Você prefere que eu viva essa tortura para sempre? Eu não quero isso para minha vida. Eu não te entendo. Pensei que entendia, mas não. E nem você me entende, nunca vai entender. Continua com seu discursinho inútil: "vai ficar tudo bem". Vai ficar tudo bem para você, não pra mim, nunca para mim.

Você não entende... Fica aí a milhões de km de distância, achando que pode me ajudar, que pode ser alguém, que pode ser útil. Você não é. Volte para suas festas idiotas, para seu álcool, para suas drogas, para seu vazio absurdo. Não se preocupe, ele só vai crescer a partir de agora. Você ainda vai se destruir antes do que eu e quando isso acontecer, quem você manteve como "amigo" vai estar ocupado de mais bebendo e se drogando para se importar com você. Obrigada por ter me tratado como lixo, assim eu aprendo que pessoas como você não valem a pena. Eu espero que um dia alguém faça com você, o que você faz com as pessoas, só assim você vai aprender. Lembra o que você escreveu na minha aliança? "Don't forget me". A coisa que eu mais quero no momento é te esquecer, esquecer que um dia você entrou na minha vida, esquecer tudo o que você fez para mim, tudo o que vivemos juntas, todas as suas mentiras, falta de respeito e consideração, tudo. Por favor, desapareça, tenho vontade de pedir mas não tenho coragem de dizer. Talvez a culpa seja minha... Eu realmente achei que você seria melhor do que a imagem que você se pinta. Mas não, você escolheu ser uma filha da puta com todas as letras. A escolha foi totalmente sua, deliberadamente. Eu realmente nunca vou te entender.

Eu não vou estar lá para você. Você perdeu sua melhor amiga. Parabéns. Você conseguiu, você realmente conseguiu.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Um lugar que eu podia chamar de lar



Eu tinha uma vida em outro lugar. Era diferente, era livre, era feliz... Era um lugar onde eu me sentia em casa, como eu nunca me senti em lugar algum. Eu podia ser só eu, eu podia rir, eu podia ir e vir, eu podia só esquecer a minha outra vida e viver essa, tão mais bonita, tão mais confortável e alegre. É, eu costumava ter essa vida diferente de vez em quando... E era uma das coisas que tornavam a vida mais suportável. E sabe, o que me mata é você ter tirado isso de mim, além de ter ido embora. Nós construímos uma vida juntas e para mim soa um pouco injusto de mais só você ficar com a parte boa dela. Isso realmente me mata. Eu não acredito que depois de dois anos e meio, eu estou saindo de mãos vazias e você com os bolsos lotados. Por que? Isso é tão injusto. Minha vida está uma bagunça, eu nem me lembro mais como é viver sozinha. Até porque quando eu estava sozinha eu passava tempo de mais planejando como eu iria me matar ao invés de aprender a seguir em frente sem ninguém por perto. E quando você surgiu, eu não me preocupei mais em aprender, entende? Por que você era tudo para mim, e enquanto você estivesse comigo, tudo estaria tão perfeito que chega a ser ridículo. Eu não precisava... Pensar nas coisas ruins e aprender a lidar com elas sozinha, eu não precisava depender só de mim mesma para sobreviver. Você era meu Sol.

Eu tinha... Essa válvula de escape. Essa minha possibilidade de fuga, de ir para um lugar onde eu podia me encontrar. Mas você levou tudo embora. E eu não tenho mais lugar algum. Não há mais estrelas e luzes para observarmos da janela, não há mais horas na cozinha preparando coisas gostosas, não há mais noites sem fim. Seu corpo não me esquenta mais e eu não escuto mais seu coração junto ao meu. Você está longe, nessa vida que construímos juntas, você segue sozinha. E eu fiquei. Estou tentando erguer algo do nada, estou tentando voltar e me encontrar em algum lugar nesse espaço de tempo tão grande em que eu fui só sua e nada minha. Estou tentando ser eu. É como se uma porta tivesse se aberto e eu fosse obrigada a atravessá-la. Tudo é novo e assustador. Mas tudo bem... Eu vou encontrar um outro lugar, certo? Eu vou construir uma vida em outro lugar, talvez em algum lugar mais alto, longe da superfície e do chão, onde se encontra a maioria das armadilhas. É, um lugar mais seguro. E eu farei tudo sozinha, tijolo por tijolo... Sozinha. E quando tudo estiver pronto, quando esse lugar for seguro e confortável o bastante, então talvez eu deixe alguém entrar. E fazer parte da minha vida. Minha, não sua, nem de ninguém. Minha.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Bondade



A bondade das pessoas às vezes me surpreende, muito mais do que a maldade que me decepciona. Acho que eu tenho uma expectativa muito ruim sobre as pessoas de modo geral. Estou sempre esperando o pior. Tirando uma pessoa, que eu espero tanto, que ela simplesmente não tinha como não me decepcionar um dia atrás do outro. Sou um pouco extremista de mais em relação ao mundo, hora amo de toda a minha alma, hora odeio beirando ao absurdo. E é ai que a bondade das pessoas às vezes me surpreende... As pessoas sempre desejam bem para quem elas amam, ou pelo menos é o que todo mundo diz. Eu não. Não é sempre que eu desejo o bem para quem eu amo. Não. Eu nunca entendi o "você está feliz e isso me faz feliz", não, o fato de você estar feliz não me faz feliz, não vou mentir, não tenho porque mentir. O fato do mundo inteiro estar sempre feliz me irrita e faz com que eu me contorça de inveja. Eu daria tudo no mundo para não ser eu, eu daria tudo no mundo para poder sentir essa felicidade ou satisfação que seja, só em ver outra pessoa feliz enquanto ela te fode e vai embora como se você fosse um saco de lixo qualquer. Eu não gosto que pessoas estraguem minha vida já muito precária, eu realmente não gosto. Não consigo entender as pessoas. Será que todas elas se acham tão boas assim? Sério mesmo?

O monstro que eu tenho dentro do meu peito, também existe no seu. As coisas horríveis que eu escuto em minha mente, você também escuta e as ignora sistematicamente. As coisas horríveis que eu já fiz e faço... Você também faria se não fosse medroso de mais para tal. Eu sempre me sinto muito desencaixada e incompreendida, mas no fundo somos todos iguais, sei que somos. E eu sei. Eu sei que você não fica feliz vendo alguém passar por cima de você, por mais que você "ame" essa pessoa. Eu sei também que você já desejou mal para alguém e isso foi tão assustador que foi reprimido na hora, talvez até antes de você ter percebido. Então parem de se fazer de santo, isso me irrita. Pare de dizer que faz as coisas pensando no bem estar das outras pessoas. É mentira, você sempre ganha algo muito bom em troca ao fazer coisas que as pessoas julgam como "justas" ou "caridosas" enfim. Você ganha uma coisa valiosíssima, que é o direito de ter a imagem de santo, de bom, de valoroso, melhor do que o resto do mundo, meros mortais cheios de defeitos.

Eu sou mais o inferno. Onde ao menos a pessoas se enxergam como realmente são. Eu sou mais os anjos caídos, questionadores, inquietos, nada conformados. As pessoas certinhas de mais sempre me soam muito erradas... Eu já fui certinha de mais, dito e feito, não conheço muitas pessoas piores do que eu e meu monstrinho.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Eu mereço algo melhor



Eu mereço algo melhor. É o que o mundo me diz. Eu sorriu e abaixo a cabeça. Às vezes me surpreendo com o quanto as pessoas não me conhecem. Ou será que sou eu que não me conheço? A vida é estranha e eu deveria começar a aprender com meus erros. Palavras duras, palavras de carinho, palavras que vivem me dando socos na cara e me acordando para a realidade. Mas eu fecho os olhos de novo, eu sempre fecho os olhos. Eu cometeria o mesmo erro. Espero um dia ser forte o bastante para não falar isso, mas, por enquanto, eu cometeria o mesmo erro. Valeu a pena? Não sei, quem sabe? Pelo menos tive um gostinho do que significa o amor. Foram poucas as pessoas com as quais eu contruí sentimentos tão fortes. Às vezes penso que é o fim do mundo, às vezes vivo o fim do mundo... Mas sempre passa. O fim do mundo sempre acaba e sempre há um "depois". Eu vou ficar bem, também é o que todo mundo diz. Eu vou ficar bem. É uma pena que eu sempre volte a chorar.

Eu sempre choro nos lugares errados, choro quando estou sozinha e economizo meus sorrisos para quem eu amo. Assim ninguém vê minha dor, assim ninguém se sente sobrecarregado com ela. Não gosto de dar trabalho, tenho medo de dar trabalho... Tenho medo de um dia não conseguir mais me levantar e caminhar sozinha, tenho medo de um dia depender o tempo todo de alguma pessoa. Sempre me lembro dos dias, que pareceram séculos, em que eu passei internada na clínica. Sempre lembro de como não podia fazer nada sozinha e estava 100% do tempo sendo vigiada. Era uma vida estranha... Eu tinha a sensação que eles tinham me roubado absolutamente tudo. Na noite em que eles me amarraram em uma cama para que eu não me machucasse... Não me restava mais nada, absolutamente nada. Era só eu comigo mesma, lutando contra o universo, contra as amarras em seus braços e pernas, lutando para existir, para merecer de volta meu lugar na sociedade. São coisas que mudam a gente. São momentos que nos transformam para sempre.

Eu reconquistei meu lugar na sociedade. Pouco a pouco, tudo o que foi arrancado de mim, eu fui ganhando de volta. Até o dia em que eu saí daqueles muros e a liberdade sorriu para mim. Não há sensação melhor do que essa, sair por aqueles muros... Enquanto lá dentro todos os outros pacientes e equipe de enfermeiros e médicos acenavam para mim, me desejando toda a sorte do mundo. Eu espero nunca voltar. Eu espero continuar independente e livre para sempre. É engraçado como eu me recusei a perder minha independência frente ao mundo inteiro e abro mão dela tão facilmente quando se fala de amor. Não é estranho?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Meu presente para você



Eu quis te dar um presente. Meu último presente. Eu respirei fundo, como quem vai pular em uma piscina gelada, e me joguei de cara nessa vida incompleta. Estou me esforçando. Estou fazendo tudo o que posso. Você consegue enxergar? Você consegue entender? Meu presente é continuar viva. Eu estou tentando com todas as minhas forças, seguir em frente. Eu espero que dê certo, eu espero que meu presente dure, eu espero que você goste. É difícil, entenda, muito difícil. Há coisas que nos fazem mal, mas que nos dão tanto prazer que acabamos por relevar esses pequenos detalhes. A vida ao seu lado foi doce, não adianta mentir. Tão doce quanto eu nunca havia experimentado. E viciante, envolvente, daquelas que te cegam e você nem percebe. Eu gostava dela, eu amava ela. E assim era muito fácil ignorar o lado ruim, mas agora que eu não tenho mais a parte doce dessa vida... Tudo se tornou um pouco escuro de mais, entende? Estou sofrendo as consequências por ter me deixado levar, por ter me envolvido durante tanto tempo com essa confusão disfarçada de tantos sentimentos bons. E enquanto eu tento salvar seu presente, mil coisas me puxam para baixo e se colocam na minha frente. Eu estou fazendo tudo errado, não estou? Me desculpe, estou tentando, eu realmente estou tentando.

Eu respiro fundo e fecho os olhos, pedindo ao menos um minuto de descanso, mas eu não tenho um minuto. Meus monstros vêm me assombrar assim que meus olhos se fecham e a vida é pesada de mais quando eu os abro. Eu estou tentando, com todas as minhas armas, todos os dias, em absolutamente todos os minutos. E o mais triste é que eu nem consigo fazer você enxergar. Isso era para ser um presente, era para ser bonito, era para ser algo que tanto eu quanto você iriamos nos orgulhar. Se eu pudesse fazer isso, estaria tudo bem, de verdade, e eu conseguiria falar com você como falo com qualquer amigo, conseguiria olhar para você como olho para qualquer amigo, poderia suportar seu abraço como sendo só um abraço e mais nada. Mas as coisas não são assim, não é mesmo? Eu tenho medo de onde tudo isso vai parar, eu tenho muito medo. Gostaria que seu presente durasse, o tempo que você quisesse, mas temo não aguentar por muito tempo. As coisas são um pouco incertas de mais. Me desculpe. Me desculpe por não conseguir nem isso fazer direito. Para você tudo parece tão fácil, quando eu te olho assim de longe. Entenda, nem todos são assim. Eu realmente queria te dar algo especial... Eu realmente queria que você me visse bem logo, bem e independente, forte e feliz e tudo o mais, não seria ótimo? Eu estou tentando, juro que estou.

É meu último presente, minha despedida... Acenar para você, mesmo assim tão longe, e conseguir sorrir. Você ficaria feliz com isso, não ficaria? Eu quero muito te ver feliz, mas entenda por favor... Dói de um jeito um pouco insuportável de mais aqui dentro e às vezes eu sou obrigada a ser egoísta simplesmente porque não consigo aguentar mais. Me desculpe por isso também. Eu passei tempo de mais te colocando em primeiro lugar, tanto tempo que agora sinto como se tivesse me perdido para sempre. Agora eu preciso me encontrar, não sei onde, e me colocar a sua frente. Só que me colocar em primeiro lugar talvez seja um pouco perigoso de mais, ainda mais com esses pensamentos tão errados. Eu posso encarar tão facilmente a morte ou a dor como um caminho bom quando estou sozinha, é como se eu não existisse quando deixada sozinha. Ridículo não é? É assim que eu me sinto. Anulada, excluída, ausente. Só porque estou sozinha. Então, por enquanto, enquanto eu ainda tenho medo do que eu poderia fazer caso me colocasse em primeiro plano, eu me concentro em dar esse presente para você. Desculpe o mal acabamento ou o estado em que ele se encontra, eu vou melhorá-lo, estou fazendo de tudo para melhorá-lo.

domingo, 7 de abril de 2013

De mudança



As coisas mudam, quer você queira ou não. E no fim, na maioria das vezes, é quase tudo a mesma coisa. Sinto que estou seguindo em frente, um passo de cada vez, mas, às vezes, quando olho para os lados, tudo parece tão igual. Como se eu estivesse andando em uma esteira, milhões de km sem sair do lugar. E então? Estou pensando o que devo fazer, qual caminho devo seguir, quem eu quero ser e quem eu consigo ser, mais um gole de vinho ou cerveja, foda-se é o que eu tenho vontade de gritar. Eu só quero que minha vida flua, um pequeno rio independente, quero que as coisas caiam do céu pelo menos uma vez na vida, quero minha certeza cega de anos em que eu já fui muito mais infantil e simples. As coisas mudaram... Eu costumo odiar mudanças. Eu gosto do que é certo e constante, já que meu interior é tudo menos certo e constante. Mas eu me meti com a pessoa errada. É sempre assim, não é? Eu insisti tanto, me esforcei tanto para dar certo, movi o mundo inteiro, coloquei isso como centro do meu universo... Para que? Eu preciso aprender a ser menos burra e teimosa.

Bom, o que mais eu poderia fazer? Quando a gente quer alguma coisa a gente luta com unhas e dentes por ela. A gente acredita, a gente tenta, perdoa. Dessa vez vai dar certo, tenho certeza. Eu nunca mais vou aceitar. Essa é a última vez. Dá próxima vez não vou deixar passar em branco, etc, etc e etc. Bobagens que a gente pensa e faz quando estamos cegos por algo. Mas agora as coisas mudaram, cedo ou tarde, elas sempre mudam. E eu me pergunto como sair dessa armadilha que só me faz ficar andando no mesmo lugar. O tempo todo no mesmo lugar. Eu quero avançar e esquecer, superar, me tornar cada vez mais forte. Eu não sou nada forte, sou patética, repetindo sempre os mesmos erros, dia após dia. Um amigo disse que eu não aprendo. Ele tem razão. E não é só com isso que eu não aprendo. Minha psicóloga está sempre me ensinando como sobreviver ou me comportar nas situações em que eu tenho dificuldade para lidar, ela precisa sempre repetir milhões de vezes até eu aprender. E mesmo quando supostamente aprendo, a qualquer momento eu posso dar um passo para trás e esquecer tudo.

Essa minha dificuldade é cansativa (que dificuldade não é afinal?). Eu trabalho durante meses em algo e esse algo pode desaparecer a qualquer instante. Toda vez que há um progresso, pode ter certeza que um dia terá um regresso. Pelo menos comigo é assim. Principalmente agora com essas mudanças, tudo está muito mais frágil. Sinto como se pudesse quebrar a qualquer instante. A vida está toda estranha, entende? Falta algo, como se tivessem tirado a pilastra principal que sustentava um prédio ou algo do tipo. Tudo está meio bambo e incerto. Tento olhar para o futuro e me ver seguindo em frente, tento minha vida de volta, mas não consigo. Não enxergo nada, só essa maldita escuridão. Eu poderia morrer, por que não? Não entendo porque estou vivendo... Me arrasto todo dia para sair da cama e nem sei porque. Faço tudo meio desligada, meio ausente, meio sem querer. É claro que ainda tenho momentos ótimos, mas eles sempre passam... E a dor volta, ela sempre volta, não importa o quão bom o dia tenha sido. Parece que nada é bom o bastante. Desde quando eu me tornei tão exigente?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A corda bamba de qualquer relacionamento



Eu prefiro não pensar. Está tudo bem, está tudo bem. As coisas vão dar certo, certo? O mundo vai parar de se desfazer em minhas mãos e amanhã tudo estará do jeito que sempre foi. Fecho os olhos para os sinais, para as pistas que me dizem exatamente o contrário. Eu estou tão sozinha, mas quem liga? Todos os dias, dia após dia, sou uma sobrevivente, mas quem liga? No fim estou sempre falando sozinha, não é? Sempre, sempre sozinha. Onde está você e suas promessas vazias? Não importa. Importa... Importa tanto que só o fato de respirar longe de tudo que eu amo, dói, dói um pouco além do que eu consigo suportar. Não, não quero pensar nisso. Fecho os olhos com força e prefiro me encontrar com meu monstro aqui e agora do que com todas essas verdades afiadas. Por que isso sempre acontece? Como vou aguentar, como vou continuar aguentando? As mentiras têm perna curta, elas não vão durar... Eu sei disso, todo mundo sabe. As pessoas me olham desconfiadas, todo mundo sabe que você não está bem, só você que continua fingindo acreditar nisso. Mentiras e mais mentiras. Estou bem, estou bem, estou bem, repito para mim mesma de olhos fechados. O mundo desmoronando ao meu redor. Nenhuma alma ao lado para segurar minha mão. Vai ficar tudo bem.

Eu te olho de longe e sinto tanta coisa que nem sei explicar. Sua vida continua e está tudo ótimo, certo? Eu queria ser você, eu queria ser feliz, eu queria não me importar, poder fechar a porta para esse inferno que eu sou e pronto, ficar livre para sempre disso tudo. Não seria maravilhoso? Mas vai ficar tudo bem... É o que todos dizem. É o que eu quero acreditar. Eu decidi me esforçar, decidi lutar mais um pouco, mas para que mesmo? Sempre esqueço. Quase nada importa, talvez as coisas não estejam tão bem assim, não é mesmo? Me sinto perdida, o que devo fazer? Para onde ir? Eu só quero fugir dessa dor toda que insiste em permanecer, eu só quero não pensar em todas essas coisas ruins... Eu quero levantar amanhã e sorrir, porque faz tanto tempo que não faço isso, faz tanto tempo que a vida perdeu seu brilho e eu não me sinto mais simplesmente feliz. Eu quero de volta... Quero de volta minha vontade de viver, quero de volta meu sorriso, sabe, ele não é exclusivo seu. Quero de volta as risadas, a alegria palpitante aqui dentro, a energia e vontade de mover o mundo para ficar ao seu lado. Quero de volta. Quero de volta tudo o que eu sou, isso simplesmente não é justo. Eu não sou sua. Não sou, não sou e não sou. Nunca fui. E no entanto você me roubou de alguma forma, tão injusto.

Tudo bem se as coisas forem diferentes, tudo bem... Eu só quero minha vida de volta, a Sabrina de volta, a Sabrina que você amou, não essa Sabrina. Entende? Como posso gostar de mim mesma se o melhor de mim se foi junto com você? Isso deveria ser proibido... As pessoas de se enganarem desse jeito, de serem tão felizes em cima de uma corda bamba. Por que um dia tudo acaba e então? O que você vai fazer? Não vale a pena, não, não vale. Eu costumava acreditar em tanta coisa... Como pude ser tão burra? Eu costumava sorrir e me sentir preenchida, a vida costumava fazer sentido e o futuro... Havia esperança quando eu olhava para o futuro. Tudo porque você estava na minha vida, não é ridículo? Quem é você? Onde conseguiu tanto poder? Isso é ridículo. Só uma garota... como tantas outras... E isso acontece o tempo todo, pessoas se apaixonando, pessoas se relacionando como se essa corda bamba fosse um corredor largo e seguro. Não é... Não é. Alguém deveria avisá-las.

domingo, 24 de março de 2013

Você disse



Adeus. Você não tem mais nada para falar. Adeus. Para onde foram esses últimos anos? Adeus. Tão perto e tão longe. Tanta raiva aqui dentro, tanta magoa. Por que você faz isso comigo? Por que eu simplesmente não te deixo ir? Estou sozinha? Minhas lágrimas não me deixam ver, quero gritar mas como sempre minha boca não tem nada a dizer. Por favor... Algo sussurra dentro de mim. Uma pequena criança há muito esquecida. Não vá embora. Suma da minha frente. Não me deixe. Desapareça. Por favor... Eu me odeio, me odeio, me odeio. Por que não consigo deixar que as coisas partam? Prefiro viver uma mentira a um adeus. Isso é doentio. Eu quero ser livre também, quero não depender de ninguém, conseguir sorrir sozinha e aguentar o tranco da vida sem nenhuma muleta. Mas isso é ridículo, estou tão longe disso que não consigo nem me imaginar vivendo assim. Que merda. Eu só quero parar de chorar como uma idiota e que essa dor toda diminua. Você disse que melhoraria com o tempo, você disse... Você disse tantas coisas. Não está acontecendo, não está. Eu não estou melhor, não estou melhorando. O mundo não para de desabar a meus olhos e eu não sei até quando eu vou aguentar. Você sabe que ninguém pode me deter, se eu quiser, se eu realmente quiser, nada nem ninguém pode me parar. Eu só preciso de uma lâmina, uma pequena lâmina inofensiva. A pele é tão fácil de ser cortada, a carne, as veias... Sinto que estou em casa com uma dessas lâminas na mão, sinto que estou fazendo o que nasci para. E meu monstro não está tão distante assim do que o que eu realmente sou.

O problema é esse filme na minha cabeça. Você sabe. Você salvou minha vida e agora a está destruindo. Acho que você tem esse direito. Eu te dei esse direito, eu te entreguei por inteira em suas mãos. A culpa foi minha, eu me apressei de mais, me joguei de cabeça, confiei cegamente... Fui uma imprudente. Não se deve entregar a vida a alguém, sua vida. É seu bem mais precioso, ela é sua. Mas comigo não é assim. Quero me livrar da minha vida, minha vida é um peso muito grande para meus próprios ombros. Sou uma folgada, uma sanguessuga, um vampiro, me jogo na vida de outra pessoa e de repente, sem que essa pessoa perceba, ela está carregando todo meu peso, todos meus problemas, tudo. Sou uma pessoa horrível, não sou? Sou um monstro. E ainda digo que amo. Amo? O que é o amor? Se for essa droga viciante, essa coisa que nos torna dependente e despedaçados, então eu amo. Amo mais do que qualquer pessoa que eu já conheci no mundo. Amo visceralmente, compulsivamente. As pessoas se assustam, as pessoas se afastam. As pessoas sempre se assustam e se afastam. Não me importo com elas. Só me importo com aquelas que eu "amo", as escolhidas a dedo, as que surgem na minha vida para ficar. E ficam. Mesmo que eu tenha que girar o mundo de ponta cabeça para tê-las. Isso mesmo, tê-las. Sou possessiva, bem possessiva.

Preciso parar de ser assim... Mas para quem é acostumado a tão pouco ou nada, é difícil abrir mão das migalhas que lhes são dadas.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Ausência




Vazio. Inquietação. Dor. Principalmente o vazio. Eu sorrio para as pessoas e continuo tentando sem gentil. Gostaria tanto de um amigo aqui comigo, gostaria tanto de um cigarro aqui comigo. Eu sorrio mas é tudo mentira, se as pessoas pudessem ver como eu sou por dentro, o quão podre e quebrada eu sou por dentro, ninguém se aproximaria e diria coisas bonitas como algumas pessoas dizem. Na medida do possível eu estou tentando... Ainda não desisti. O problema são essas pequenas coisas do dia-a-dia que me derrubam. Essas fotos, essas pistas do que está acontecendo naquele universo que um dia eu pensei ser meu. No fim... Eu nunca pertenci àquele lugar, não é mesmo? Eu era só a namorada de alguém. Namorados vem e vão, os amigos nunca dão muita atenção para eles... Alguns inclusive ficam com raiva porque acham que ele (o namorado) está roubando muito tempo e atenção que poderiam ser gasto ali, entre amigos. Eu fui só um intrusa. E agora nem isso eu sou. Bom, agora acho que ninguém precisa ficar com raiva de mim.

Estou triste agora, muito triste. Não tenho mais vontade de ir para a faculdade, acho que era de se esperar. Não tenho mais vontade de coisa alguma. Pensei em assistir filmes fortes porque isso me da uma sensação engraçada, mas eu não tinha nem ânimo para procurá-los na pasta do meu computador onde eles estão. Pensei em me cortar de novo mas está cada vez mais difícil esconder isso da minha mãe. Estou com oito cortes novos no meu pulso esquerdo, esse número está me incomodando... Precisa ser três ou um múltiplo de dez. Gosto que eles tenham um padrão. Estou triste... E feliz por estar conseguindo perceber que estou triste finalmente. Algumas pessoas me chamaram para sair, algumas vieram conversar comigo... Isso é legal da parte delas... Eu só queria ter mais energia para sair com todo mundo. Esse sorriso que eu preciso estampar no meu rosto quando encontro alguém... Não é que eu seja falsa, eu só não quero causar problemas, só não quero desabar na frente de ninguém. Não quero que ninguém me veja quando as coisas começam a dar errado.

Para as outras pessoas sempre parece tão fácil... Aos meus olhos. Talvez não seja, mas então elas sabem mentir muito bem. Voltei a tomar os malditos calmantes, odeio o que eles fazem comigo. Me sinto tão morta e anestesiada. Minha mãe, minha psicóloga e meu psiquiatra falam que eu tenho que tomar nessa fase, quando estou me cortando muito e sendo impulsiva, mas eu odeio. O calmante é lerdo de mais para fazer efeito, eu consigo fazer um estrago bem grande até ele começar a fazer efeito. Enfim... É quase inútil. Tirando uma ou outra situação. De qualquer jeito as pessoas insistem que a vida continua. Talvez a delas. Não a minha. Estou estacionada em algum deserto, esperando alguém que disse que ia fazer alguma coisa e que voltava logo. Ninguém vai voltar, sei disso tanto quanto sei que o sol queima minha pele e no entanto continuo lá. Esperando.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Quebrado em mil pedaços




Eu tento não pensar, tento não sentir, tento manter meus pés em linha reta. Vai ficar tudo bem, posso ouvir sua voz em meus ouvidos, vai ficar tudo bem... Me lembro de tudo que vivi com você, tudo tão real, tão bom. Me esqueço por um instante de todos os problemas que tivemos, todas as brigas e términos, todas as lágrimas. Meu peito dói, meu pulso também. Eu realmente não sei o que fazer, estou confusa e perdida, olhando sem entender, como se uma tempestade tivesse passado por mim e me tirado tudo. Era esperado, não era? Mas eu não quero ver, eu nunca quero ver. Me deixe pintar minha vida de uma forma mais bonita, por favor. Me deixe fantasiar, criar expectativas, ideias, felicidades inexistentes. Sigo mentindo para mim mesma. Está tudo bem. Ela vai voltar, sei que vai. E enquanto um lado do meu ser sorri e cultiva essas mentiras o outro explode de raiva. Como você pode fazer isso comigo? Como pode? Não é justo, não é justo, não é justo. Eu te amei tanto, com todo o meu ser, de todas as formas possíveis e no fim nada disso importa. E assim eu me divido, mais do que o normal. Não consigo entender mais o que eu estou sentindo, minha reação física está desconectada da minha reação emocional, dou risada quando quero chorar, e a dor me leva a auto-mutilação, mais e mais dor. Estou fazendo tudo ao contrário, uma completa bagunça.

Você vem falar comigo e uma parte de mim chora, outra parte sorri, outra parte quer voar em seu pescoço. Às vezes te maltrato, às vezes te chamo de amor, às vezes me faço de vítima. E você sempre respondendo a mesma coisa... Como se, no fim, o jeito que eu estou pouco importasse. Como se você só precisasse dizer para si mesma que está fazendo algo. Meu cérebro está lotado de ideias ruins relacionadas a você. Mil motivos para você ter me deixado, mil pessoas que você poderia ter começado a amar, mil erros que eu possa ter cometido. Eu não sou boa o bastante, é minha ideia preferida. Você vai pegar aquela menina, segunda ideia preferida, você nunca me amou, você só me usou, etc, etc, etc. Não consigo chegar a conclusão nenhuma, não consigo entender ou aquietar as vozes em minha mente. Não me conformo. Não aceito. Não entendo. Você vai ter que perdoar minha infantilidade, mas eu sou uma pessoa bem burra no quesito entender a cabeça alheia. Todos somos, creio. E os dias passam. E eu vou piorando gradativamente. Ontem voltei a ter medo de tomar banho. Voltei a acreditar que meu monstro ia sair do meu peito quando eu fechasse os olhos e me atacar. Minhas pernas não param quieta. Não durmo de noite. Voltei a me cortar. Voltei a beber. Estou fumando muito mais. Tolerância zero a frustrações, irritabilidade, agressividade. Os sintomas de despersonalização voltaram. Paranoia. Medo. Pânico. Impulsividade. Auto-destruição. Enfim... A lista é longa.

Está tudo errado, não é mesmo? E eu não me importo nem um pouco. Se existia algum amor para com a Sabrina, essa Sabrina, morreu nos últimos dias. Às vezes chego a tentar pensar nos meus amigos, eu só gostaria de não preocupar ninguém, de não dar trabalho para ninguém. Eu amo cada um deles, de todo meu coração. É o que ainda está vivo aqui dentro. Gostaria de tê-los comigo sempre, gostaria de não decepcioná-los... Mas eu sei que isso não é possível. Espero que um dia eles me perdoem, perdoem meu egoísmo e minha fraqueza. Eu não sou boa o bastante para nenhum deles, gostaria de ser, mas não sou. Eu odeio a Sabrina, odeio quem ela foi e quem se tornou tentando fugir do que era. Eu estou perdida. E o mundo não vai parar para eu me encontrar, ele nunca para.

terça-feira, 12 de março de 2013

Uma carta de despedida



Desde o começo eu soube que você não me amava como eu te amo. Sempre foi óbvio... Mas eu costumava acreditar que esse seu amor seria o bastante. Parece que não. Parece que eu confundi um pouco as coisas. Agora nada mais parece fazer sentido. E o fato do meu corpo se encaixar tão bem em seus braços. A energia que eu sinto quando nossos lábios se encontram, nossos olhares, tão cúmplices, nossa sintonia, seu sorriso, seu toque, você é tão gentil comigo que chega a doer. De repente tudo isso não tem mais significado algum. Pensar em nós costumava me dar esperanças. Dois peixinhos nadando contra a correnteza. Desde o começo fomos contra a correnteza... E eu realmente pensei que poderíamos vencê-la. Cheguei a sonhar com nós duas, eu realmente sonhei. Mas agora nada disso importa. Tanto faz.

Você prometeu que eu não estaria sozinha. É o que você diz, mas eu nunca me senti tão sozinha em toda a minha vida. Me desculpe, me desculpe, mas eu me sinto abandonada em minha própria tempestade. Olho para os lados e é tão difícil ver alguém... Não é por maldade, sei que tenho amigos que me amam muito, é só que a dor me cega. A vida dos outros continua, sempre continua, e a minha não. No fim não importa muito o motivo, minha vida sempre para. Você vai me superar, sei que vai, provavelmente já está superando. Eu não. Eu vou chorar como uma criança abandonada pelos próprios pais, vou chorar até meu monstro assumir o controle. Vou carregar as marcas da minha dor em minha pele para sempre. Vou me martirizar até não sobrar quase nada. Eu sei que vou. Eu sou assim. Não importa quantos remédios me empurrem goela abaixo, não importa se vão voltar a me jogar dentro de uma clínica psiquiátrica. A Sabrina é assim e é sangrando a única forma que ela sabe lidar com a dor.

Não suporto despedidas. Faz tão pouco tempo que eu te dei um último abraço e já me parece que se passaram séculos. Sinto tanta sua falta... Me sinto uma idiota por te amar tanto, por ter acreditado em uma mentira durante tanto tempo. Agora acabou. Eu não tinha nada há dois anos e meio atrás, nem razões para viver ou coisa alguma...Foi quando você surgiu e iluminou minha vida. Agora estou aqui, dois anos e meio depois e de novo não tenho nada, só uma pilha de lembranças nas costas, muitas cicatrizes a mais, e olhos e coração cansados de uma vida que não nasceu para dar certo. Não sinto nada, só essa vontade de me cortar, de fazer algo de errado. Me sinto morta. Eu já estava me sentindo invisível e inútil antes de você terminar comigo, agora sinto como se estivesse desaparecendo. Minha dependência é completamente ridícula mas não sei como evitá-la. Algo morreu dentro de mim, posso sentir o cheio da vida apodrecendo e eu não sei o que fazer. E sempre que eu penso que não sei o que fazer, minha mente se volta para a auto-mutilação. Estou encurralada, me sinto encurralada... Minha mente está tão cheia de coisas ruins. Não sei o que fazer com elas, não faço ideia.

Do jeito que você diz parece fácil, mas você não está na minha pele, não é mesmo? Você diz que vai ficar tudo bem, mas eu não consigo enxergar isso. Queria acreditar em você, mas as coisas não são tão simples assim. Queria ficar feliz por você, por ter se livrado de mim e tudo o mais, feliz porque você está fazendo uma coisa boa para você mesma, mas eu não consigo. Não sou boa o bastante para conseguir sentir isso ou pensar dessa forma. A verdade é que eu estou absolutamente desapontada... Eu esperava mais.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Amor?



Minhas mãos rachadas. Meu toque não é macio. E meu abraço desajeitado, um pouco desesperado demais. Está tudo bem para você? As lágrimas estão o tempo todo escorrendo pelo meu rosto e às vezes eu me machuco. Está tudo bem para você? Não suporto a solidão mas rejeito quem tenta se aproximar. Tenho medo. Tudo bem? Eu vou pedir desculpas, o tempo todo, porque eu me sinto tão errada... As coisas estão sempre erradas comigo. Meu corpo, meu humor, meus sentimentos, meu jeito de ver as coisas, minha paranoia. Mas está tudo bem para você? Tento fincar meus pés no chão e me agarrar às certezas incertas. Grito para todo mundo ouvir se você quiser, essa certeza aqui dentro, mas a verdade é que eu não sei. Não sei nada sobre nada. De qualquer jeito, tento ser um porto seguro, você pode voltar para mim sempre que quiser. No fim você sempre volta para mim. Talvez isso seja amor, talvez. Eu só queria que você não precisasse tanto se afastar. Eu gostaria que você me arrancasse desse chão e me levasse com você. Tudo bem você me levar com você, de verdade, eu posso ser legal, sou uma boa ouvinte, você só precisa me dar uma chance.

Às vezes você me trata como se eu fosse feita de cristal e outras... Como se eu fosse feita de titânio. E geralmente deveria ser tudo ao contrário. Você é uma bagunça. Uma adorável bagunça. E eu não sou feita de cristal, mas também não sou feita de titânio. Você pode dividir seus problemas comigo, isso não vai me fazer mal nenhum. Mas você não pode me rejeitar e me excluir da sua vida porque você está com problemas e que, por sua teimosia, você quer resolver sozinha. Isso não é uma coisa muito legal de se fazer com as pessoas. Eu sou sua amiga, não sou? Amigos confiam um no outro. Mas as coisas vão se resolver, sei que sim, se conseguirmos conversar e nos entender. Podemos fazer isso, não? Vai dar tudo certo no final, como sempre, não é? A gente já passou por tanta coisa juntas, dois anos e meio não são pouca coisa para nossas curtas vidas. Sim, estou sentindo, estou sentindo algo bom, depois de tantos dias só me sentindo cada vez pior, em um redemoinho de dor e solidão. Hoje foi diferente. Hoje eu sentei sozinha como sempre, com meus cigarros e meus livros e tudo bem. Está tudo bem. Me olhei no espelho e me odiei pacificamente, suspirei e segui em frente, o que mais eu poderia fazer?

Eu não sou quem eu gostaria de ser. Tudo bem. Você está comigo e é só você que consegue fazer eu me sentir a vontade comigo mesma, só você consegue fazer com que eu me olhe no espelho e possa sorrir. Talvez você não perceba, mas você ilumina todos os lugares que você entra e eu sinto um ciumes enorme porque todo mundo se aproveita disso, sua luz não é só para uma pessoa, é para todo mundo. Eu sou egoísta, gostaria que você fosse só minha, mas você não é. Graças a deus você não é. De que serve uma luz presa em uma caixa afinal? É... Eu me orgulho de você, me orgulho tanto que nem sei expressar. Eu quero continuar a ver você alegrando e dando vida para tudo a sua volta, só não se esqueça de mim. Eu estou aqui, bem onde você me deixou. Não se esqueça, por favor.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Por que a luta continua?



Errado. Você não enxerga? Não percebe?

Onde está você? Não te sinto mais... Não te vejo mais... Não te ouço, não te nada. E tudo bem, para você aparentemente tudo bem. Eu pensei ser alguém, pensei em fazer a diferença, mas nada. Me sinto gritando do outro lado do oceano. Você nunca vai me ouvir. Tudo o que eu quero é quebrar essa barreira, atravessar essa maldita distância, fazer você se lembrar de quem eu sou. Mas nada. Estou sozinha e tem esse monstro dentro de mim, crescendo e crescendo, sinto a raiva dele direcionada a você e a todas as pessoas que eu amo e eu sinto que me abandonaram. Eu tento me controlar, o tempo inteiro. Mas ninguém sabe o quão difícil é. Sei que na maior parte do tempo a culpa é de ninguém, mas eu não consigo explicar isso para mim mesma. Eu só... Sinto. A dor, a solidão, a raiva. E de novo, de novo e de novo. As coisas não estão bens. Há um bom tempo eu estou avisando. As coisas estão muito, muito erradas.

E eu não sei o que fazer. De repente não sinto mais. E isso consegue ser pior do que a dor. De repente eu morri e nada mais importa. E quando nada mais importa, eu estou aberta a qualquer coisa, qualquer coisa. Talvez você entenda o que eu quero dizer, talvez não, espero que não. Quando se chega ao inferno, não existe pessoa no mundo capaz de te salvar, não existe mais amor, não existe mais orgulho próprio, não existe mais anda. É você contra seus próprios monstros, contra você mesmo. Talvez você consigo vencer e sair de lá, talvez não, impossível saber. Já fui muitas vezes para o inferno e voltei, mas a cada nova viagem, mais eu penso que minhas chances de voltar estão diminuindo. Eu não quero me perder, não é essa vida que eu escolhi para mim, não quero passar meus dias dentro de uma clínica, apodrecendo lá dentro enquanto o mundo inteiro tem a porra de uma vida perfeita e não percebe. Não quero passar meus dias dopada, amarrada em uma camisa de força ou em uma cama...

Não quero voltar para o inferno. E no entanto as coisas sempre caminham nessa direção. O que eu posso fazer? Tenho vontade de chorar toda a vez que tenho que tomar meus remédios, tantos remédios... E eu continuo piorando e piorando. Por quê? Por que não posso encontrar a porra do equilíbrio? Por que minha cabeça não pode funcionar como a de todo mundo? Isso não está dando certo, não está dando nada certo. Quero gritar na cara do meu médico, de todos os médicos, da minha psicóloga e todo mundo que um dia acreditou que existe saída para pessoas como eu. Não existe. Tudo o que estamos fazendo aqui é adiar o que há muito tempo já se tornou óbvio. Não? Não é isso que estamos fazendo? Mais um dia, mais uma luta, mais um dia e outra luta. Até que eu me destrua, enfim. Sem mais energias para lutar, sem mais remédios que possam me segurar, sem mais pessoas que um dia acreditaram em mim. Posso ver o futuro em dias escuros como este e ele não é nada agradável. Por que eu continuo lutando?