"A vida é aquilo que você faz daquilo que te fizeram"
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

O jogo da vida



Se sentir parte de alguma coisa, por mais insignificante que isso seja. Sorrir, cumprimentar as pessoas, conversar, trocas de modo geral. Trocas de palavras, gestos, momentos... Tudo milimetricamente pensado, ensaiado, planejado. Eu tenho que parecer uma pessoa normal. Não importa muito se dentro da minha mente eu sou uma bagunça, se meu mundo está desabando ou se a única vontade que eu tenho no momento é de me atirar no vão do metrô, nada disso importa se eu conseguir manter as aparências. É um jogo. A vida é um jogo. E tudo o que eu tenho que fazer para ganhar é ser quem eles querem que eu seja. Se eles querem que eu seja sociável, então eu saio mais e abro grandes sorrisos quando estou com alguém, posso me mostrar animada e divertida, posso falar besteiras para os outros rirem e tornar o ambiente leve e confortável. Se eles querem que eu seja inteligente, posso anotar cada palavra que o professor diz, aprendendo como uma esponja, posso estudar muito mais e tirar notas altas, posso conversar sobre assuntos que eu entendo e falar por um bom tempo. Se eles querem que eu seja atenciosa, carinhosa e aberta. Posso abraçar, beijar, prestar muito mais atenção, ouvir mais, ver mais, essas coisas...

Mas de um tempo para cá eu venho perdendo nesse jogo. Eles querem que eu seja isso e aquilo... Mas meu sorriso falha e sempre alguém me pega com o olhar perdido no horizonte, não estou feliz. Meu coração acelera quando estou com pessoas a minha volta e de repente eu não faço ideia do que falar e não falo nada, não tenho nada a dizer, nada para fazer alguém rir, nada de interessante, nada de nada. Não consigo me mostrar animada, muito menos divertida, não consigo se quer prestar atenção no mundo a minha volta. Não sinto mais vontade de sair, apesar de ainda me arrastar para lá e para cá, na esperança que esse desanimo desapareça. Na faculdade tudo se torna cada vez mais pesado, ouvir, prestar atenção, anotar, raciocinar, tudo. Quando eu me dou conta, passei uma hora e meia olhando para o nada, pensando em coisa alguma, ou em tanta coisa que nem sei mais.

Uma das coisas que eu mais quero na vida é dormir, o tempo todo, para sempre. E fugir de tudo, absolutamente tudo. Ando me viciando em meus sonhos, cada vez mais malucos. É como se cada noite que eu deitasse minha cabeça no travesseiro, um filme estivesse pronto para começar, cada noite é uma história diferente e eu me pego ansiosa para a noite chegar. Mesmo quando são pesadelos, quero vivê-los, prefiro vivê-los do que viver minha própria vida. Acho que eu cansei de perder nesse jogo que é a vida. Nos sonhos o mundo é diferente, o jogo é outro, as regras são outras e está tudo na minha cabeça, tudo é, supostamente, controlado e de um jeito ou de outro, seguro. Sinto falta disso quando meus olhos estão abertos.

sábado, 12 de março de 2011

Estou cansada.




Estou um pouco cansada... De sorrir, de mander a razão no comando, de ser gentil com todos, de tentar animar todas as pessoas a minha volta, de fazê-las sorrir. Estou cansada de dar apoio, de ouvir e ser compreensiva. Estou cansada de parar e pensar, de analisar outras possibilidades, de buscar saídas e não permitir a mim mesma a tristeza e a decepção de não ter o que eu quero. Estou cansada de segurar o choro, de me fazer de forte, de fingir que não preciso de um abraço todo dia.

Estou cansada de tentar manter minha cabeça ocupada. Quero chorar... Mas não consigo. Eu esqueci como se chora. Uma lágrima ou outra caem, solitárias... Mas o choro preso dentro de mim não vem a tona, eu não consigo. Não sei como chorar essa dor. Estou tão confusa.
Não sei porque de repente me sinto tão esgotada. Só quero que alguém me envolva em seus braços e me diga que vai ficar tudo bem, quero que alguém me prometa que vai ficar tudo bem e que eu não vou ficar sozinha. Só isso. Estou com medo também.

Não quero brigar, não quero discussões. Não quero saber o que eu fiz de errado ou deixei de fazer. Não quero pedir desculpas... Ninguém nunca pede desculpas para mim.

As pessoas sempre se importam, mas nunca estão prontas para admitir seus erros. As pessoas ficam preocupadas, mas nunca perguntam a si mesmas se a causa daquela dor foi algo que ela fez. Quero dizer... Na verdade algumas se sentem culpadas por tudo e outras por nada. O certo seria cada um olhar para si mesmo com a mesma justiça que julga os outros, coisa que nunca acontece.

Comigo acontece o seguinte... Estou cansada de me sentir culpada por tudo. De ser sempre a errada, tudo bem?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um certo olhar


Ele é um garoto incrível, ele sorri e brinca com todo mundo, é inteligente, divertido e carinhoso... Mas ele não olha em seus olhos tão facilmente. Ele sorri, mas seu olhar é tão triste.

O que fizeram com você?

Que monstros te perseguem? Que pessoas horríveis tiraram o brilho do seus olhos? Será que você também chora de noite? Será que você tem medo de ficar sozinho como eu? Será que você me entende? Será que eu também te entendo?

Sabe, eu não acredito que choro nenhum do mundo consiga expressar a dor por trás desse seu olhar, essa sua alma escura... Me pergunto se quem olha para mim consegue enxergar minha dor também... Alias se alguém vê algo a mais do que só as marcas em meu corpo.

Cicatrizes... Isso não quer dizer nada, tenho vontade de dizer. O pior de cada um de nós não está visível aos olhos nem pode ser descrito em palavras (por mais que eu tente). Não... O pior de nós, nossa ferida mais profunda e os choros mais desesperados... Tudo isso está enterrado dentro de nós. Para sempre.

O que fizeram com você?

É uma pergunta assustadora né? Uma daquelas que não precisam ser respondidas. Uma daquelas que carregam o peso do mundo. Não está tudo bem, eu sei que não. Mas sabe... Vamos esquecer um pouco isso. Vem, vamos procurar razões para viver, vamos nos agarrar a elas, vamos tentar tornar esses seus olhos um pouco menos tristes. Você não faz idéia do quanto é incrível. Posso caminhar ao seu lado?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

To Write Love on Her Arms



Há um tempo atrás, pesquisando sobre suicídio, cutting, etc. Eu achei uma coisa muito interessante. Já ouviram falar do movimento TWLOHA? To Write Love On Her Arms é um movimento sem fins lucrativos dedicado a apresentar esperança e fornecer ajuda para pessoas que lutam contra depressão, vícios, auto-mutilação e suicídio.

Tudo começou com a tentativa de suicídio de uma menina viciada em drogas e extremamente depressiva que, após fazer cortes em seu pulso, escreveu "fuck up" (foda-se) nos braços com seu próprio sangue. Cinco dias após esse incidente, houve a decisão de reverter esse quadro e nasceu a campanha To Write Love On Her Arms, que é uma campanha a favor do amor e da vida, apoiada por várias pessoas, incluindo muitos famosos.

Eu gostei disso... Taí uma campanha decente, extremamante útil e necessária. É isso ai... Procure ajuda. Resgatar é possível. Fácil? Nunca. Mas possível.

Ai vai o site oficial para quem quiser dar uma olhada: Clique aqui

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Convivendo a beira da loucura



Sabe... Quando nos referimos a transtornos psiquiatricos, muitas vezes esquecemos de falar sobre algo muito importante que são as pessoas que convivem com o doente. E hoje decidir falar um pouquinhos sobre vocês... Aproveitando o fato de eu ter acabado de perder dois amigos em função do problema que eu sou, além de ter afastado um ou outro também. Do mesmo jeito que tenho certeza que vocês não sabem o que e o quanto eu sinto, também não sei como vocês se sentem. Perdidos talvez? Impotentes? Não sei... A única coisa que eu sei é que os machuco, os decepciono, os confundo e muito provavelmente os mato de preocupação. Enfim, sou uma dor de cabeça das grandes. E pior... Não é sempre que vocês conseguem me ajudar, não é sempre que vocês conseguem me manter na linha, me animar ou seja lá o que for e isso os deixa frustrados. Mas não é porque vocês não são amigos bons o suficiente! É porque eu não tenho jeito mesmo... Me desculpem por isso. Vocês são brilhantes, sério mesmo.

De qualquer jeito... Uma coisa que pessoas que convivem com esses problemas precisam saber e ter bem claro em suas cabeças é que vocês não podem de jeito nenhum pegar os problemas desse seu amigo problemático para vocês! Você não podem de jeito nenhum pegar a dor dele para você. Se preocupar é uma coisa, tentar ajudar é outra, agora sofrer a mesma dor não vai ajudar em nada a não ser deixar o doente se sentindo mais culpado ainda. Ok? É importante separar as coisas... Porque se não você simplesmente não vai aguentar.

É claro que você pode simplesmente virar as costas e fugir do problema. O que é bem mais fácil. Mas caso você seja um daqueles cabeças duras pelos quais eu morreria, um daqueles que não desistem nunca, então você vai precisar ser forte, tudo bem? Forte e paciente, mas com pulso firme.

Lembrem-se que não queremos ser tratados com invalidos ou loucos, mas precisamos sim de ajuda e apoio (assim como todo mundo obviamente... Mas talvez nos precisemos um pouquinho mais). Não é fácil, não é agradável muitas vezes... Mas tem uma coisa que eu tenho certeza. Ninguém nunca será tão grato e os amará tanto quanto nós! Mesmo que as vezes não pareça (lê-se: durante um ataque de raiva destrutiva ou coisa assim). Eu não sei o que faria sem vocês, de verdade... Sabe, ter um amigo não significa ter alguém que irá carregar seus problemas. É claro que não! Ter um amigo significa ter alguém que caminhe lado a lado com você, só isso... Alguém que não te deixe sozinho, seja nos momentos bons ou ruins. Mas alguém que também saiba separar a sua dor da dele, para que ele possa ver seus problemas de fora, sabe? Quem tem a visão de fora consegue ver a saída muito mais fácil e só assim poderá realmente ajudar.

Não se esqueçam que a loucura não é contagiante, ok? Não tenham medo... Nós ainda continuamos a ser nós mesmos, em algum lugar aqui detro. Você só precisa olhar com mais atenção.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dói aqui dentro



É isso aí... Segredos e mentiras desmascarados. Contei para minha mãe que me corto (na verdade minha psicologa contou porque eu estava chorando tanto que não teria conseguido nunca por conta própria). Pois é... Dizem que se abrir e contar a verdade trás alivio, dizem que falar é um jeito de tirar um peso enorme das costas, mas eu não me sinto assim. Não me sinto nem um pouco mais aliviada... Desde o momento que ela soube, aqui dentro dói, dói muito mais do que o normal. Agora... a cada instante a única coisa que me vem a cabeça é o quanto eu sou um problema enorme, o quanto eu estou preocupando as pessoas a minha volta. A cada instante escuto minha mãe chorando e dói... Dói tanto. Escuto minha mãe perguntando e perguntando, insistentemente, o por quê... Me machuca tanto ver ela chorando, me machuca tanto decepcioná-la.

Não sou mais a filha boazinha, não sou a filha certinha, a filha que os pais se orgulhavam. Não sou mais nada do que se era esperado de mim.

Sabe... Me arrependo tanto de ter contado... Gostaria de poder morar longe, em um lugar bem frio onde seria bem mais fácil esconder. Se eu soubesse que iria doer tanto, eu teria me matado antes... Cara, eu me odeio. Me enoja essa coisa que sou eu. Me sinto um monstro... Um monstro horrível. Não importa o quanto digam que a culpa não é minha, é óbvio que é minha, qualquer idiota consegue ver isso. Tem alguém te obrigando a arrastar a lâmina por sua pele? Não, não tem. Logo, o culpado é você. Só você.

E mesmo agora, olhando para as marcas em minha pele e lembrando o sofrimento da minha mãe... Mesmo agora eu ainda quero me cortar, quero me cortar mais do que nunca. Eu preciso me cortar. O vazio aqui dentro me consome tanto. O que eu posso fazer? Se não isso, para me sentir melhor? Não vou conseguir. Eu sei que não vou.

Eu deveria morrer. É o que eu mereço. Quantas vezes eu ainda vou ter que pedir para que me mate, Deus?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O que fazer quando...



O que fazer quanto nos sentimos como estranhos dentro de nosso próprio corpo? O que fazer quando, de repente, a certeza deixa de existir, quando temos medo ao olharmos para nossas mãos, quando a angustia começa a nos vencer e a vontade de viver ou fazer qualquer coisa vai diminuindo e diminuindo? O que fazer quando tudo perde o sentido, quando a dor e a raiva começa a nos dominar, quando o choro já não pode mais ser segurado? O que fazer quando começamos a atacar quem mais amamos? Sem saber porque... Sentindo como se seu maior inimigo e monstro fosse você mesmo.

O que está acontecendo comigo?

E por quê?

Me cortar... É só o que eu penso. Momentos bons existem, é claro que existem... Mas a vontade está sempre aqui, viva e pulsante. Não só a vontade, mas também a indiferença que vem crescendo, o "preciso" disso para me sentir melhor. De repente, não me importo mais com o que o mundo pode pensar sobre mim, de repente não ligo mais para olhares assustados, de repente esconder, fingir e fugir não parece mais ter sentido... Esconder para quê? É só uma preocupação a mais, um problema a mais. Estou cansada... Quero desistir... Seria tão mais fácil, não se seria? Me render à minha dor e pronto, acabar logo com isso.

E meu psiquiatra adiou DE NOVO a porcaria da consulta... Estou entrando em pânico já. Quero só ver se aguento mais uma semana inteirinha... Vai demorar uns 30 anos para passar. Ele precisa trocar a porcaria do remédio que não está adiantando nada. Tá... Tudo bem... Essa semana vai ser o inferno, mas eu preciso manter a calma. Estou com um medo doido dos comprimidos acabarem, se já me sinto ruim com eles, sem eles acho que eu me mato de vez. Cara... Eu odeio quando ele faz isso. COMO um psiquiatra pode adiar uma consulta?? Tipo! E se eu, sei lá, decido me matar amanhã ou coisa assim? Eu preciso dele. Todos os pacientes precisam!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A lógica dos viciados



Ei, escute. Essas vozes em sua cabeça. Tem uma que chora... Chora baixinho toda vez que você encosta a lâmina em sua pele. Mas você quase sempre consegue ignorá-la, menos quando o choro se torna mais alto, desesperado e incontrolável, como se essa pequena parte, subtamente estivesse explodido, contaminando todo seu corpo. Tem outra alegre e outra triste, que brigam entre si, profundas e superficiais ao mesmo tempo, falsas, inconstantes e confusas. Mas tem uma que parece que está gritando mais alto, não está? Ou será que são duas já? A angustiada e a insensível talvez. Gritam para que você desista, gritam dizendo que você não vai conseguir.

Você acredita. Acredita que não existe saída, acredita que nunca irá melhorar. Acredita, principalmente, que precisa daquilo, precisa tanto que se não puder mais fazer isso, você nunca mais conseguirá sorrir e se sentir bem. Lembro de um video que eu vi a um tempinho atrás sobre cutting, o cara falava para se preparar, porque o gilete iria se tornar seu melhor amigo. Olha... Eu não diria amigo, mas sim a melhor droga. Sem dúvida. Fácil acesso, eficaz e discreta, totalmente legal. Todos fingem que não existe, todos se escondem, no silêncio imposto para que a imagem da felicidade e da perfeição seja mantida.

Fico imaginando... Quantos adolescentes... Adultos, crianças, não importa, estão nesse momento se cortando? Sozinhos... Escondendo sua dor, seus traumas e medos, atrás de sorrisos falsos, sem que ninguém nunca veja. Sendo socorridos tarde de mais, abandonados, esquecidos, mortos pelo peso da indiferença. Ou então... Sendo amados, sendo socorridos a tempo, mas sem nunca achar o caminho para a cura de fato, para a liberdade... Carregando a sensação que são só um peso e um problema para as pessoas a sua volta. Presos em seu circulo sem fim. Se cortar para se sentir bem, para poder mostrar para as pessoas a sua volta que você está bem, mas então eles descobrem, ficam triste, você fica mais triste ainda, e você se corta, para se sentir melhor e não se cortar nunca mais... Você se corta e se corta, para não machucar as pessoas a sua volta, para enganá-las. Mas é só uma mentira, infântil e ilógica. Você sabe que não faz sentido... Mas simplesmente precisa. Como um viciado. Como um viciado... Como é possível suportar a vida sem isso?

sábado, 14 de agosto de 2010

Hoje...



Hoje eu terminei de quebrar o que restava de meu coração. Hoje eu arranquei-o de meu próprio peito e o atirei no chão de propósito. Só para ver todas as cicatrizes, marcas e rachaduras arrebentarem em milhões de pedaçinhos. Hoje ganhei o passe de volta para o inferno, depois de ter tido o gostinho de alguns dias de liberdade. Hoje o inferno me recebeu de braços abertos, dizendo que ali era meu lar. Hoje eu cai mais uma vez. Ou será que eu me joguei? Talvez eu tenha me jogado mesmo... Hoje eu tentei ser livre, hoje eu ousei pensar que talvez eu não devesse me sentir tão inferior a todo mundo, mas fracassei. Eu poderia ter ficado quieta, poderia ter tentado me controlar melhor, poderia sofrer aquela dor lenta e constante, a dor de quem cai aos pouquinhos, penhasco abaixo, mas não... Não agüento mais essa tortura constante, essa dor de só estar viva. Então eu me atirei. De cabeça. Quase que pedindo para que o mundo me destruísse.

Mas lá de baixo... Eu vi. Eu consegui ver. Por trás do desespero, da dor, da solidão e do medo, eu vi. Vi que eu ainda existiam pessoas que se davam ao trabalho de descer até onde eu estava e tentar juntar os pedaços de meu coração. Meus amigos... Talvez ter uma família signifique isso. Pessoas ao seu lado... Pessoas que se importam... Pessoas que não te abandonam. Eu tenho sorte, eu sei que tenho muita sorte de ter tanta gente maravilhosa ao meu lado, mesmo quando eu penso que estou completamente sozinha.

Sabe... Gostaria de ter conseguido parar de chorar. Gostaria de ter tido a coragem para encarar meu maior medo, gostaria de não decepcioná-los nunca, gostaria de poder não deixar ninguém preocupado, gostaria de ser forte, gostaria de aprender a suportar toda essa dor, gostaria de conseguir caminhar com minhas próprias pernas... Mas eu não consigo, simplesmente não consigo. Por favor não me abandonem. Por favor. Por favor não me deixem sozinha, por mais que eu peça, por mais que eu implore, nunca desistam, por favor. Eu preciso de vocês, de todos vocês, tanto que vocês não fazem nem idéia.

Eu sei que é duro estar sempre ao meu lado... Sei que é uma carga pesada. Eu sei o quanto os machuco. Me desculpem, estou me esforçando, por favor acreditem, estou lutando com tudo que eu tenho. Eu sei que muitas vezes vocês não vão entender tudo o que eu sinto, sei que não vão compreender minhas crises nem nada, sei que pareço uma idiota, eu sei de tudo isso... Sei o quanto sou um peso para todo mundo. Mas não desistam de mim por favor...

Mas se for pedir muito... Eu vou entender também. Juro que vou entender. Eu sei também o quanto é egoísta eu pedir isso... Talvez fosse melhor vocês me deixarem sozinha mesmo. Não gostaria de estragar a alegria de ninguém nem nada... Mas eu peço assim mesmo. Peço porque quero que saibam o quanto vocês são importantes. Peço para que vocês saibam que, todos os dias que caminham ao meu lado, vocês estão salvando uma vida. Vocês são heróis. Todos vocês. Se um dia pensarem que não servem para nada, se um dia pensarem que não são ninguém (e eu espero que isso nunca aconteça) tentem se lembrar de mim, tentem se lembrar do quando foram importante para esse pequeno ser aqui. Quer seja com um abraço, quer seja com o silêncio, com um olhar, uma palavra. Não importa. Vocês estavam ao meu lado.

E mais uma vez, insistentemente: Eu amo todos vocês.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cutters



Não faço isso para chamar atenção. Não faço isso porque sou "emo". Não faço isso com o objetivo de me matar, apesar da morte rondar meus pensamentos como uma solução maravilhosamente fácil. Não faço isso porque me obrigam, e nem sembre faço isso pensando que eu mereça. Nem sempre faço isso porque não sei me controlar, a questão é, por que eu me controlaria? A dor cega. Não faço isso porque não vejo as consequências. Faço isso porque preciso.

Preciso porque não sei lidar com a dor de outra forma. Faço isso para não enlouquecer, por mais que pareça uma loucura maior ainda. Faço isso porque para mim, eu não possuo valor nenhum. Para mim, eu não estou fazendo mal a ninguém ao me machucar (só a mim mesmo, mas isso não importa), para mim é melhor sofrer escondido o quanto for preciso para poder sorrir depois quando eu estiver com as pessoas que amo, do que decepcioná-las. Para mim eu prefiro sim me esconder atrás de mascaras e mentiras se for preciso, porque eu tenho medo. Tenho medo de mostrar quem sou, tenho medo de decepcionar as pessoas, tenho medo de não conseguir ser o que se espera de mim, tenho medo de quem eu possa ser.

Faço isso, principalmente, porque estou ou sou doente.

Faço isso simplesmente porque faço. Assim, sem pensar nem nada. Faço isso porque não consigo mais chorar, faço porque preciso me sentir viva, faço porque me acalma e permite que eu continue fingindo que está tudo bem. Faço porque te amo e não quero que você me veja sofrendo, por mais ilógico que isso possa parecer. Faço porque preciso que alguém perceba minha dor, por mais que meu objetivo não seja chamar a atenção. Eu grito para que um salvador caia do céu. Porque preciso, me odeio por precisar, mas eu preciso.

Dizem que pessoas como nós deveriam morrer, dizem que somos doentes e perigosos, dizem que já estamos mortos. As pessoas acham que gostamos de fazer isso, acham que somos malucos e que só queremos atenção. Eles acham que deveriamos morrer.

Em silêncio, pessoas como nós, lêem e escutam seus comentários e brincadeiras, em silêncio gritamos para que nos matem então. Em silêncio gritamos para que vocês parem de brincar com isso. Em silêncio, ouvindo, pensamos maldosamente que vamos fazer de novo e de novo e que a culpa é de vocês, por nos machucarem tanto. Mas depois... Sozinhos e perdidos, nós sabemos que a culpa é nossa. Sabemos que somos monstros, mas se somos monstros, nós merecemos isso, certo? Então... Por que parar? Parar... Lutar para parar para quê? Pelas pessoas que amamos... Se ao menos tivessemos forças, poderiamos lutar por todos vocês. Mas simplesmente não conseguimos.

Como se pode fazer bem para alguém se não conseguimos fazer bem para nós mesmos? Como ajudar o próximo se não conseguimos ajudar a nós mesmos? Em silêncio, morremos aos poucos, sorrindo, mantendo as aparências, quietos em nosso canto. E ninguém vê.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aquilo que você não vê.



Você não vê o grito mudo por trás do peito de uma criança que chora escondido, o mais baixo possível para não incomodar ninguém. Você não vê as noites passadas em claro, os travesseiros molhados de lágrimas, ou até mesmo a falta dessas lágrimas. Você não vê o medo, não vê o desespero, o vázio. Quando nossos corações se quebram, com um olhar, uma palavra, um gesto ou a falta de tudo isso, você não vê e nós continuamos sorrindo. Quando estamos no fundo do poço, quando pensamos que não tem mais volta e queremos desistir de tudo, ai sim você começa a perceber. Mas ai já é um pouco tarde de mais, não é? Quando o desespero ameniza, quando a dor se torna um pouco mais suportável, nós sorrimos. Nós sorrimos, você deixa de nos ver e tudo volta ao "normal". Nós sorrimos quando é preciso, permanecemos em nossos lugares, aguentamos firmes e fortes enquanto podemos, lutamos para viver, para ao menos conseguirmos deixa um pequeno sonho vivo, uma pequena esperança de que as coisas vão melhorar.

Nós lutamos e ninguém vê. Você luta para passar na faculdade, nós lutamos para permanecermos vivos, lutamos principalmente para QUERER viver, buscando cegamente um motivo ou outro forte o bastante para fazer tudo isso valer a pena. Mas ninguém vê... Aos olhos dos outros somos fracos, desistimos frente a primeira pedra que cai em nosso caminho, somos frageis, cegos, burros, viciados, malucos, sem perceverança e força de vontade, sem caráter, sem amor próprio, sem consideração, egoistas, egocentricos, etc. Não somos ninguém. Mas nós entendemos, aceitamos todos esses nomes porque sabemos que é verdade... A gente não reclama não, sabemos o quanto pode ser difícil e frustante se aproximar de verdade de pessoas como nós. Sabemos que podemos dar muito trabalho e tudo o mais.

Mas isso doí. Dito desse jeito, sabe? Doí perceber que nunca ninguém vai ver nossa luta... Ninguém. Ninguém nunca vai nos parabenizar por continuarmos vivos, só por isso. Estar vivo é muita coisa, sabia? Para você pode ser idiota, para você pode ser ridículo achar que uma pessoa mereça receber elogios por continuar viva. É realmente muito egoista... A gente entende. Afinal, tem tanta gente morrendo por doenças e tantas outras coisas né? Doentes terminais, crianças morrendo de fome e sede pelo mundo, isso você vê. Mas pessoas como nós você não vê, você não vê que também estamos morrendo. Será que não é um pouquinho injusto? Todos vocês, que não conseguem ver nosso esforço, nossa luta diária, todos vocês que não entendem... Vocês nos diminuem. Nos diminuiem tanto.

Pense um pouco, por favor, antes de diminuir uma pessoa. Por favor.

Agora, para os que choram, para vocês, perdidos dentro de si mesmos, para vocês que sentem o quanto respirar e estar vivo pode chegar ao insuportável, para vocês que têem medo, para vocês que perdem a capacidae de sentir. Parabéns por estarem vivos! Vocês não estão sozinhos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sonhos Perdidos



Quando pequenos, sonhamos em ir para a Lua, sonhamos em ser médico, policial e bombeiro, sonhamos em ser atriz, poeta, escritor, pintor, professor, inventor, modelo, mãe. Quando pequenos sonhamos que o mundo é nosso, sonhamos que podemos voar e que nossa vida é grande e maravilhosamente linda e colorida. Quando pequenos, roubamos as estrelas, nomeamos árvores e chegamos realmente a acreditar que tudo aquilo nos pertencia. Inventávamos histórias e aventuras, éramos heróis, salvávamos gatos e crianças menores. O mau não existia em nosso mundo, não sabiamos o que significava maldade. A maldade só existia nas histórias, não no nosso mundo. Quando pequenos, um escorregador se transformava em uma nave espacial em um piscar de olhos, um pouco de água derrubada no chão virava um mar enorme e cheio de tempestades, quando pequenos, nada era só o que a gente via, o mundo se transformava ao nossos olhos a todo o instante. Quando pequenos a liberdade não era um conceito abstrato, a liberdade habitava em nossas mentes, era concreta, podiamos senti-la, logo em frente, sussurrando inúmeras possíbilidades para se viver. Quando pequenos, nossa mente voava e a gente nem desconfiava que logo tudo aquilo acabaria e voar iria se tornar cada vez mais difícil.

Quando pequenos... Crescemos. Quando crescemos descobrimos que o mundo não é nosso. Quando crescemos descobrimos que a vida não é uma brincadeira, descobrimos que pessoas que amamos nos decepcionam e nunca pedem desculpa, descobrimos que o mau existe e é pior do que imaginávamos. O mau não só existe como está escondido em todas as pessoas a sua volta. O mau não é feio, não é uma bruxa como nas histórias, não é um lobo. O mau está bem mais perto do que você pensava, o mau é simpático, sorri para você e te engana. O mau ganha sua confiaça e te elogia para você se sentir orgulho. O mau faz você se sentir bem, até quando você descobre a verdade, mas ai já é tarde de mais.

Quando crescemos descobrimos que nem todos os sorrisos são verdadeiros, que nem todas as risadas são boas, descobrimos que crianças também podem ser más. Descobrimos que a diferença entre os adultos e crianças é que as crianças são sinceras, se são más, não se importam em mostrar sua maldade, os adultos não. Os adultos se escondem atrás de mascaras. Descobrimos que não se deve nunca confiar em um adulto. Adultos são perigosos e imprevisíveis, eles são grandes e muito mais forte do que você, você precisa fugir deles.

Quando crescemos descobrimos que não podemos sonhar em ser astronalta ou bombeiro ou todas as outras coisas. Descobrimos que temos que fazer algo que dê dinheiro. Você não sabe para quê precisa de tanto dinheiro, mas falam tanto dele que deve ser realmente muito importante. Um astronalta não ganha dinheiro. Os adultos não querem saber se um astronalta ganha todas as estrelas e o universo inteiro, eles só querem saber de dinheiro. Eles não entendem. Você diz isso para eles e eles te chamam de criança, dizem que você precisa crescer e entender as coisas. Dizem para você parar de sonhar e começar a pensar na realidade.

Quando crescemos descobrimos que ser feliz é muito mais difícil do que imaginávamos. Descobrimos que temos que nos encaixar em um mundo que não concordamos e não entendemos, descobrimos que temos que ser melhor do que nossos colegas para conseguir alguma coisa na vida. Descobrimos que os professores só te dão atenção se você só tirar dez ou só tirar zero. Descobrimos que não somos ninguém no meio de milhões, não somos especiais, nem mais inteligentes, nem melhores em nada. Somos só mais um e ninguém nunca irá se importa conosco. Descobrimos que as outras pessoas torcem para o nosso fracasso. Descobrimos que no mundo ninguém é amigo de ninguém, no mundo os mais fortes pisam nos mais fracos e se sentem bem por isso. A única coisa que as pessoas fazem é te machucar e te decepcionar, sempre e sempre, você descobre que é o mais fraco, descobre que terá que lutar a vida inteira para que os mais fortes não pisem em você. Você descobre que simplesmente não vai conseguir.

As pessoas destroem seus sonhos, você não é boa o bastante para realizar nenhum deles. Você para de sonhar. As pessoas dizem que você é feio, burro, tapado, idiota e infantil, você acredita. Você tenta desaparecer. As pessoas dizem que você é mau e egoista, você acredita e começa a pensar que merece ser castigado. Você começa a se castigar. As pessoas dizem que você é tímido e introspectivo, você quer gritar e dizer que não é, você quer mostrar para eles que pode falar se quiser, mas você não consegue, você abaixa a cabeça e descobre que já não sabe se você é o que você acha que é ou se você é o que os outros dizem de você. As pessoas dizem que você não deveria ter nascido, dizem que você só vai continuar perdendo, dizem que você não vai conseguir. Você olha seu boletim, cheio de dez, e sente raiva dele, sente raiva porque as notas dizem que você é inteligente, mas é tudo mentira. Você não é inteligente, não adianta nada você se esforçar, não adianta nada ser uma bom aluno e um bom filho. De que adianta tentar ser tão bom se ninguém olhar para você? Ninguém vê o quanto você se esforça, ninguém vê suas vitórias. Só apontam as derrotas, só as derrotas e os defeitos. Você para de estudar.

As pessoas olham para você, sentado no chão desejando que um buraco se abra aos seus pés e que você desapareça para sempre. As pessoas olham e dizem que você é fraco, dizem que foi você mesmo que se colocou nesse buraco, dizem que a culpa é sua. As pessoas te chamam de exagerando, de chorão, de pessimista e continuam insistindo que a culpa é sua e que se você quisesse você poderia muito bem sair desse buraco. Dizem que o mundo é bonito e que você tem uma vida inteira pela frente. Você ri com sarcasmo, além de tudo eles ainda acham que você é burro para acreditar em uma mentira dessas.

Você se mata. E vai para o inferno. Afinal a culpa é tua, não é? Todo mundo te avisou.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Psicologia - Vende-se um amigo (?)



Já ouvi algumas vezes as pessoas dizerem que o psicólogo é um amigo pago. Bom... Começei a umas duas semanas a Terapia Cognitiva Comportamental, com uma psicóloga, e eu vou dizer uma coisa. Psicólogo está longe de ser "só" um amigo pago. Eles são incríveis, de verdade, é tipo assim... É uma salinha bonitinha, confortável e calma, com sofás e a primeira coisa que eles falam é que aquela sala é sua, só sua, vai ser o seu espaço daquele dia em diante (eu adorei quando ela disse isso, me deu vontade de sair bagunçando tudo, mas enfim...). Lá o assunto é você, só você, o psicólogo faz de tudo para te conhecer, para fazer você falar. Ele é super atencioso, calmo, paciente, compreensivo, é inacreditável. Sério mesmo. Por mais que eu adore todos vocês, meus amigos, psicólogo é coisa de outro mundo. Nunca que alguém teria paciência pra me ouvir durante uma hora inteira toda a semana, nunca que alguém seria tão compreensivo, tão... Não sei! Ela não briga, não olha feio, não se irrita. Nunca vi ninguém tão interessado em conhecer uma pessoa que nunca viu na vida, e é um interesse tão sincero. Gostei dela, de verdade. Vocês podem falar que é claro que ela está interessada, final eu estou pagando. Mas eu acho... que nem com todo o dinheiro do mundo eu teria paciência para cuidar de tanta gente problemática assim, tratando todos do mesmo jeito.

É um trabalho difícil, bem difícil. Imagina... Quantos pacientes será que ela tem? Ela me deu o telefone e e-mail dela, disse que nunca desliga o telefone, disse que eu posso ligar até de madrugada, quando e onde eu quiser. E ela faz isso com TODOS os pacientes. Se eu fosse menos tímida já teria ligado para ela umas duas vezes (isso que eu vi ela ontem). Fico até imaginando... Não é possível que ela suporte tudo isso. Como ela consegue? Quero dizer... Eu sou uma pessoa que crio dependência dos outros muito fácil, eu posso muito bem acabar "precisando" dela toda hora. Coitada... Se ela tiver mais uns três pacientes como eu ela já não vive né.

Psicólogos são muito diferentes de psiquiatras também. Psiquiatras são diretos, objetivos, eles procuram a doença, não a causa, só o problema em si. Psicologos não, eles não estão procurando a doença, estão buscando os "por quês", eles querem entender, conhecer, para depois tentar ajudar. Gosto mais dos psicólogos. Os anti-depressivos ainda não estão me ajudando em quase nada, mas talvez o tcc ajude... Espero. Estou gostando, de verdade.

A imagem é de um filme incrível chamado "Garota Interrompida", sobre psiquiatria.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Grite



É engraçado às vezes esse vazio dentro de nós, essa sensação de que alguma coisa muito importante está faltando, como se alguém tivesse roubado um pedaço da gente. Eu andei pensado... Parece que quanto mais vivemos, mais o vazio dentro de nós aumenta, como se pedaços de nós fossem roubados todos os dias. Ou talvez a questão seja quanto mais "não-vivemos", mas se eu não estou vivendo, como se vive? Nunca ninguém me ensinou.

Já ouvi dizer que a loucura, ou a depressão, não lembro bem, serve para que nossos olhos sejam abertos, serve para que pessoas como nós, que não se acham, aprendam a viver e a enfrentar a vida. É uma visão bem positiva... Mas enquanto esse vazio estiver aqui dentro, nada disso faz sentido. Como esses sentimentos poderiam ser positivos? Tudo bem... Vamos pensar em uma depressão simples, curada em uns seis meses, que ajudou a pessoa a... sei lá, fazer as escolhas da vida. Ótimo, a depressão veio aparentemente para o bem, mas e se o caso fosse outro? E se a cura não viesse assim tão fácil e rápido? Como provavelmente deve acontecer com muita gente. E se a cura não existir para essa pessoa? E se ela simplesmente for assim, ou então a cura chegar tarde de mais? Para mim, no momento em que a depressão passou a fazer com que o doente pense em suicídio, não tem como isso ser positivo. Simplesmente não EXISTE lado bom em uma pessoa se destruir aos pouquinhos. Por isso não entendo muito bem todos esses pesquisadores positivos.

Eles parecem meio insensíveis. Me parece gente que nunca sofreu de verdade na vida. Queria só ver se os pesquisadores sentissem na pele o que tanto pesquisam. Seria engraçado ver o tom dos artigos mudando radicalmente. Talvez o que falte no mundo não seja pesquisadores e especialistas, mas sim gente que realmente entenda o que sentimos, gente que chore conosco. O problema é que isso simplesmente é impossível... A não ser que o médico seja também o doente, o que obviamente não seria bom, porque os dois iam acabar se matando juntos. Mas talvez... Vocês, pessoas que choram escondidas, pessoas que sentem a dor corroendo-as por dentro, pessoas que se sentem perdidas, sem esperança. Talvez todos vocês devessem gritar, gritar bem alto para que o mundo perceba sua dor. Se todos nós nos ouvissemos, talvez não nos sentissemos tão sozinhos.

Ao menos se o mundo não nos reprimisse... Se esse medo de colocar tudo que nos aflige para fora não existisse. Seria fácil. Mas as coisas não são assim, não é fácil colocar nossos medos para fora, não é fácil se expor assim. Não é fácil, mas dane-se. Todo mundo precisa se abrir um pouquinhos as vezes, arejar, sabe? Se não agente explode. Então... Quer uma dica? Grite sim, do jeito que você puder, como e onde você puder, como se não tivesse ninguém olhando. Mas não guarde nunca tudo isso para você não. Pode grita que eu to ouvindo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Abuso sexual infantil - Quando o inferno mora ao lado



Seja qual for o número de abusos sexuais em crianças que se vê nas estatísticas, seja quantos milhares forem, devemos ter em mente que, de fato, esse número pode ser bem maior. A maioria desses casos não é reportada, tendo em vista que as crianças têm medo de dizer a alguém o que se passou com elas. E o dano emocional e psicológico, em longo prazo, decorrente dessas experiências pode ser devastador.

O abuso sexual às crianças pode ocorrer na família, através do pai, do padrasto, do irmão ou outro parente qualquer. Outras vezes ocorre fora de casa, como por exemplo, na casa de um amigo da família, na casa da pessoa que toma conta da criança, na casa do vizinho, de um professor ou mesmo por um desconhecido.

Em tese, define-se Abuso Sexual como qualquer conduta sexual com uma criança levada a cabo por um adulto ou por outra criança mais velha. Isto pode significar, além da penetração vaginal ou anal na criança, também tocar seus genitais ou fazer com que a criança toque os genitais do adulto ou de outra criança mais velha, ou o contacto oral-genital ou, ainda, roçar os genitais do adulto com a criança.

Às vezes ocorrem outros tipos de abuso sexual que chamam menos atenção, como por exemplo, mostrar os genitais de um adulto a um criança, incitar a criança a ver revistas ou filmes pornográficos, ou utilizar a criança para elaborar material pornográfico ou obsceno.


A Criança Abusada

Devido ao fato da criança muito nova não ser preparada psicologicamente para o estímulo sexual, e mesmo que não possa saber da conotação ética e moral da atividade sexual, quase invariavelmente acaba desenvolvendo problemas emocionais depois da violência sexual, exatamente por não ter habilidade diante desse tipo de estimulação.

A criança de cinco anos ou pouco mais, mesmo conhecendo e apreciando a pessoa que o abusa, se sente profundamente conflitante entre a lealdade para com essa pessoa e a percepção de que essas atividades sexuais estão sendo terrivelmente más. Para aumentar ainda mais esse conflito, pode experimentar profunda sensação de solidão e abandono.

Quando os abusos sexuais ocorrem na família, a criança pode ter muito medo da ira do parente abusador, medo das possibilidades de vingança ou da vergonha dos outros membros da família ou, pior ainda, pode temer que a família se desintegre ao descobrir seu segredo.

A criança que é vítima de abuso sexual prolongado, usualmente desenvolve uma perda violenta da auto-estima, tem a sensação de que não vale nada e adquire uma representação anormal da sexualidade. A criança pode tornar-se muito retraída, perder a confiaça em todos adultos e pode até chegar a considerar o suicídio, principalmente quando existe a possibilidade da pessoa que abusa ameaçar de violência se a criança negar-se aos seus desejos.

Algumas crianças abusadas sexualmente podem ter dificuldades para estabelecer relações harmônicas com outras pessoas, podem se transformar em adultos que também abusam de outras crianças, podem se inclinar para a prostituição ou podem ter outros problemas sérios quando adultos.

Comumente as crianças abusadas estão aterrorizadas, confusas e muito temerosas de contar sobre o incidente. Com freqüência elas permanecem silenciosas por não desejarem prejudicar o abusador ou provocar uma desagregação familiar ou por receio de serem consideradas culpadas ou castigadas. Crianças maiores podem sentir-se envergonhadas com o incidente, principalmente se o abusador é alguém da família.

Mudanças bruscas no comportamento, apetite ou no sono pode ser um indício de que alguma coisa está acontecendo, principalmente se a criança se mostrar curiosamente isolada, muito perturbada quando deixada só ou quando o abusador estiver perto.

O comportamento das crianças abusadas sexualmente pode incluir:

1.Interesse excessivo ou evitação de natureza sexual;

2.Problemas com o sono ou pesadelos;

3.Depressão ou isolamento de seus amigos e da família;

4.Achar que têm o corpo sujo ou contaminado;

5.Ter medo de que haja algo de mal com seus genitais;

6.Negar-se a ir à escola,

7.Rebeldia e Delinqüência;

8.Agressividade excessiva;

9.Comportamento suicida;

10. Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares;

11. Retirar-se ou não querer participar de esportes;

12. Respostas ilógicas (para-respostas) quando perguntamos sobre alguma ferida em seus genitais;

13. Temor irracional diante do exame físico;

14. Mudanças súbitas de conduta.



Seqüelas


O período de readaptação depois do abuso pode ser difícil para os pais e para a criança. Muitos jovens abusados continuam atemorizados e perturbados por várias semanas, podendo ter dificuldades para comer e dormir, sentindo ansiedade e evitando voltar à escola.

As principais seqüelas do abuso sexual são de ordem psíquica, sendo um relevante fator na história da vida emocional de homens e mulheres com problemas conjugais, psicossociais e transtornos psiquiátricos.

Antecedentes de abuso sexual na infância estão fortemente relacionados a comportamento sexual inapropriado para idade e nível de desenvolvimento, quando comparado com a média das crianças e adolescentes da mesma faixa etária e do mesmo meio sócio-cultural sem história de abuso.

Em nível de traços no desenvolvimento da personalidade, o abuso sexual infantil pode estar relacionado a futuros sentimentos de traição, desconfiança, hostilidade e dificuldades nos relacionamentos, sensação de vergonha, culpa e auto-desvalorização, à baixa autoestima à distorção da imagem corporal, Transtorno Borderline de Personalidade e Transtorno de Conduta.

Em relação a quadros psiquiátricos francos, o abuso sexual infantil se relaciona com o Transtorno do Estresse Pós-traumático, com a depressão, disfunções sexuais (aversão a sexo), quadros dissociativos ou conversivos (histéricos), dificuldade de aprendizagem, transtornos do sono (insônia, medo de dormir), da alimentação, como por exemplo, obesidade, anorexia e bulimia, ansiedade e fobias.



Fonte: Virtualpsy.org


Crianças abusadas sexualmente carregam cicatrizes durante a vida inteira. Por favor, tirem a incredulidade de suas caras, é mais comum do que vocês pensam. Escutem, observem, abram os olhos, acreditem. Denunciem.

sábado, 3 de julho de 2010

Separando a Verdade do Mito


Bom, esse post é de presente para o comentário infeliz de uma certa pessoa (lê-se Mendes). Para ele aprender a não falar besteira, estou fazendo isso com todo o amor e carinho, claro.

Ok, vamos do começo. Existe um preconceito nojento acerca das doenças mentais e da psiquiatria, isso é fato. Eu sei que as pessoas não saem por aí falando mal de pessoas problemáticas ou coisa do tipo, mas isso é uma coisa enraizada sabe? Psiquiatra é médico de louco, ponto. Não, não é! Pessoas normais também vão ao psiquiatra. Dêem uma olhada em uma coisa que eu li em um site:

"É comum nos depararmos no consultório com duas situações visivelmente desgastantes para as pessoas que procuram tratamento para depressão ou outros problemas emocionais. Primeiro, temos que lidar com um intenso e inexplicável sentimento de culpa. Muitas vezes, o paciente adia a consulta com um psiquiatra ou mesmo procura profissionais não especialistas para tratar da depressão em função desta sensação de culpa. Mas, culpa por quê? Em uma conversa mais cuidadosa, logo se identifica a origem da culpa: o pensamento (absolutamente infundado) de que ter depressão é sinônimo de fraqueza, incapacidade de reação da pessoa, uma verdadeira prova de fracasso em lidar com situações facilmente contornáveis pela maioria das pessoas. É interessante a constatação de que a pessoa não sente nenhum tipo de constrangimento ou culpa ao ser informada que está com uma doença física como pressão alta , diabetes, osteoporose ou hipotireoidismo."

Sim, eu também me sinto terrivelmente culpada. Eu também penso que é fraqueza. Mas o fato é que isso é uma doença, como outra qualquer. Só porque seus sintomas são muito mais emocionais do que físicos isso a descaracteriza como doença?? Claro que não! De uma vez por todas: Depressão é um problema químico no cérebro. QUÍMICO, entendeu? Não adianta nada você falar coisas como: "A vida é bonita!", "O Sol vai brilhar amanhã", "Tem gente muito pior no mundo" ou qualquer outra coisa idiota do tipo. Pelo amor de Deus né. Será que ALGUÉM melhora ouvindo isso? Imagina um depressivo então, isso sinceramente, faz a gente se sentir pior ainda (se é que isso é possível). Faz com que nos sintamos uns idiotas, incapazes, retardados, egoistas, fracos ou seja lá o que for. E a culpa aumentando e aumentando...

Portanto, por ser um problema de origem química, medicamento é uma coisa indispensável, ok? Tudo bem, para 30% dos depressivos eles não funcionam, mas para o resto funciona. Descobri também que aquela história que antidepressivo aumenta o risco de suicídio é uma mentira do caramba. Entendam, a falta de informação é que aumenta o risco de suicídio. Os antidepressivos demoram algumas semanas para começarem a fazer efeito, por isso pacientes suicídas podem se sentir frustrados no começo do tratamento, ai está o risco de suicídio. É preciso que o paciente saiba o tempo de ação do remédio, para ele não pensar que nada está adiantando. Isso sem contar que é preciso achar a dose cerca para cada pessoa, o que no mínimo é complicado.

Antidepressivos NÃO danificam o cerébro nem mudam a personalidade das pessoas. Eles só corrigem, ou tentam corrigir, o que está de errado lá. Só isso! Sem traumas nem nada do tipo. Eu não vou me matar por tomar isso e eu não vou ficar doida também, tudo bem? Sem pânico. Se eu ficar doida ou me matar, pode ter certeza, eu provavelmente estaria muito pior sem o remédio ou, no máximo, eu estaria igual (no caso de eu fazer parte dos 30% azarados), mas eles nunca fariam eu me sentir pior. A chave para a cura é antidepressivos e terapia, nenhum dos dois é muito eficaz sem o outro.

Alias eu vou aproveitar o post para esclarecer algumas coisas sobre a Depressão também. Até porque pouquissímas pessoas sabem alguma coisa sobre isso, a maioria tem idéias muito erradas.


Mitos e verdades sobre a Depressão:

1 – Depressão é uma doença de pessoas frágeis.
Mito. Este é um erro comum que ainda impede muitas pessoas de buscarem o tratamento adequado para a depressão. A depressão é caracterizada por um conjunto de sintomas específicos, de gravidade e duração significativas. A doença está relacionada a um desequilíbrio neuroquímico já bem estabelecido pela ciência. Porém, o mecanismo completo da doença ainda não foi totalmente desvendado pelos médicos. A depressão tem características importantes, afetando o humor, o comportamento, o pensamento e outras áreas do organismo. Acompanham os sintomas emocionais também os físicos, como dores crônicas, e os funcionais, como dificuldade de concentração e falta de motivação. Estes três grupos de sintomas normalmente comprometem de maneira importante o funcionamento cotidiano normal e também a vida familiar, social e profissional do paciente.

2 – A depressão está sempre relacionada a um fator emocional.
Mito. Embora os fatores emocionais, como morte de alguém na família ou uma separação possam desencadear o problema, nem sempre serão um gatilho para a depressão (as depressões mais preocupantes são as que aparecem sem um motivo aparente).

3 – Existem tratamentos eficazes para a depressão.
Verdade. A depressão é uma doença que já possui tratamento. Infelizmente, muitas pessoas ainda sofrem com o problema sem procurar ajuda médica. Os medicamentos para tratar a depressão são sempre vendidos sob prescrição médica e têm surgido opções mais modernas com alta eficácia e menos efeitos colaterais.

4 – A depressão tem cura.
Depende. Não se trata de um mito ou verdade absoluta. A depressão considerada doença, chamada de transtorno depressivo maior, costuma acontecer com episódios agudos que se repetem, podendo durar de semanas a meses e acontecer mais de uma vez num único ano. Em alguns casos, com tratamento correto, é possível, sim, o paciente se tratar e não voltar a ter mais o problema. Em outras pessoas, o tratamento correto proporcionará alívio dos sintomas e tornará bem menos freqüente o aparecimento dos episódios agudos, o que, sem dúvida, é um enorme benefício ao paciente. Por isso, acompanhamento médico é fundamental.

5 - Ao se sentir melhor, o paciente pode interromper o tratamento para a depressão.
Mito. O tratamento para depressão tem dois objetivos principais: o primeiro é o de tirar os sintomas do paciente e fazer com que ele volte à sua vida normal; e o segundo, que acaba sendo a maior preocupação do médico, e que muitas vezes não é levado em consideração pelo paciente, é o de impedir que a depressão retorne. O tratamento completo dura no mínimo de seis meses a mais de um ano, dependendo do transtorno que o paciente apresenta. Em torno de quatro semanas já é possível perceber a melhora dos sintomas, que podem até desaparecer completamente por volta da 12ª semana. Porém, se o tratamento for abandonado ainda neste período, a chance de haver uma recaída ou uma recorrência é muito grande e colocaria a perder todo o tratamento.

6 – A depressão afeta mais as mulheres.
Verdade. A depressão é uma doença que atinge até duas vezes mais mulheres do que homens. Os motivos podem estar relacionados ao papel do hormônio estrogênio, já que as mulheres são mais suscetíveis às variações hormonais.

7 - Todo medicamento para depressão compromete a libido.
Depende. Todo medicamento antidepressivo pode levar a disfunção sexual, como por exemplo perda ou diminuição da libido.
A frequência com que isto ocorre varia de acordo com a droga escolhida e com a resposta do paciente. Porém, sabe-se que em torno de 60% das pessoas que usam antidepressivos afirmam ter disfunção sexual.
Como queixas sexuais são causas comuns de abandono do tratamento para depressão, antidepressivos mais modernos que demonstram baixa interferência na função sexual trazem grande vantagem ao tratamento.
É importante lembrar que dentre os sintomas frequentes da própria depressão está a perda do desejo sexual, especialmente comum nas mulheres com depressão. Assim, a disfunção sexual observada num paciente em tratamento para um transtorno depressivo pode não ser atribuída ao tratamento e sim à própria doença.

8 – Todo medicamento para depressão engorda.
Mito. Embora este seja um dos efeitos colaterais mais relatados pelos pacientes e importantes dos antidepressivos, o que muitas vezes leva o paciente, principalmente mulheres, a abandonarem o tratamento, não é possível afirmar que todas as pessoas que fazem uso de medicamentos para depressão engordam. Porém, como é uma queixa muito comum, é importante ressaltar que já existe uma nova opção de medicamento para o tratamento da depressão que não altera o peso.

9 – Antidepressivos alteram o comportamento.
Mito. Os antidepressivos não são a pílula da felicidade. Os medicamentos não provocam reações extremas de mudanças no comportamento (ouviu Mendes?). Por isso, é importante procurar o médico para encontrar o tratamento mais indicado.

10 – Mulheres na menopausa têm maior probabilidade de ter depressão.
Verdade. Novamente os motivos para esta afirmação estão relacionados ao desequilíbrio hormonal, em especial, ao estrogênio. Estudos mostram que durante o período da menopausa (chamado de peri-menopausa) uma mulher que nunca teve depressão na vida, tem duas vezes mais chance de ter um primeiro episódio de depressão nesta fase. E se a mulher já tem histórico de depressão, a chance do quadro se repetir é 14 vezes maior do que antes dela entrar na peri-menopausa. (lol legal... vou ter depressão de novo aos 50...)



Espero ter ficado um pouquinho mais claro agora. Por favor, tirem esses chavões de suas cabeças, tirem essas idéias inocentes e pensem (por favor! Pensem) um pouquinho antes de falar as coisas.

Mendes você críticou uma das únicas coisas que realmente podem me ajudar, a minha luzinha no fim do túnio (sim, eu me agarrei a esperança de que agora o antidepressivo vai funcionar... Não é possível que não funcione). Como você pode falar para mim parar o tratamento?? Você é louco? Quer que eu caia mais fundo? Quer que eu me mate? Para com isso, de boa. Eu não estou diferente por causa do remédio, se estou é por causa da depressão. E nem a depressão me mudou tanto assim (eu acho). Eu sempre fui crítica assim. Só que vocês nunca pararam para me escutar. Sempre fui sensível, só que isso não me levava a extremos como agora, como pensar em morrer.

Outra coisa. Você falou que meu último post foi o mais paranóico de todos e que eu deveria parar com o remédio, ou seja, você provavelmente está ligando o fato da dose ter aumentado e eu ter piorado. Filho de Deus... Faz uns dois ou três dias que eu tomo a dose mais alta, ainda não to dopada não, ok? Espera mais umas duas semanas que seu argumento vai ser um pouquinho mais válido.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Não menospreze meus sentimentos - Alguém viu onde foi parar meu horizonte?


Acabei de voltar do meu psiquiatra. Com direto a ter minha dose de antidepressivo triplicada e passagem direto para a psicoterapia. Bom, de certo modo eu meio que sai aliviada, ver o remédio não fazendo efeito nenhum estava me deixando em pânico, talvez agora tudo melhore. Meu médico prometeu que iria melhorar. Chorei bastante lá, ele tem dom para me fazer chorar com todas aquelas perguntas confusas, ou mesmo aquele silêncio, esperando pacientemente que eu coloque tudo para fora. Estou começando a acreditar mais nele agora, eu realmente espero que ele me ajude.

É obvio que minha mãe ficou assustadissima ao ver o quanto a dose tinha aumentado e me enxeu de perguntas quando eu sai de lá. Mas até parece que eu iria contar o que se passa na minha cabeça, no fim ela começou com o "blá-blá-blá" de que devia ser só a adolescência, eu não tinha motivo nenhum para ficar assim e todo esse papo de "estou tentando tornar o problema dos outros o menor possível". E quanto mais eu pioro, mais ela menospreza o que eu sinto, quanto mais eu me fecho, mais ela arruma desculpas para não ver o quão fundo eu estou caindo. Indiferença por parte de meu pai e meu irmão, menosprezo por parte da minha mãe. É assim que uma boa familia lida com sua filha fracassada, certo? Absolutamente certo. Tudo bem, não preciso deles, não quero que eles saibam, nem porcaria nenhuma, é melhor assim. Só não queria que me menosprezassem, isso me irrita tanto caramba. Afinal, ninguém está no meu corpo para sentir a dor que eu sinto, como podem falar que não é nada?? Se não é nada, por favor, me explique esse vazio que me consome, me explique toda essa solidão, me explique a angustia que me toma e torna tudo tão mais difícil, até mesmo respirar, me explique porque falta chão, porque minhas pernas tremem de medo, me explique o pânico, me explique porque o sangue me acalma?

Me diga o que é isso? Me diga o por quê. Por quê, hein? O que está acontecendo comigo? Porque eu me sinto assim?

Não me venha com desculas esfarrapadas, não me diga que é por isso ou por aquilo, não, não existe motivo para eu estar assim, eu simplesmente cai. Só isso, cai e não consegui me segurar em nada antes que fosse tarde de mais, agora está tudo escuro, cada vez mais escuro. E em meio as trevas e a dor, eu ainda sorrio, eu ainda consigo ir vivendo minha vida, tentando desesperadamente me agarrar a qualquer coisa que me lembre um pontinho de luz, mas a dor está sempre lá, o buraco no peito, a solidão, tudo. Está tudo aqui dentro, esse meu abismo interior, e eu me pergunto, até quando eu vou conseguir me segurar? Até quando eu vou conseguir manter o desespero aqui escondidinho? Até quando?

Se em um dia bom eu fechar os olhos, eu consigo ver o futuro lá na frente, um futuro bom. Mas eu simplemente não sei o que fazer para chegar lá, tudo parece só um sonho distante, vagamente impossível, quase que delirante e então eu caio na real. Não, minha vida não vai ser boa assim, minha vai ser só isso, só essa luta interminável contra mim mesma, só isso e mais nada. Até que tudo se acabe. Até que eu mesma não consiga encontrar mais nada de mim em mim mesma. E então eu vou saber que já estou morta aqui dentro e que agora nada mais adianta.

Afinal, alguém ai viu onde foi parar meu Sol? Meu horizonte? Minha esperança e vida?
Porque isso tudo está sendo roubado de mim? O que eu fiz? Por favor, alguém me responda, por favor.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Suicídio


Descobri pesquisando por ai que as pessoas não possuem ainda uma idéia muito clara se o suicídio é um ato de coragem ou de covardia. Sinceramente, eu acho que está longe de ser coragem. É óbvio que é covardia, afinal você está fugindo de seus problemas. Quanto ao ato em si, cortar os pulsos ou apontar uma arma para a própria cabeça também não é sinônimo de coragem, levando-se em conta o desespero pelo qual a pessoa está passando e tantos outros fatores, eu diria que até a pessoa mais medrosa do mundo teria a "coragem" de se matar. Ouvi também a palavra "ousadia" atrelada ao suicídio, "Como uma pessoa poderia ter a ousadia de ir contra a Lei Natural da Vida?", quase ri! Até parece que um suicida pensa em qualquer lei idiota que é dita por aí! Pelo amor de Deus né, você acha mesmo que a "Lei Natural" (Lei Natural me lembra Darwin...) vai impedir alguém que já está nesse estágio de se matar? Nossa... É de uma inocência admirável pensar isso. É menospresar a dor de quem sofre, não acha não?

É interessante ouvir as opniões das pessoas a respeito do suicídio... Pode-se dizer que qualquer pessoa racional e saudável emocionalmente é totalmente contra o suicidio. Alegando mil e uma coisas. Ouvi até que o suicida quer ser como Deus ao se matar... Ofendeu até a mim essa. Não dá para entender... Levando em conta que o suicida não tem autoestima nenhuma, se sente sempre um peso e acha que com a morte dele vai estar fazendo mais um bem para as pessoas a sua volta do que um mal. O que Deus e poder tem a ver?? Tudo bem, existem pessoas que se matam por "vingança", como por exemplo, alguém ameaçou te deixar, então você ameaça se suicidar para ter o que quer. Mas pessas assim muito provavelmente são borderlines, ou seja, não são normais e por mais egoista que seja, Deus ainda não tem nada a ver... Li também uma frase de um tal de Santo Tomás, se não me engano (não entendo nada de santo...) que diz:

"(..)todo ser se ama naturalmente a si mesmo; por es­se motivo, o fato de alguém se matar é contrário à inclinação natural e à caridade, pela qual a pessoa deve amar-se a si mesmo; daí o suicídio ser sempre pecado mortal, por ir contra a lei natural e contra a caridade."

Eu achei engraçada a parte do "pecado mortal", quero dizer, se alguém se mata deve morrer por esse crime? Não faz muito sentido... Enfim, não concordo que todo o ser ama naturalmente a si mesmo, mais uma vez as pessoas com problemas psicológicos foram deixadas de lado. Não, não é todo mundo que se ama. E esse negocio de "natural" não cola muito não, não acha? Parece desculpa de quem não tem argumento. Mais uma vez, se você falasse isso para um suicida, o máximo que ele iria fazer seria rir da sua cara e se atirar da ponte sem pensar duas vezes.

A impressão que eu tive de todos esses pensadores ao falarem sobre esse assunto foi de que eles nunca devem ter sofrido, não de verdade pelo menos, foi isso que eu achei. Parece um bando de velho sem sentimentos, sem ofença, é claro, até porque não se é permetido uma adolecentezinha de nada falar mal de nenhum adulto, muito menos de um famoso, até porque eu não sei nada da vida ainda, não é? É... eu realmente não sei nada da vida ainda, mas quer saber de uma coisa? Eu acho que não tenho muita vontade de saber não, de se encaixar nesse mundo nojento. E por mais burra e inesperiente que eu seja, imagino que minha sensibilidade, ao menos, seja muito maior do que todos esse velhos insensíveis juntos. Talvez isso tenha algum valor... Em algum lugar.

Li algumas cartas suicídas também. Achei todas idiotas. Sério mesmo. Mas faz sentido elas serem idiotas... Até porque fico imaginando que a coisa mais importante que essas pessoas falaram, em um grito de desespero, foi o ato suicida em si. Por que a carta deveria ser sentimental ou explicativa quanto aos seus sentimentos? Não existe explicação ou justificativa decente, ele se matou, pronto e não havia ninguém lá para impedi-lo, é isso. Ninguém entenderia de qualquer jeito, a não ser ele próprio.

Se é que eu posso ter uma opnião sobre o assunto, eu concordo com Platão(um dos únicos que fazem sentido), quando ele diz que o suicídio é um ato de injustiça praticado contra si mesmo. Eu não acho que seja um crime, muito menos um pecado (como podem taxar de criminoso e pecador uma pessoa que sofre tanto?? É tão insensível isso...). Eu só acho que é uma injustiça contra a própria pessoa, afinal ela merece viver, eu diria que até mais do que muita gente. O suicida pode até ser egoista sim, causando dor nas outras pessoas, mas se fossemos pensar nas outras pessoas, esqueceriamos de quem realmente tem um problema, que é o suicida. Porque ninguém pensa na dor dele quando analisa o suicídio? Ninguém pensa no quanto ele sofre e como ele ve as coisas, não... já saem julgando, achando que qualquer dor pode ser superada e que as pessoas não podem se matar por qualquer "coisinha". Sabe, eu acho que, se aquilo levou uma pessoa a se matar, não deve ser "qualquer coisinha", concorda? Para mim, sinceramente, quem diz isso nunca deve ter chorado, porque não é possível... Quem diz isso não entende.

É óbvio que eu não sou a "favor" de uma coisa dessas. Como alguém pode ser a favor de algo que destroi uma vida? Não é isso... Eu só acho que as pessoas deveriam ser mais compreensivas. Ter um pouco de coração, sabe? Prestar atenção e procurar ajudar, não só ficar julgando feito uns idiotas.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Silêncio - Não coloque para fora.


As pessoas são tão esquisitas, não são? Quero dizer, dizem mil promessas por ai, como por exemplo "Vou estar sempre ao seu lado", "Pode contar sempre comigo", "Eu te entendo", "Você não está sozinha" ou qualquer outra coisa do tipo, mas é só a situação fugir um pouquinho (ou muito) do controle e pronto. Todo mundo desiste de você. Fazer o quê né? Eu sou uma egocentrica dos infernos e vou continuar assim, logo não vale a pena me dar apoio ou seja lá o que for. Faz sentido. Só que nunca imaginei que as pessoas desistissem assim tão rápido... Não que eu esteja pedindo, feito uma idiota, para as pessoas me animarem ou fazerem qualquer coisa por mim, não é isso. Só não quero que mintam para mim. Não quero que digam que vão estar SEMPRE ao meu lado, se vocês sabem que não vão conseguir, não quero que digam que não vão me abandonar quando desistem logo em seguida. Ok?

Palavras e promessas vazias não valem porcaria nenhuma. Diz a verdade, diz a verdade logo de cara. Doi menos, tudo bem? Joga logo na cara tudo o de ruim que te passou pela cabeça, me xingue por favor, bata em mim se quiser, me odeie, eu não me importo, mas não minta, não faça eu confiar em você para depois ser deixada na mão. Eu entendo que é difícil ter paciência e tantas outras coisas, eu entendo, mas se você sabia disso, porque mentiu? Para fazer eu me sentir melhor naquele momento? De que adianta? De que adianta se nos momentos que eu mais preciso eu não encontro ninguém ao meu lado?

Quer saber de uma coisa? É por isso que eu sempre digo para mim mesma, nunca abra a boca. O silêcio é tão mais fácil... Realmente, poder desabafar é maravilhoso. Mas eu acho que existe dores e cicatrizes que é melhor guardar para si mesmo. São pequenos detalhes que devemos nunca contar e o pior é que geralmente são esses detalhes que te matam aos poucos e que você precisa desesperadamente contar para alguém, nem que seja só para tirar um pouco desse peso enorme sobre você. Mas não conta não... Sofra sozinho. Ninguém vai te entender, ninguém vai ter coragem de estar ao teu lado quando você estiver exposto todos os podres da sua alma. Eles vão te olhar como se você fosse louco, como se você fosse a única pessoa do mundo com tantos defeitos, e você vai acreditar neles. Vai acreditar cegamente em todos os defeitos que eles te apontarem, não importa se outras pessoas são tão egoistas quanto você ou até mais, não importa, só você vai ser julgado como monstro, só você vai ser criticado.

Afinal foi você mesmo que se abriu. Você foi sincero, você não pode ser sincero, nunca seja sincero. Dizer o que pensa nunca é bom, você pensa errado, não pode sair dizendo por ai, entende? As outras pessoas são todas fingidoras proficionais, com seus sorrisos falsos e suas gentilezas forçadas, você tem que fingir também, como todo o mundo, principalmente com seus amigos (aqueles que você PENSA que pode falar tudo), porque são eles que mais te criticam e é deles que você precisa de mais aceitação, para sentir que faz parte da porcaria de um grupo, que tem um lugar no mundo ou que não é um inútil completo.

Por isso, meu, se você não quer complicar sua vida. Fica com a boca calada. Quer se matar? Ótimo, mas não deixe ninguém saber. Tem um rombo no seu peito e você não sabe se vai aguentar tudo isso? Maravilha, sofra sozinho, fale com as paredes se precisar, faça qualquer coisa que você quiser fazer com você mesmo, mas nunca divida sua dor com ninguém. Dividir uma coisa ruim não vai fazer com que o sofrimento diminua, só vai fazer com que a pessoa também se sinta triste e você... Você vai sentir um arrependimento gigante por ter aberto a boca, você vai querer pagar de tanta culpa que vai sentir. Não coloque para fora não, faça do mundo um lugar mais feliz para as pessoas que você ama, faça de tudo para elas acreditarem que está tudo bem, mesmo que isso te destrua por dentro. Tudo bem? E eu vou estar aqui te desejando sorte e torcendo para que o sofrimento não te destrua. Eu também cuidarei dos meus próprio problemas, como deve ser.

Assim tudo vai ficar bem, pelo menos você não sentirá a culpa de ser um peso para todo o mundo. É bem melhor não é? E quando você não conseguir forçar um sorriso para as pessoas pensarem que você está bem, saia de perto delas, vá afogar suas magoas em um lugar onde ninguém te veja, se isole, vá embora. É nojento você fazer os outros sofrerem por você.

domingo, 13 de junho de 2010

Sentir X Não Sentir


Bom... Eu prometi para uma amiga minha que escreveria sobre garotas, mais ou menos como eu falei sobre garotos a umas semanas atrás. E eu até tinha algumas idéias de escrever sobre isso... Mas caramba... Acabei de descobrir que se eu nem mesmo consigo me entender, como eu vou entender as outras meninas?? Então eu peço desculpas, vai ter que ficar para algum outro dia, algum dia em que eu consiga entender essas cabeças confusas e sentimentais (se é que esse dia vai chegar).

Outra coisa que eu queria deixar um pouquinho mais claro é que eu sei que vocês (lê-se Gigi) não curtem muito que eu fale sobre coisas pessoais mas o blog é meu (oo), não enxe.

Então hoje eu vou falar sobre coisas pessoais!

Voltando para a minha idéia de que minha vida é uma roda-gigante. Esses dias foram totalmente doidos, nunca me senti tão vazia... E nunca me senti, por alguns poucos instantes, tão viva. E meu humor inconstante oscilando sempre, apesar que parece que cada vez mais eu passo mais tempo triste do que feliz... Não gosto quando eu só fico triste, prefiro os extremos do que a tristeza e o vazio constante. É engraçado porque outro dia eu me peguei falando para mim mesma que tudo iria ficar bem e que tudo iria voltar ao normal, mas então eu me toquei que na verdade não sei mais o que é "normal".

Andei pensando em drogas também... Cutting é uma droga. É incrível o que as pessoas são capazes de fazer quando em desespero, não é? Ouvi gente falando que nunca nem pensaria em fazer uma coisa dessas, pois não suporta sague, agulhas ou outras coisas cortantes, mas será mesmo que nunca fariam isso? Sofrimento e desespero é uma coisa cruel de mais, se você não conseguir se livrar deles de uma forma saudável, parece que sua personalidade se apaga, tudo o que você sempre acreditou e seguiu, as pessoas que você ama e sabe que te amam, parece que nada mais disso importa. Não existe isso de "pense em coisas boas nessas horas", quando o desespero vem, não existe coisas boas, quando você se tranca em seu quarto e em sua dor, parece que a única coisa que importa é sua respiração falha e seu coração batendo dolorosamente e você precisa fazer aquilo parar. Você precisa, porque se não conseguir parar você não sabe o que pode acontecer, você tem medo, medo de que um buraco se abra no chão e te leve para um inferno do qual você nunca mais conseguirá sair. Porque é isso que parece que vai acontecer.

Mas existe outra coisa que, sinceramente, eu não sei o que é pior. Sentir de mais ou não sentir. Experimentei isso algumas vezes, será que vocês tem alguma idéia do que é isso? Eu não tinha nenhuma idéia antes... É uma coisa tão esquisita, caramba, que eu não sei nem explicar. Parece que, do nada, você perdeu a capacidade de ter sentimentos, em alguns instantes alguém poderia me bater, me humilhar, pisar em mim, não importa. Eu não sentiria, não porque eu desisti de senti ou estou cançada de reagir, não, não é isso. Eu simplesmente não teria CONSEGUIDO sentir, eu pararia e ficaria esperando a dor chegar, mas ela não chegaria, a alegria também não chegaria, o alivio também não, nem medo, nada, no maximo uma sensação vaga e esquisita de que tem alguma coisa errada e que isso não está certo. É assustador, sério.

O engraçado é que, quando você sente, você quer fazer a dor parar, mas quando você não sente, surge uma necessidade urgente de se sentir viva. Talvez não sentir seja pior, quando você não sente você parece não saber mais quem é você ou o que é você, nem se está viva, nem porcaria nenhuma.