"A vida é aquilo que você faz daquilo que te fizeram"

terça-feira, 10 de julho de 2012

Porque todos nós temos dias ruins



De repente sou invadida por uma vontade incontrolável de chorar. Assim, meio sem motivo, sem aviso, sem solução. O que posso fazer? Me esforçar, me esforçar, de novo e de novo. Não consigo controlar minhas emoções, é uma guerra perdida lutar contra o monstro que eu tenho aqui dentro. Não vale a pena. Resta a aceitação ou a desistência, são diferentes mas poderiam muito bem significar a mesma coisa. O que posso fazer? Meu peito dói, minha alma grita, meus olhos se perdem no espaço e eu simplesmente preciso de algo que me mantenha viva. Desconfio que meu estabilizador de humor não anda funcionando como deveria, mas minha psicóloga não concorda. Se não são os remédios, então o que há de errado comigo? Por que eu não paro de piorar? Por que a vida anda tão insuportável? Por que dói tanto? As coisas não deveriam ser assim, deveriam? Eu simplesmente não consigo parar de chorar. Eu estou vivendo uma tortura e não consigo fazer com que ninguém me entenda. De novo, não consigo. Acho que não sou clara o bastante, acho que nunca soube pedir ajuda. Ou então as pessoas não conseguem acreditar em mim, nunca sentiram nada parecido para me entender. Não sei. Me esforçar... Não consigo entender como me esforçar vai fazer a tristeza e a dor irem embora. Eu me corto porque todo meu ser dói, me corto para aliviar essa dor, parar de me cortar não vai fazer essa dor ir embora, só vai deixar um vazio que eu vou querer preencher com outros vícios.

Não, não entendo essa lógica. Entendo que não posso me cortar, que isso é errado e que não posso continuar fazendo isso, mas não entendo como parar de fazer isso pode me ajudar, falando em minha condição geral. Eu quero que a dor pare, quando a dor parar, eu não terei mais motivos para me cortar. Será que não podemos simplesmente arranjar um jeito desse sofrimento acabar? Deve ter um jeito, deve ter... Não é possível. Eu preciso tanto de ajuda agora. Acho que nunca foi tão difícil ficar longe de uma lâmina. Estou tentando! Estou tentando! Me desculpe. É só que as vezes dói tanto que eu mal consigo respirar. É enlouquecedor, sinto como que um buraco tivesse se aberto sobre meus pés e eu fosse me perder para sempre, sinto o peso do mundo inteiro em minhas costas e todos esperam que eu suporte e continue suportando como se não fosse nada. Não consigo, não consigo. Estou tão perto do meu limite.

E quando as lágrimas finalmente parecem ter acabado, sinto meu peito tão vazio que desconfio estar morta. Eu vou perder a cabeça se as coisas continuarem assim. Eu não aguento mais, eu não aguento mais. Estou tão cansada e já disse isso tantas vezes que se tornou irritantemente repetitivo. Mas mesmo assim nada muda. Preciso de ajuda, e nada muda. Eu sei, eu sei... Eu preciso começar ajudando a mim mesma. Estou tentando. É só um pouco difícil para mim mesma ter um pouco de amor próprio, um pouco de consideração e empatia.

domingo, 8 de julho de 2012

Uma história de violência



Você nasce, não escolhe onde, quando ou em qual família. Durante os primeiros anos da sua vida você não escolhe nada, você não pode fazer nada a respeito de coisa alguma. Um ano, dois anos, três anos. A vida é pequena e simples, você sorri para todo mundo, imita tudo o que vê e faz tudo em busca de amor e carinho, seja ele como for. Você vai crescendo e o mundo a sua volta se amplia. Você vê seus coleguinhas na escola e sente um certo estranhamento, por algum motivo, que você não sabe explicar ainda, você se acha diferente deles, você não se encaixa, você não consegue ser como eles, não consegue se enturmar devidamente. Todos eles falam de mais, brincam entre si com uma naturalidade que você não consegue entender, fazem amizade fácil, aprendem como devem aprender, alguns mais rápido outros um pouco mais devagar, mas aprendem, se interessam por tudo, enfim, são crianças. Você não. Você é quieta, tem dificuldade para falar, para fazer amizade, para entender o mundo a sua volta, e sente algo terrivelmente errado dentro de você. Você é fechada por natureza, não se sente confortável em lugar algum, é quieta e tímida e quanto mais cresce e mais percebe que não consegue se encaixar, mais se isola.

As pessoas passam a implicar com você. Por que você é tão estranha? Por que é tão feia? Por que é tão gorda? Por que seu cabelo é assim? Por que você não fala? Por que está chorando? Hein? Hein? Hein? Eles te cercam e riem de você, apontam em sua direção, te empurram, puxam seu cabelo, te perseguem. E você não consegue entender porquê. O sentimento de estranhamento dentro de você cresce cada vez mais. Você olha distante para as outras pessoas e se imagina vivendo outra vida, cria fantasias em sua mente, mentiras, sonhos, se esconde atrás de livros e histórias fantasiosas de mundos onde os desencaixados viram heróis e finais felizes existem. Mentiras, mentiras e mais mentiras. A perseguição se torna pior, atinge outro nível. Violência. Violência onde quer que você vá. Em casa, no prédio, na escola, não importa. Você está sendo assassinada a cada dia e ninguém parece perceber ou se importar. Você corre e corre, de tudo e de todos, você se assusta com o mínimo movimento, com o mais inocente toque, com a palavra mais macia. Dói. É difícil para você perceber onde e porquê, mas dói. Você não entende. Tem algo de errado com você, é a única certeza que cresce a cada dia. Tem algo de errado.

Você é quase uma adolescente agora. Se olha no espelho. Sente repulsa por si mesma, se sente suja. Tem algo errado. Não tem? Passa a mão pelo corpo, desconfortável. De repente é tomada por uma raiva enorme de si mesma, as lágrimas escorrem como nunca. Tem algo errado, tem algo errado, tem algo errado. Soca a própria cabeça sem saber porquê, atira tudo ao seu alcance no chão, chuta os móveis do seu quarto e chora. Chora como nunca, sentindo um buraco enorme se abrindo em seu peito. Apaga a luz e se encolhe em um canto. Por favor me deixem em paz, por favor me deixem em paz, por favor me deixem em paz, por favor, por favor, por favor. Você não entende. Vive se escondendo, atrás de sorrisos falsos, mentiras e máscaras e nem sabe direito porquê. Mas isso é necessário, é necessário para se suportar a vida. Ninguém pode saber, ninguém pode saber, nem mesmo você mesma. Você se torna quase uma sombra do que um dia poderia ter sido. É passiva, tímida, fechada, antissocial, indefesa, autodestrutiva, facilmente influenciável. Um desastre. Um desastre ambulante.

Você é uma adulta agora. As lembranças de uma infância e adolescência que você não quer admitir te atormentam diariamente. Por que eu nunca pedi ajuda? Tantos anos de silêncio e sofrimento. Tantos anos perdidos em um inferno constante. Aquele dia, em que eu caí na varanda do meu apartamento e encostei minha cabeça em minhas mãos, derrotada, chorando como um bebê. Quantos anos eu tinha? 11? 10? Exausta, física e psicologicamente. Minha mãe me perguntou porque eu chorava. Não conseguia me explicar. Como poderia? Ela me falou sobre Deus, que ele me ajudaria. E eu fui deixada ali no chão, exatamente do mesmo jeito que estava antes. Deus... Deus? Deus fica no céu, não no inferno. Eu vivo no inferno, é claro que ele nunca vai descer até aqui para me buscar, não sei porque eu esperei tanto. Ninguém me ajudou, nem mesmo eu mesma. Eu não escolhi onde nasci, nem quando nem em qual família. Mas creio que em algum momento tenha escolhido o silêncio, pensando que não existisse a possibilidade de se falar. Não, não. Não escolhi nada. Eu só me observei de bem longe, sem me mexer, sem reação nenhuma, enquanto o mundo destruía tudo o que eu poderia ser e das cinzas nascia algo irreconhecível. O que eu sou agora.

Perigo: Não se aproxime.



Me desculpe, me desculpe. Me desculpe por pedir desculpa. Eu não sei o que fazer. Tudo o que eu faço é sempre errado de mais, como posso não me julgar? Tropeço o tempo inteiro, não aprendo nunca. Essa fragilidade irritante, essa bomba de sentimentos pronta para explodir a qualquer instante em resposta ao mínimo movimento. Eu faço tudo errado. É tudo culpa minha. Eu nunca sou boa o bastante, nunca. Não sou eu, é só minha cabeça, meu monstrinho. Não consigo. Não consigo não pensar nessas coisas, não consigo não ser "egocêntrica", como você me acusou, como todo mundo me acusa. Me desculpe, me desculpe. É tão difícil. Eu preciso parar de reclamar, sei disso. Está todo mundo cansado de me ver mal, de perder as contas de quantas vezes eu já voltei a me cortar, de não conseguir nunca me ajudar do jeito que querem. De novo sinto ser um caso perdido, um desperdício ambulante de tempo e espaço. Até quando isso? Por que tudo é tão difícil? Por que eu não posso simplesmente sorrir e esquecer de tudo o que faz minha alma sangrar diariamente? Eu quero a leveza do vento, a pureza da água. Mas carrego o peso de uma montanha, a sujeira de uma vala imunda.

Me sinto muito sozinha às vezes. Não consigo conversar muito bem pessoalmente com quase pessoa alguma. Ninguém gosta de ouvir o que sai de minha boca. Não é agradável, não é reconfortante, não é algo que alguém gostaria de ouvir ou se sentiria confortável para tal. Me sinto mal falando, não quero causar dor a ninguém, não quero ser um problema maior do que já sou. Também não quero esses olhares de pena, de misericórdia, de sei lá o que. Quero só ser uma pessoa normal, com uma vida normal, nada de mais. Quero poder sair de casa e sorrir sem motivo, só por estar viva ou por qualquer outra besteira. Não quero mais pessoas me olhando na rua, me julgando, se assustando com as marcas incontáveis em meus braços. Não quero mais ser eu. Quero nascer de novo, quero dois braços novos em folha, quero um cérebro sem defeitos dessa vez, quero um caminhar mais firme e a força para levantar os olhos do chão. Nada de vícios, nada de dor, nada de masoquismo cego, tropeços incertos, defeitos aos montes. Estou cansada de ser eu, muito cansada.

Ah! Os otimistas, os otimistas. Diriam que tudo poderia ser pior, que eu deveria agradecer pelo que tenho, pela sorte que tenho. Tudo é sorte para eles, até o ar que respiram é uma sorte. Meu deus, como são irritantes. Sinto vontade de me atirar de um prédio sempre que me encontro com uma pessoa positiva de mais. Não adianta, eles não entendem. Tudo o que para eles é sorte, meu cérebro transforma em azar. É uma capacidade incrível que eu tenho de pintar o mundo todo de cinza, de sugar a energia positiva de tudo a minha volta e transformar tudo em um inferno. Tristeza é algo contagiante, eles dizem que não, mas é. Eu mesma alias já disse, que transtornos mentais ou problemas psicológicos não eram contagiantes e por isso não se devia abandonar essas pessoas por medo. Tudo mentira, inocência minha. Tudo se pega. Os covardes são os mais espertos, devo admitir, os que fogem de tudo isso logo na primeira oportunidade. As pessoas tem a mania de gostarem de mim, não sei direito porque, é um grande mistério para mim, por pena talvez, que seja. De qualquer jeito sempre tenho vontade de avisá-las para não se aproximar, é perigoso de mais, eu machuco tudo a minha volta. É algo tão inevitável para mim quanto respirar. Um dia ou outro eu vou te machucar, pode contar com isso. Me desculpe por isso.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Por mais uma chance.



De novo. Tenho medo. Eu não posso simplesmente ficar curada? Um tratamento milagroso, algo assim, faço qualquer coisa. Pedi por ajuda, finalmente pedi por ajuda, mas agora tenho medo do que essa ajuda vai me custar. Eu temo pela minha liberdade, temo pela minha autonomia incerta, pelo meu direito de fazer besteiras atrás de besteiras. Eu sei, eu sei. Eu preciso de ajuda. Eu não aguento mais. Não posso viver assim, é impossível viver assim. Eu quero uma mão que me segure quando eu não tiver mais chão, quero uma camisa de força, quero algo que me prenda a realidade quando nada mais for certo. Mas o que isso vai me custar? Me pergunto agora se eu realmente deveria ter pedido ajuda. É um pouco perigoso me deixar solta por aí, é verdade. Tenho a terrível mania de cortejar a morte, ser autodestrutiva e impulsiva. Tudo para mim é o fim do mundo, tudo é complicado demais, sofrido demais. Dói respirar, dói estar viva, dói qualquer mínimo movimento.

É... Eu preciso de ajuda. Há muito tempo está claro que não consigo sozinha. Vivo mal, arrastando tudo com a barriga, tropeçando e caindo o tempo todo. Penso em me cortar, penso em morrer, penso, enfim, em desistir. Mas vou levando, vou levando. Há dias bons de vez em quando, dias em que acredito que há uma solução, que no fim não estou tão mal assim, que tudo vai ficar bem e eu vou conseguir melhorar. Mas então os dias maus voltam e toda a esperança desaparece, todos meus sonhos são arrancados de mim e não sobra nada a não ser uma criaturinha encolhida, deplorável, chorando compulsivamente. A morte, a morte. Imploro por ela, ao mesmo tempo que rezo para alguém me impedir de chegar a esse ponto. Por favor, me deixem morrer, por favor, me salvem. Eu preciso de ajuda, eu preciso de ajuda. Ajuda? Não, não, não... Por favor, não me internem. Eu sei que sou um perigo para mim mesma, sei disso, mas vocês não podem simplesmente interromperem minha vida quando bem entenderem. Eu tenho vida, não importa o quão deplorável ela seja, não importa o fato de eu chorar quase todo o santo dia e permanecer sangrando não importa o que aconteça. É a MINHA vida. Não quero que ninguém a tire de mim, se eu não melhorar, se eu não posso melhorar, eu mesma quero por fim nela.

Talvez eu não devesse ter pedido ajuda. Talvez eu devesse ter ficado quieta, continuado a mentir. Está tudo indo muito bem, obrigada. Não... Não posso mentir. Há algo em mim gritando por mais uma chance, uma única chance. Sim, eu preciso de ajuda. Preciso desesperadamente de ajuda. Por favor, não desistam de mim. Por favor, me deem alternativas, horizontes, esperanças. Eu faço o que for preciso para melhorar. Qualquer coisa. Não me deixem aqui morrendo dia após dia. Isso não está certo, ninguém pode viver assim. Por favor, me ajudem.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Estou aqui. Vou te proteger.



O sofrimento... Correndo líquido pelas minhas veias, brotando pelos meus olhos, se solidificando em meu peito. Não consigo respirar. Meus olhos perdem o foco, somem no infinito. Meu corpo treme, minha mente em pedaços. Estou caindo, estou caindo. Quero gritar por ajuda mas as palavras morrem antes de chegarem em minha garganta. Não consigo respirar. Algo me segura por alguns momentos. Você me segura, me obriga a te olhar nos olhos. Fica comigo, você me diz. Me ajude, me ajude, eu quero dizer mas me calo mais do que nunca. Mesmo assim você me segura mais forte, como se me entendesse, como se pudesse ouvir meus pensamentos. Fique comigo, estou aqui, sou eu. Quero concordar com a cabeça, quero dizer que entendi e que vou ficar bem, mas a escuridão me puxa pelos pés e eu me perco de novo em meu pequeno inferno. Me ajude, me ajude. Tenho tanto medo. Sinto suas mãos me segurando, sua voz procurando por mim. Por favor, não me deixe aqui sozinha. Dói tanto.

Deus, por que você fez isso comigo? O que eu fiz para merecer tanto sofrimento? A vida inteira, Deus, eu esperei pelo dia em que eu não precisaria mais chorar e, no entanto, nada. Você nunca veio, ninguém nunca veio. Você se escondeu, covardemente, como todo mundo, você se omitiu. O que eu fiz de errado? O que tem de errado comigo? Por que comigo? Por que as pessoas são más? Por que fazem isso?

Eu não consigo parar de pensar nessas perguntas, constantemente. É duro viver com a verdade. Creio que estava melhor enquanto conseguia mentir para mim mesma. É uma pena que toda mentira tenha perna curta. Eu pensei que depois que parasse de mentir para mim mesma as coisas melhorariam, mas isso está demorando para acontecer. Sinto que quanto mais eu abro a boca disposta a contar meu passado, mais coisas impronunciáveis eu descubro sobre o mesmo. Quando olhei para o lixo escondido em minha mente pela primeira vez eu o achei horrível, porém, agora que eu realmente comecei a mexer no mesmo, percebi que ele é pior do que parece, percebi que havia muito mais sujeira enterrada ali do que podia imaginar.

Ouço sua voz distante. Meus olhos lentamente entram em foco e eu consigo te ver. Aqui, bem perto, preocupada. Quero dizer que te amo, mas minha voz ainda não sai. Simplesmente te abraço e desejo de todo meu ser que você me entenda, que todo o sentimento que tenho por você passe de minha pele para a sua e você consiga compreender. Estou aqui, estou aqui, vou te proteger.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Em paz um dia, quem sabe.



A irritação. A raiva. Sinto as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e não há nada que eu possa fazer para impedi-las. Você não entende, ninguém entende. Droga, não consigo parar de chorar. Você diz que eu preciso fazer isso, que eu preciso fazer aquilo. Você não entende. Não consigo, não consigo. Sinto vontade de te bater até você desmaiar para você sentir um milésimo da dor que constantemente eu sinto em meu peito. Você fala que eu posso, que merda, vai se foder. Você deveria me ajudar, não falar esse monte de besteira, auto-ajuda barata para gente burra. Desculpa, eu não sou tão burra assim. Eu sei que não esta nada bem e que você não faz ideia do que está fazendo. Eu tomo toneladas de remédios e ainda assim não consigo passar uma semana sem surtar, as coisas não deveriam ser assim, deveriam? Você deveria me ajudar, você deveria me ajudar. Por que eu não estou bem? Por que eu simplesmente não consigo ficar bem? Pare com as desculpas, com as mentiras, com os conselhos infantis, eu não sou burra. Um dia eu vou conseguir ficar bem? Doutor, um dia eu realmente vou conseguir ficar bem?

Sinto um nó na garganta, as lágrimas nunca param de escorrer. Quero me machucar de novo, me sinto uma inútil, uma defeituosa, incapaz e incorrigível. É tão fácil tudo perder o sentido, o desespero tapar meus olhos e meus pés não encontrarem chão. Um dia as coisas vão ficar bem? Eu queria que não doesse tanto estar viva, eu queria... Eu queria tanta coisa. Ele me perguntou o que se passa na minha cabeça. O que me passa na minha cabeça? Muitas coisas. Uma voz constante me rebaixando, outra me repreendendo, outra falando como tudo vai dar errado de qualquer jeito, um choro constante, um grito mudo, medo. Um inferno. Eu pensei que você pudesse me tirar daqui, pensei que você pudesse me ajudar só mais um pouquinho, só mais uma vez, mas acho que me enganei. Como posso acreditar que posso melhorar se seus olhos me dizem que eu não tenho jeito? Como posso continuar me esforçando frente a uma desesperança tão grande?

Por alguns instantes hoje pensei ter me perdido. Pensei que tivesse desistido. Chorei, e chorei, bati minha cabeça na parede até sentir dor suficiente para me distrair do caos que é minha mente. Mas agora, ao som do violão da minha namorada e o calmante correndo em minhas veias, sinto uma certa paz. Quero que isso dure para sempre. Não quero levantar da cama amanhã e enfrentar os estresses do dia a dia, quero só um tempo para descansar, um tempo para esquecer tudo o que tanto me aflige. Só alguns segundos, poder fechar meus olhos e respirar fundo sem sentir dor nenhuma, os músculos do meu corpo finalmente relaxados e minha mente limpa de toda essa sujeira.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um sonho idiota



Pensei em me tornar escritora. De novo. É um sonho muito antigo e idiota. Acho que começou a ser construído lá atrás, quando ganhei meu primeiro diário aos 7 anos de idade. Desde então escrevo. O que? Perguntei para a babá do meu irmão quando ela me deu meu primeiro diário. Qualquer coisa, ela me disse, o que você quiser, as coisas que acontecem com você, na escola, em casa, sua vida, tudo o que você quer contar mas não tem a quem. Olhei para aquele caderninho vermelho com um cadeado e me senti muito feliz, foi o melhor presente que eu já ganhei. Lembro que fiquei olhando para as páginas em branco sem saber direito o que fazer, então escrevi os presentes que havia ganhado naquele aniversário. Depois contei que tinha duas amigas na escola e que elas brigavam entre si e que eu não gostava disso. Até hoje escrevo diários, além desse blog que eu criei há dois anos atrás. Escrever se tornou parte do que eu sou, se tornou a forma de uma grande parte de mim se conectar com o mundo exterior. É por meio das palavras digitadas aqui ou escritas em uma folha em branco que minha alma quebradiça pode respirar. Sempre que sento em algum lugar e começo a escrever sinto que estou me encontrando com um velho amigo, alguém que sempre me ouve, alguém com quem eu posso falar sobre qualquer coisa, quantas vezes eu quiser e da forma que eu quiser. Posso me esconder atrás das palavras, posso me escancarar por meio delas, posso atirá-las contra o mundo ou em minha própria direção. Posso construir uma saída temporária do meu inferno, posso me afundar mais ainda. Meu universo gira em torno delas, eu dependo delas. Às vezes sinto que enquanto eu puder escrever eu vou suportar a vida, por mais que pense em desistir, por mais que às vezes até deseje desistir, quando escrevo me sinto viva, me sinto conectada à algum lugar, à alguma coisa.

Escritora... Por quê não? Eu amo escrever, mais do que qualquer atividade que eu já tenha feito na vida. Às vezes penso que minha história deveria ser contada, que eu deveria contar minha história. É uma pena que minha mente me pregue peças, que a realidade e os pesadelos se confundam e que muitas coisas sejam simplesmente impronunciáveis. Talvez por isso mesmo contar. Ou não. Talvez confundir meu leitor da mesma forma que minha mente me confunde, trazê-lo para meu universo particular e líquido, escuro e assustador. Fazê-lo sentir uma fração do que eu sinto.

Me arrepia ouvir alguém dizer que meus textos doem de ler, é exatamente isso que eu quero. Que as pessoas, ao me lerem, sangrem comigo, chorem ao meu lado, consigam me entender, viver um pouco na pele o que eu passo todo dia. É, eu poderia ser escritora. Isso me deixaria feliz... É um bom sonho para se correr atrás. Pena que eu sempre desisto dessas coisas, pena que me perco em meio de tanta dor e me esqueço que a vida pode ter um sentido, que sonhos existem e esperanças também. Pena que são tão poucas coisas que bastam para mim. Um dia meu amigo disse que tudo que eu toco quebra. Eu realmente me sinto assim, nada parece durar muito em minhas mãos. Pessoas, sentimentos, sonhos, esperanças, estabilidade, saúde... Mas eu devia parar de reclamar, as pessoas vivem me dizendo. "Pare de perder tempo reclamando e vá fazer algo para ficar melhor". Como se eu não passasse o tempo inteiro atrás desse "algo" para ficar melhor.